quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Lava Jato x Lava Mãos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

A responsabilidade pelo cometimento de ilícitos e a macrocriminalidade são fruto da omissão das autoridades e refletem a quase nenhuma representatividade da cidadania. Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, a maior balela da Lei Maior.

Concentremo-nos exemplo das eleições Espanholas. Depois de passar por uma das mais séria crise do Euro, o País foi às urnas e os dois tradicionais partidos foram surpreendidos com aqueles outros da cidadania e podemos que soaram o grito das ruas e elegeram seus candidatos ocupando várias cadeiras.

Enquanto isso no Brasil, em ritmo de final de ano e total sonolência, temos a comemorar o brilhantismo da operação da lava jato conduzida por mãos firmes e seguras, extremamente competentes, com o respaldo da força tarefa.

Mudou-se o paradigma da prisão e do instituto da colaboração premiada, isso porque não temos uma polícia judiciária financeira, essencial, para apurar desvios, desmandos, e apontar as deliquencias com a recuperação dos ativos. Foram muitas prisões que deram a oportunidade das delações e respingaram, sem cessar, na classe política. Hoje a representatividade está morta e ninguém sabe o que acontecerá em 2016 tamanho descrédito e desconfiança da população.

Nada obstante, o Brasil mergulhou na pior crise da sua história com inflação galopante e desemprego acentuado, afora o desaparecimento do capital estrangeiro e total insucesso do mercado de capitais. Se de um lado a lava jato lava a nossa alma de alegrias e esperanças e mostra que, como disse o Ministro do STJ Jorge Mussi, a sangria precisa ser estancada, doutro temos uma omissão a intitulada operação lavas mãos.

E não são poucos que se vestem de Pilatos para não fazerem absolutamente nada e deixar o quanto pior melhor. No deprimente espetáculo do futebol, minado de corrupção, de empresas comprando contratos, de licitações fraudulentas, e o cenário revelado é um ponto fora da curva, de reflexão e imposição de um Brasil melhor. Ao mesmo tempo
o governo procura, via medida provisória, viabilizar acordos de leniencia,em série,e impedir que as empresas parem de prestar serviços aos conglomerados do País.

Muitos se omitem, se acovardam, não se animam a dar um passo em prol da causa coletiva, do bem estar de gerações, receiam, temem, não enfrentam e com isso o Brasil vira lama pior do que a de Mariana, outra grave situação de lavas mãos, na qual as autoridades pecaram gravemente, como aconteceu anos atrás em Santa Maria, na famigerada
boate Kiss, com 250 mortos, numa pirotecnia inimaginável.

Eis o retrato do País, nenhuma fiscalização, total distanciamento do poder público e quase sem risco o capitalismo de oportunidade, clientelista e fisiológico, o qual somente vê brechas e espaços para aumentar seus lucros e as garras do monopólio ou duopólio. Fundamental a reconstrução do Brasil, com o nascimento da cidadania como aconteceu na Espanha, o povo iludido e desiludido plantou a semente da esperança e se agrupou indo às urnas e pondo fim ao bipartidarismo.

No Brasil o término do bicameralismo é inadiável já que temos que fazer as reformas, diminuir o número de deputados para 250 e de senadores para 50, total 300 parlamentares, e integrá-los, redução do numero de estados para 15, e de municipios para 3000 no máximo, o que geraria uma economia anual superior a 100 bilhões de reais aos cofres públicos.

O Brasil não cabe no modelo federativo, em desuso, que estrangula o contribuinte e mata ao desenvolvimento. O pendulo que temos entre lava jato e lavas mãos é bem o reflexo do que existe de mais concreto e transparente no País, de um lado poucos se ocupando e preocupando em passar a limpo a Nação, mas a maioria acomodada, desconectada e divorciada das lutas e conquistas.

E se disserem que nada adianta veja o modelo ARgentino que venceu a resistência de caudilhos e agora soma forças para uma nova América do Sul. Sim, podemos é a expressão do novo partido Espanho que venceu cadeiras no parlamento e demonstrou que a força quando unida e buscando idêntico ideal jamais será vencida.

Temos que acabar com o comodismo, o estado de berço esplendido, partir para as verdadeiras revoluções de idéias e pensamentos a fim de transformar o calamitoso estado de coisas. Não teremos respaldo futuro se somente formos incursionar pela lava jato e esperar conquistas pelas mãos dos políticos, eles não nos representam, nada farão e somente se dispõem a aumentar suas forças,seus poderes e manipular a consciência popular.

Afinal de contas os grandes partidos que deram maus exemplos deveriam ser, definitivamente, banidos do cenário político e darem espaço aos novos líderes que superassem as limitações e tabus de uma democracia doente e
internada na UTI, por falta de juventude, de novos horizontes e grandes conquistas.

E que no final do ano de 2015 tenhamos todos muito claro o pensamento da força da mobilização a sociedade civil e sua transformação, nada virá de graça, se não formos correr atrás e vejam que o prejuízo social já está escancarado. Somente as empresas perderam durante o ano de 2015 a soma de 150 bilhões na bolsa de valores do País, aliás a pior do mundo e por causa da falta de transparência, fiscalização e regras conforme os mercados internacionais, novo mercado significa boa fé e não promiscuidade e arranjos de negócios entre amigos.

O Brasil somente alcançara o tamanho de sua extensão territorial se a população sem pão e circo acordar desse pesadelo e começar a sonhar, definitivamente em novas perspectivas em 2016.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

5 comentários:

Loumari disse...

