sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Burguês Gentil Homem


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A extraordinária peça teatral de Molière cuja estréia foi em 1.670, ainda é sátira muito atual.

O senhor Jourdain equivale aos nossos emergentes, novos ricos que obtiveram sua fortuna de modo lícito ou não.

Contratou um professor de música e outro de dança.

O primeiro , a certa altura, disse ao colega:” Não há nada, por certo, que mais nos desvaneça do que os aplausos...Mas... puros louvores não alimentam ninguém...”

O segundo replica:”Alguma verdade há no que diz: cuido, entretanto, que o senhor exagera um pouco a questão do dinheiro...”

No final da apresentação uma cantora italiana entoa “Di rigori armata(o)...” ária aproveitada por Richard Strauss em sua ópera “Der Rosenkavalier” composta em 1.910 em alemão, e a única cantada sempre em italiano por um grande tenor.


“Di rigori armato il seno. Contro amor mi ribellai ma fui vinto in un baleno in mirar due vaghi rai. Ahi! che resiste puoco cor di gelo a stral di fuoco.”
Vide “Molière: O Tartufo; Escola de Mulheres; O Burguês Fidalgo”Abril Cultural, São Paulo, 1.983, página 427.

Deus permita que surjam alunos endinheirados e humildes para que os pobres mestres sobrevivam.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

7 comentários:

Anônimo disse...

Com o salário que eles ganham e mais verba pra isto e verba pra mais não sei das quantas, não sentirão o peso da crise. tem que lembrar ao Renan do índice de desemprego, a inflação e que a maioria do povo não tem os salários e privilégios que eles tem.

Loumari disse...

Merci de nous offrir un peu de douceur dans ce monde de brutes.

Loumari disse...

Os Professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.


Continua

Loumari disse...

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição.

Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.

"José Luís Peixoto, in 'Visão (Revista)'
Portugal n. 4 Set 1974
Escritor

Loumari disse...

Ser mestre não é de modo algum um emprego e a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.
(Agostinho Silva)


O professor deve sempre aparecer ao seu discípulo como uma pessoa de cultura perfeita; por cultura perfeita entenderemos tudo o que pode contribuir para lhe dar uma base moral inabalável, sem subserviências nem compromissos.
(Agostinho Silva)

Loumari disse...

Madame Butterfly - Maria Callas - Traducida

https://youtu.be/8TcsiqJCizo

augusto.a disse...

O esquema dos políticos profissa esta tão bem armado, que pode ficar Dilma, Temer , Aécio, Lulla, eles sempre vão estar numa boa. O país pode estar indo pelo ralo que não está dizendo nada para eles, sempre estão numa boa. As otoridades publicas sempre vão estar numa boa. Essa farra tem que ter um fim, voltamos a idade média.