sábado, 12 de dezembro de 2015

Jogo Livre


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maynard Marques de Santa Rosa

A crise moral que flagela o país não se cinge ao “mensalão” e ao “petrolão”, tão exuberantemente prolíficos aos comentários da mídia. A corrupção parece institucionalizada nas instâncias superiores da República. A própria presidente enfrenta processo de “impeachment” no Congresso, acusada de descaminho das contas públicas, para proveito político próprio e do seu partido. Os presidentes da Câmara e do Senado são investigados pelo envolvimento na operação Lava-Jato. E há suspeitas até no Supremo Tribunal Federal.

A sociedade mergulhou em um turbilhão sem fim, que enseja fatos novos a todo o instante. A degradação pode ser mensurada por indicadores estatísticos. O índice nacional de 60 mil homicídios do anuário do Ministério da Justiça supera o número de baixas em combate da guerra da Síria. 
Como se não bastasse a violência de cada dia, merecedora de toda sorte de precaução, surge, agora, o projeto de legalização do jogo no Brasil. A proposta tramita no Congresso com velocidade espantosa. Nesta semana, já foi aprovada por uma comissão especial do Senado e deve ser votada antes do final do ano.  

Patrocinado por lobistas de grandes grupos internacionais, o projeto surfa em um momento de grave crise fiscal, tendo como argumentos o aumento da arrecadação, a criação de empregos e o incremento do turismo. Porém, omite as inevitáveis conexões com o crime organizado, que financia campanhas políticas milionárias.

No Brasil atual, há uma cultura de leniência e uma legislação permissiva que produzem impunidade e dificultam a repressão policial. Liberado o jogo, abre-se uma porta para o ingresso no país de organizações criminosas como o cartel de Sinaloa, cuja crueldade rivaliza com o Estado Islâmico, e outras máfias internacionais que já operam no México e na Argentina.

A rapidez legislativa da proposição não deixa espaço para o amadurecimento da questão. Em nenhum momento, os parlamentares se lembraram do alerta de Gustavo Sierra, em seu livro Sinaloa-Medellin-Rosário, sobre o perigo das máfias de Pilar e Sinaloa. 

É sintomática a coincidência do projeto com as discussões do “impeachment” e o processo do deputado Eduardo Cunha no Conselho de Ética.

Na verdade, há muito mais políticos e siglas que, também, merecem ser inseridos no jargão: “Fora Dilma – fora PT!”. 


Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército, na reserva.

5 comentários:

Anônimo disse...

Quais instituições então confiar nobre General, se o BRASIL está nessa situação? A quem recorrer para salvar nosso BRASIL? Com a palavra os brasileiros que fizeram juramento de defendê-lo até com a própria vida.
O BRASIL espera que cada um cumpra seu dever, todos sabem disso.

jorge vanderley pedroso da silva disse...

General me desculpa. O Senhor quando estava na ativa nada fez pra tentar mudar algo.

Anônimo disse...

A legalização do jogo no Brasil interessa aos que lavam dinheiro ilícito de roubos, corrupção, violência, tráfego de drogas, prostituição. Os malefícios superam em muito os poucos benefícios que podem trazer (emprego de algumas pessoas, aumento de arrecadação do governo). Além do mais o vício nos jogos leva muitas pessoas e suas famílias para a miséria. Se já está ruim sem os jogos legalizados, imagine como será o Brasil com a máfia instalada em todos os rincões do Brasil?

joao pedro bloch disse...

Joga quem quiser. Se droga quem quiser. Rouba e corrupta quem quiser.
É da democracia. Se for pego, punição! Também é da democracia.
O que tem q ser avaliado, são as penas para quem é pego na ilegalidade.

Anônimo disse...

Sr. General.
Com todo o respeito que tenho pelo Sr. e por todos aqueles que nos salvaram no passado: o Sr. confia ou acredita, sinceramente, que os atuais comandantes das FFAA voltarão a nos livrar desses psicopatas vermelhos ou poderemos confiar somente nas mãos de DEUS?
Por favor, responda-nos, nestes comentários.