Miniconto em ‘brasilês’: O ARGENTINO, O BRASILEIRO E O PORTUGUÊS!
Era uma vez, um argentino, um brasileiro e um português que sobrevivem a um naufrágio. Chegam a uma ilha guarani perdida no rio Paraguai. Lá o velho Pajé vai avisando: - 'Pra vivê nesta aldeia, ucês tem de prová braveza de óme-macho. Pra isso vai tê qui escolhê uma fruta, das três acá, de que ucês mais gosta. Guárda pra hora de comê e fica no aguardo.' O Pajé deu para escolher uma manga, um abacaxi, e um fruto de caju (pêro). (Mas não explicou totalmente a prova). - O argentino correndo pega logo no abacaxi por ser grande e saciar melhor a fome. - O brasileiro também correndo atrás pega na manga, maior do que o caju. - Ao português, ‘úrtimo,’ só lhe restou o caju (sem a castanha). Não precisou correr. Devagar chegou à fruta. Chega a hora da fome e eles terão de comer as frutas diante de toda a aldeia. Mas…tem uma condição da qual não sabiam antes: - 'Terão de comer as fruta escolhida com casca, e direto. Quem engasgá, tossí ou gritá – MORRE:' - Diz o Pajé... ‘o mais bravo fica vivo para dá bons filhote com nossas cunhã (ameríndias) e aumentar a população guarani.' - O argentino gritou... ao lhe meterem o abacaxi na boca com pico e tudo. Tentou suportar mas não aguentou. - O brasileiro… de tanto rir da aflição do rival argentino não precisou comer a manga com casca. Desviou a atenção e se esqueceram dele. - O português comeu o caju e tossiu do suco ácido demais, e dissimulou – como sempre nega tudo, quando não aguenta situações incómodas. No final quem vocês julgam que se deu bem?

- O argentino porque mostrou bravura, mesmo gritando…
- O brasileiro arteiro, porque evitou comer a manga com casca… (sempre dando show de bola). - Ou o português que dissimulou a tosse, e comeu a fruta do caju como se não fosse ele?

Respostas: - O brasileiro se ferrou… de tanto rir da aflição do vizinho argentino. O brasileiro nem teve tempo de dizer amém ou de comer mais a manga com casca. Por isso foi dado a escolher: - ir pró inferno ou ir para Cuiabá dos bororo, em Mato Grosso e no verão, de terno completo, camisa gola fechada, e gravata. Temperatura por lá chega aos 43 graus, sem contar com o mosquito habitual. Mas o brasileiro, como bom paulista acostumado ao trânsito infernal na cidade de São Paulo, preferiu ir pró inferno mesmo, pois lá está quente mas anda-se peladão sem roupa, e é farra todo dia com as gostosas excomungadas da terra, pra levantar o astral e o resto.

Por outro lado, - o português e o argentino tiveram um empate técnico. O português vinha de Santa Catarina terra cheia de descendente de açoriano. Ficou com a "barriga verde" de tanto suco de caju fermentado bebido. Esse português pela dissimulação ficou na aldeia a fazer filhotes com a mulherada. Se falhasse nas tarefas sexuais seria castrado.

- O argentino teve a boca machucada por causa do abacaxi não descascado – foi perdoado. Regressando a seu país (Argentina) fundou o Boca Juniors, clube de futebol.

Moral da estória: nem sempre o brasileiro leva vantagem em tudo e sai ganhando… mas sempre dá um jeito e se vira mesmo na marra. É bom contorcionista!

Miniconto original de Mphumo Johnny Kraveiri- nya© escriba de acá, aos 07.04.2014 do ano de nossa sen- hora dos aflitos. MJK.

Anônimo disse...

Serrão, o brilhante articulista, Dr. Carlos Henrique Abrão, escreveu: "...e com isso o Brasil vira lama pior do que a de Mariana, outra grave situação de lavas mãos, na qual as autoridades pecaram gravemente,...", e eu, humildemente, acrescento uma tragédia anunciada, que ninguém comenta: "Dr. Carlos Henrique, não esqueça de (também) citar o perigo que se avizinha nas lagoas rejeitos da exploração de ouro, no mesmo Estado de Minas Gerais, por uma empresa canadense. Se alguma romper, será um novo caos... e ninguém, mais uma vez, fará nada."

deia67 disse...

Elogiando o Podemos da Espanha? E o fim do bi-partidarismo? É o mesmo que comemorar o PSOL no poder.
COnvenhaamos. Esta foi demais.
Não que eu confie em qualquer destes partidos, todos agindo em conluio, numa estratégia das tesouras fenomenal, onde o que se diz mais direitista, o DEM é filiado a Internacional Democrata Centrista, uma associação de partidos políticos democratas-cristãos e cristãos socialistas.
Mas elogiar o PODEMOS amiguinho do Tsipras , na Grécia?
Por favor, esta eu poderia ter sido poupada de encontrar.
Boas festas a todos,

Andrea Hilbk

Anônimo disse...

O partido Espanhol, Podemos, dirigido por Pablo Iglesias, é social comunista, ligado à Hugo Chavez e com origem e formação em Havana com os Castros. Não é um modelo saúdavel para nenhuma nação que almeja a ordem, o progresso e o enriqueciento de seus cidadãos.

Loumari disse...

O partido de Pablo Iglésias, "Podemos" é exactamente o PT do Brasil. O moço está a reproduzir paço a paço o percurso de Lula. Suave paladar, doces discursos, o herói e defensor dos pobres, e vai assim aos poucos ganhando notoriedade. Do mesmo que fez Lula no Brasil. Até o dia que este vai se revelar na sua verdadeira face já estão todos presos a BESTA e submissos a sua autoridade.
Aquele Franco, o tirano, volta com a outra face. A besta falando com voz de carneiro, mas interiormente é a serpente antiga que virá a devorar o povo imbecil e ignorante.
Como podeis ser assim tão cegos?