segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Dissabores


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Nós humanos, nos acostumamos com tudo; até com as adversidades.

Uma vez li os versos que não lembro mais de quem são:

“Nascemos chorando para morrer depois de muito chorar.”
Deus a poucos deu a graça de serem brasileiros e falar a língua portuguesa; a mesma “...em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!” (Olavo Bilac)

Agora já rufam os tambores.

Não se trata mais da perda de juvenis amores.

A nação acorda e para os traidores não faltará corda.

Os que não chegarem a ver a nova era, façam como o que morreu com fé.

O bravo luta, crê e espera.

Gente de truz conhece o combate entre a “Esfera e a Cruz”.

O livro de Chesterton não tem (que eu conheça) tradução em português.

Quem puder leia em inglês, francês ou castelhano. O melhor presente de fim de ano.

ISBN: 978-0486288055 , ISBN 13 : 9782743631772 , ISBN:9788477025245 


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

6 comentários:

Loumari disse...

A Fonte da Harmonia

A boa disposição e a alegria de um cão, o seu amor incondicional pela vida e a prontidão dele para a celebrar a todo o momento contrasta muito com o estado de espírito do dono - deprimido, ansioso, sobrecarregado de problemas, perdido em pensamentos, ausente do único lugar e do único tempo que existe: o Aqui e o Agora. E uma pessoa interroga-se: vivendo com alguém assim, como consegue o cão manter-se tão equilibrado e são, tão cheio de alegria?

Quando apreendemos a Natureza apenas através da mente, do pensamento, não somos capazes de sentir a sua força de viver e de existir. Vemos somente a parte física, a matéria, e não nos apercebemos da vida interior - o mistério sagrado. O pensamento reduz a Natureza a uma mercadoria que se usa na busca de benefícios ou de conhecimento ou de qualquer outro fim utilitário. A floresta ancestral passa a ser vista apenas como madeira, o pássaro como um objecto de investigação, a montanha como alguma coisa para se explorar ou conquistar.

Quando se apreende a Natureza, deve-se permitir que hajam momentos sem pensamento, sem a intervenção da mente. Ao aproximarmo-nos da Natureza desta maneira, ela responde-nos e, assim, participamos na evolução da consciência humana e planetária.

Repare no quanto uma flor está presente, no quanto está entregue à vida.

Aquela planta que tem lá em casa - alguma vez olhou verdadeiramente para ela? Alguma vez deixou que esse ser familiar, porém misterioso, a que chamamos planta, lhe ensinasse os segredos que encerra? Já reparou na profunda paz que ela possui? Na amosfera de tranquilidade que a rodeia? Quando se aperceber da serenidade e da paz que uma planta irradia, ela começará a ensinar-lhe alguma coisa.

Observe um animal, uma flor ou uma árvore e veja como eles estão assentes no Ser. São eles próprios. Têm uma dignidade, inocência e santidade enormes. Todavia, para perceber isso, precisará de ultrapassar o hábito de atribuir nomes e rótulos às coisas. A partir do momento em que olhar para além dos rótulos mentais, sentirá aquela inefável dimensão da Natureza que não pode ser entendida pelo pensamento ou apreendida através dos sentidos. Trata-se duma harmonia, dum carácter sagrado que impregna não apenas a totalidade da Natureza, mas que se encontra também dentro de si.

"Eckhart Tolle, in 'A Voz da Serenidade'
Alemanha n. 16 Fev 1948
Escritor espiritual / Conferencista

Loumari disse...

Conselhos para o Ensino

Vou falar de questões que, independentemente do espaço e do tempo, sempre estiveram e sempre estarão relacionadas com a educação. Nesta tentativa não posso dizer que sou uma autoridade, particularmente tão inteligente e bem-intencionado como os homens que ao longo do tempo trataram dos problemas da educação e que certamente exprimiram repetidas vezes os seus pontos de vista acerca destas matérias. Com que base posso eu, um leigo no âmbito da pedagogia, arranjar coragem para exprimir opiniões sem qualquer fundamento, excepto a minha experiência pessoal e a minha convicção pessoal? Quando se trata de uma matéria científica, é fácil uma pessoa sentir-se tentada a ficar calada com base nestas considerações.
Contudo, tratando-se de assuntos respeitantes ao ser humano, é diferente. Neste caso, o conhecimento apenas da verdade não é suficiente; pelo contrário, este conhecimento deve ser continuamente renovado à custa de um esforço contínuo, sob pena de se perder. Lembra uma estátua de mármore no deserto que está continuamente em perigo de ser enterrada pela areia em movimento. As mãos de serviço têm de estar continuamente a trabalhar para que o mármore continue indefinidamente a brilhar ao sol. A este grupo de mãos também pertencem as minhas.
A escola sempre foi o mais importante meio de transferência da riqueza da tradição de uma geração para a seguinte. Hoje isto aplica-se ainda mais do que antigamente, porque, através do desenvolvimento moderno da vida económica, o papel da família como entidade portadora da tradição e da educação tem enfraquecido. A continuidade e a saúde da sociedade humana estão, portanto, ainda mais dependentes da escola do que anteriormente.
A influência educacional que é exercida sobre o aluno pela realização de um certo trabalho pode ser muito diferente, dependendo de o sentimento subjacente a este trabalho ser dor, paixão egoísta ou desejo de prazer e satisfação. E ninguém pode afirmar que a administração da escola e a atitude dos professores não têm influência no modo como moldam as bases psicológicas dos alunos.

