quinta-feira, 19 de novembro de 2015

"Quando não se sabe o que fazer (...)"


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Como demonstrado durante seu último Congresso, o PMDB configura um quadro no qual há uma grande variedade de partidos dentro de um mesmo balaio, cada um defendendo pontos de vista e posicionamentos às vezes diametralmente opostos. 

Assim, existe o grupo que defende com fervor o impeachment da Presidente Dilma  e postula  a ascensão imediata de Michel Temer ao poder. 

Em oposição, há a facção que, ao  adotar uma postura contrária, afirma com veemência estar com o governo e o apoia incondicionalmente. 
Uma corrente prega o caminho próprio, descolado do PT, e apopleticamente recomenda abandonar a base, afirmando que o partido não deve  vender-se por "carguinhos". 

Constata-se também a existência do bloco que redigiu o documento denominado "A ponte para o futuro", destinado a salvar a economia combalida, e outro que o qualifica como fraude e contrário aos interesses do povo. 

Dentro desse ambiente confuso, o atual vice-presidente  da república é aclamado como futuro presidente, fato sugestivo de que a reunião se tenha transformado na verdade, em palanque eleitoral. 

Diante dessa verdadeira parafernália que pouco se assemelha ao conceito de partido que deve vigorar num regime democrático, o eleitor tem o direito de saber qual a direção que o PMDB tomará. 

Para ter uma pista, talvez o melhor seja a lembrança de D. João VI quando, ao desembarcar no Brasil com a família real, atormentado pela tensão política ligada ao expansionismo de Napoleão, respondeu, ao ser indagado por um assessor sobre a orientação a ser adotada a partir daquele momento: " quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer nada". 

Este é o nosso maior partido político.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

3 comentários:

Loumari disse...

Examinai todas as acções que se fazem debaixo do sol; na verdade, não passam de vaidade e correr atrás do vento.
(Eclesiastes 1,14)

Loumari disse...

Realizando coisas justas, tornamo-nos justos, realizando coisas moderadas, tornamo-nos moderados, fazendo coisas corajosas, tornamo-nos corajosos.
(Aristóteles)
Ética a Nicómaco

O Libertário disse...

Exatamente! Quando não se sabe o que fazer o melhor é não fazer nada.Por isso mesmo que o estado tem de ser minúsculo e não se meter a fazer o que não sabe. Quem não sabe o que fazer e se mete a fazer invariavelmente faz a coisa errada. E mal feita.