terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Conversa Mole para Boi Dormir


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Vaca amarela fez na panela, quem falar primeiro come toda a coisa dela.

Expressões que povoarão as declarações daqui em diante:

Veja bem...

Não é bem isso...

Eu não sabia... (já um pouco gasta).

Fui traído...

Tenho toda uma trajetória... (muito suja e muito inglória).

Nunca antes na história deste país...

Fulano é um idiota...

Sicrano, um imbecil...

Mengano, fantoche de pano...

Beltrano é mestre no engano...

Perdoe-me São Raimundo; entrei “limpinho” e saio imundo...

Fiz tudo em nome de um ideal...

Blá, blá, blá...


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

5 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma:
"Eu pensei que era "as brinca"! Então tá - agora é "às ganha"....

Loumari disse...

Um corpo corruptível pesa sobre a alma e - tenda de argila - oprime a mente pensativa.
(Sabedoria 9,15)

Loumari disse...

A Velha Angra

Olhou sobre a velha Angra, aninhada aos pés do Monte Brasil, as araucárias erguendo-se contra o céu cinzento. Esquadrinhou com o olhar as suas ruas, os seus solares e palácios, as suas igrejas. Imaginou marinheiros e mercadores, saltimbancos e aventureiros a caminho das sete partidas do mundo. Charlatães bebiam vinho com missionários, soldados negociavam serviços com prostitutas, piratas persuadiam navegadores ao serviço do rei sobre novas e mais rentáveis rotas, de encontro ao Vento Carpinteiro. Havia escravos e bêbedos, burocratas e crianças furtivas, freiras e casais de condenados com destino ao Brasil, e toda essa gente circulava pela cidade como se fosse o seu sangue, incerto e veloz, bombeado por um coração descompassado que era o próprio movimento do mar, furioso, naufragando naus e galeões como numa tela de Vernet.

"Joel Neto, in 'Arquipélago'
Portugal n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista
(Excerto sobre os Açores)

Loumari disse...

O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.
(José Saramago)

Loumari disse...

Lutar Contra as Adversidades

Depois dos bons momentos... vêm sempre os piores. O encontro com o mais belo da existência não anula a nossa fragilidade. Mais uma vez, caímos. Mais uma vez, experimentamos a derrota, sentimos que não somos tão importantes quanto julgávamos, nem, tão-pouco, nada de extraordinário. Estamos, mais uma vez, no chão. Encolhidos. Como no ventre da nossa mãe.

A fraqueza acumulada é uma adversidade brutal. Não é apenas necessário lutar contra o que temos por diante, temos de combater também as derrotas das lutas anteriores, todas as dores, cicatrizes e feridas abertas... todas as perdas.

O que faz à vontade o sofrimento recorrente? Aumenta a tentação de ceder ao mal. Como se fosse natural habituarmo-nos mais aos vícios do que às virtudes.

A cada passo o caminho se torna mais longo...

Sofremos o que não merecemos. Mas a tristeza só é absurda quando não se sabe por que se luta... enquanto não se consegue ver sentido algum na dor...

Há homens e mulheres que, longe dos olhares alheios, lutam contra adversidades enormes, que alguns imaginam impossíveis. Lutam, sofrem e erguem-se, apesar de tudo.

A sua vontade de viver e sorrir é maior do que a de desistir e chorar. Choram, mas porque têm vontade de viver. Sorriem sempre que percebem que o seu sorriso pode levar esperança a outro.

Mas, ainda que estejamos caídos no chão, estamos no caminho, estamos a fazer caminho, o nosso. Esse que importa levar até ao fim... até ao ponto mais alto... porque não somos de nenhum buraco.

Os olhos no céu. O céu nos olhos. E erguemo-nos, mesmo sabendo que voltaremos a cair... e seguimos para diante, mesmo não sabendo como resistiremos à dor das feridas e às forças que se vão extinguindo.

Quantas vezes me dou conta daqueles que lutam para sair do fundo do poço?

Quantas vezes devo levantar-me?

O que quero eu de mim?

"José Luís Nunes Martins, in 'Via-Sacra para Crentes e Não-Crentes'
Portugal n. 14 Mar 1971
Filósofo