sábado, 26 de dezembro de 2015

Flores


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

1. “Flores das flores do Mal” tradução de Guilherme de Almeida, de versos de Charles Baudelaire. A dedicatória do tradutor à lingua portuguesa é uma das coisas mais lindas que já li. ISBN 978-85-7326-444-9 .Vejam:

“À minha senhora e escrava, senhora que amo e escrava que castigo, à doce e rude Língua Portuguesa dedico estas doentias flores alheias que tentei fazer suas"...

Flórez, Juan Diego ; tenor peruano espetacular.https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=juan+diego+fl%C3%B3rez

Flores: bairro de Buenos Aires (Capital Federal) Argentina.

Fiori Chiari (Via) rua de Milano (Milão) Itália.

Fiori Oscuri (Via) rua de Milano (Milão) Itália.

Flor Eglantina, símbolo da Academia Paulista de Letras. http://www.academiapaulistadeletras.org.br/eglantina.html

Flor de Oro Trujillo , filha do ditador Rafael Trujillo da República Dominicana.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

5 comentários:

Loumari disse...

Vida de Escritor

É fácil reconhecer em mim a concentração de todas as minhas forças sobre a escrita. Quando se tornou claro no meu organismo que escrever era a direcção mais produtiva que podia tomar o meu ser, tudo correu para esse lado e deixou-me vazio de todas as capacidades que se dirigiam para as alegrias do sexo, da comida, da bebida, da reflexão filosófica e, acima de tudo, da música. Eu atrofiava em todas estas direcções. Isto era necessário porque a totalidade das minhas forças é tão leve que só colectivamente é que elas podiam semi-servir a finalidade da minha escrita. É claro que não encontrei esta finalidade independentemente ou conscientemente, ela encontrou-se a si própria e só o escritório interfere com ela, e interfere completamente. De qualquer modo, eu não me devia queixar pelo facto de não conseguir ter uma namorada, de perceber exactamente tanto de amor como de música e de ter de me resignar nos esforços mais superficiais de que posso lançar mão, de na noite de fim de ano ter jantado escorcioneira e espinafres com um quarto de Ceres e de no domingo não ter podido participar na leitura que Max fez dos seus trabalhos filosóficos; a compensação de tudo isto é clara como o dia. O meu desenvolvimento está agora completo, e, tanto quanto me é dado ver, não há nada para sacrificar; só tenho de lançar para fora deste âmbito o meu trabalho no escritório para começar a minha vida verdadeira, na qual, com o progresso do meu trabalho, a minha cara poderá finalmente envelhecer de uma maneira natural.

"Franz Kafka, in 'Diário (03 Jan 1912)'
Austria 3 Jul 1883 // 3 Jun 1924
Escritor

Loumari disse...

Ter Razão é uma Questão de Explicações

Havia que ser um fanático para querer ter sempre razão. Ter razão era sobretudo uma questão de explicações. O homem intelectual tornara-se uma criatura explicativa. Toda a gente explicava, os pais aos filhos, os maridos às mulheres, os conferencistas ao seu público, os especialistas aos leigos, os colegas aos colegas, os médicos aos pacientes, o homem à sua alma. A génese disto, a causa daquilo, as origens dos acontecimentos, a história, a estrutura, as razões pelas quais. Na maior parte dos casos, a explicação entrava por um ouvido e saía pelo outro. A alma desejava o que desejava. Tinha o seu próprio saber natural. A infeliz poisava, pobre avezinha, sobre superstruturas de explicação, sem saber para onde levantar voo.

(...) Era um afã holandês, pensou Sammler, sempre a dar à bomba para manter enxutos alguns hectares de terra. O mar invasor era uma metáfora da multiplicação dos factos e das sensações; quanto à terra, era uma terra de ideias.

Saul Bellow, in 'O Planeta do Sr. Sammler'
Estados Unidos 10 Jun 1915 // 5 Abr 2005
Escritor

Loumari disse...

De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres.
"Mário da Silva Brito"
Brasil 1916

Loumari disse...

A Música

A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrivel me exaspera!

"Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
França 9 Abr 1821 // 31 Ago 1867
Poeta/Escritor/Crítico
(Tradução de Delfim Guimarães)

Anônimo disse...

Prezado Sr. Carlos Maurício.
Para mim, que não sou muito chegado a esse negócio de flores, está me parecendo que, em vez de lhe servirem um chazinho de flor de lótus, lhe deram para beber um chazinho de cogumelo, daqueles que dão "barato", antes de escrever este post. Hehehe!
Agradeço por suas saborosas e ácidas crônicas, rimadas ou não, e espero continuar a lê-lo neste blog em 2016.
Paulão.