Continua

Loumari disse...

Quanto a mim, a pior coisa parece ser uma escola que trabalhe principalmente com métodos baseados no medo, na força e na autoridade artificial. Esse tratamento destrói os bons sentimentos, a sinceridade e a autoconfiança do aluno. Produz o sujeito submisso.
O segundo motivo referido, a ambição, ou, em termos mais suaves, o desejo de reconhecimento e consideração, está firmemente associado à natureza humana. Na ausência de estímulo mental deste tipo, a cooperação humana seria completamente impossível; o desejo de aprovação por um colega é certamente uma das forças de coesão mais poderosas da sociedade. Neste complexo de sentimentos, as forças construtivas e destrutivas estão muito próximas. O desejo de aprovação e reconhecimento é um motivo saudável, mas o desejo de ser reconhecido como melhor, mais forte ou mais inteligente do que outra pessoa ou mais estudioso conduz facilmente a um estado psicológico excessivamente egoísta, que pode tornar-se prejudicial para o indivíduo e para a comunidade. Consequentemente, a escola e o professor devem abster-se de utilizarem o método fácil de incentivar a ambição individual por forma a levarem os seus alunos a trabalhar. Devemos abster-nos de incentivar nos jovens a luta pelo sucesso na forma usual como o principal objectivo de vida. O motivo mais importante para trabalhar na escola e na vida é o prazer no trabalho, o prazer nos seus resultados e o reconhecimento do valor do resultado para a comunidade. O importante é desenvolver a inclinação para a brincadeira própria das crianças e o desejo de reconhecimento também próprio das crianças e guiar a criança ao longo dos aspectos importantes para a sociedade. Tal escola exige que o professor seja uma espécie de artista na sua própria área.
Ainda não disse nada até agora sobre a escolha dos assuntos a ensinar nem sobre o método de ensino. Deve predominar o ensino das línguas ou a educação técnica em ciência?
A isto respondo: na minha opinião, tudo isso é de importância secundária. Se um jovem desenvolver os músculos e a preparação física fazendo ginástica e caminhando, estará mais tarde preparado para qualquer trabalho físico. Isto é igualmente verdade no caso do treino da mente e do exercício das habilidades mentais e manuais. Assim, o dito não está muito errado quando define a educação da seguinte forma: «Educação é o que fica quando esquecemos tudo o que aprendemos na escola!»

"Albert Einstein, in 'Discurso (1936)'
Alemanha 14 Mar 1879 // 18 Abr 1955
Físico, Teoria da Relatividade

Loumari disse...

Ensinar é difícil. Exige virtudes que poucos seres humanos têm: paciência, humildade, curiosidade científica, sensibilidade pedagógica e didáctica, gosto em dar a saber a quem sabe menos, gosto pelo contacto humano com os estudantes. Acresce que não há métodos automáticos que garantam a excelência do ensino, tal como não há métodos automáticos que garantam a excelência da investigação. Exige-se perspicácia, maturidade, inteligência, criatividade, vistas largas.
(Desedério Murcho)

Loumari disse...

As pedagogias que desvalorizam a função da memória, ou se batem contra o «ensino memorialista», são as responsáveis pela incultura dominante e pela perda do sentido de tempo e de História, sem a qual ninguém se acha e os portugueses muito menos.
(João Bénard da Costa)

Loumari disse...

A ilusão que se dá aos alunos com esconder-lhes na escola as suas insuficiências na aquisição de conhecimentos e de competências, distorcendo as avaliações e evitando as comparações que a justiça impunha, são mais tarde irrecuperáveis; a piedade ideológica provisória na escola gera o efeito perverso de uma impiedosa alienação definitiva depois da escola.
(Mário Pinto)


Há uma disciplina que faz hoje a maior falta: é a Cultura Geral.
(Diogo Freitas do Amaral)