domingo, 13 de dezembro de 2015

Ares de Renovação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

A notícia é altamente positiva e tem repercussão continental. O novo presidente argentino, Mauricio Macri, convidou Daniel Scioli - candidato derrotado na disputa para a presidência - a acompanhá-lo em "alguma
viagem internacional" em busca de investimentos para o país. A iniciativa de Macri é regida pelo interesse nacional: a importância de o novo presidente e seu ex-rival serem vistos lutando juntos por investimentos para o país.

Segundo o Jornal Clarín, o Ministro do Interior, Rogelio Frigerio, disse que "A imagem de dois concorrentes indo vender juntos a Argentina, vender o potencial que a Argentina tem e tentar atrair investimentos é muito boa". E acrescentou: "Isso é algo que ocorre normalmente em outros países, mas que aqui se deixou de fazer há muito tempo". Os jornais informam que o convite foi aceito.

Parece que Macri e Scioli voltam a demonstrar o que é um "estadista": colocam o interesse do país acima das conveniências partidárias. Passadas as eleições, vão trabalhar em favor da nação.

É impossível não lembrar o contraste com a conduta de Cristina Kirchner e suas lições de "como não ser um estadista". Macri queria que, na transmissão da presidência, o juramento fosse feito diante do Congresso; e a entrega da faixa e do bastão presidencial, na Casa Rosada (sede do governo), seguindo uma tradição que o Marido de Cristina um dia resolveu interromper. A tradição foi observada. Mas Cristina foi irredutível: acabou ficando fora da posse de Macri.

O que ela pretendia, em verdade, era transformar o cerimonial num evento para os militantes: gritarias, bandeiraços, palavras de ordem, ameaças, o completo desrespeito que todos conhecemos. Ora, Cristina Kirchner segue a insana lógica amigo-inimigo: ou está com ela ou está contra ela. Diálogo não há. Justificativa para toda violência "pela causa", isso sim, há. É a política do ódio - se é que essa predatória luta pelo poder pode ser chamada de política.

Mauricio Macri assume o governo de um país que viu, nos últimos anos, crescer o desemprego, aumentar a violência, multiplicar-se a pobreza e se agravar o problema do tráfico de drogas, entre outras mazelas. Naturalmente um país só consegue reerguer-se com a colaboração de todos. E é notório que a maioria dos argentinos tem esperança, acredita no seu presidente e, pode-se supor, pretende ajudar no que seja possível.

Nesse cenário, entretanto, sabidamente Cristina Kirchner e seus militantes farão de tudo para tornar inviável o governo de Mauricio Macri, semeando a desesperança e fomentando a sua lógica sórdida. O sinal já foi dado: não estava concluído o escrutínio das urnas que elegeram Macri e a turma de Cristina já falava das próximas eleições, em que ela pretende ser candidata. A menos que algumas questões obscuras sejam esclarecidas...

Apesar de tudo, o momento é altamente positivo. Não só para a Argentina, mas para o continente. As atitudes de Mauricio Macri, desde antes mesmo de assumir o governo, vêm favorecendo a democracia, já com sinais de que pode inspirar lideranças de outros países da região e inibir arroubos autoritários de uns quantos, quer dizer, balizando uma renovação na
política.

Não será demais lembrar que o "modus operandi" da turma de Cristina - o populismo inchado de demagogia - é o mesmo de todos os partidos do nefasto Foro de São Paulo. E as mudanças introduzidas por Macri na condução da política talvez tornem mais visível o atraso econômico, político e moral que vinha encorpando no continente.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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