sábado, 26 de dezembro de 2015

Preferências Nacionais


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Nelson Motta

O futebol, a música e a política sempre andam juntos no Brasil. Como preferências da nacionalidade e da identidade cultural, se integram e se complementam para expressar o momento do país.

A conquista da Copa de 1958 não só nos livrou do complexo de vira-latas rodrigueano como deu solidez política ao otimismo visionário de JK, enquanto o samba-canção melancólico dava lugar à bossa nova leve, elegante e moderna.

Nos anos Collor, uma das piores seleções de todos os tempos foi eliminada nas oitavas justamente pela Argentina, vivíamos o confisco do Plano Collor, a inflação explodindo e o domínio absoluto do sertanejo mais vulgar. Deu no que deu.

Em 1970, a melhor seleção de todos os tempos foi tricampeã no México, o governo Médici era campeão de repressão e tirania, mas a economia bombava, e a MPB de Chico, Gil e Caetano vivia momentos de glória e fazia história.

A seleção de 1982, de Zico, Sócrates e Falcão, uma das melhores de todos os tempos, representou a vibração da campanha das Diretas Já e os estertores da ditadura, enquanto o rock explodia no Brasil com Lulu Santos, Lobão, Blitz e Paralamas. Assim como a campanha das Diretas, a seleção empolgou e fez bonito, mas acabou derrotada.

A vitória em 2002, com o espetacular time de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, celebrava a passagem de Fernando Henrique para Lula em paz e democracia, movida a esperança de novas conquistas, com o samba vivendo grande momento e nossos ritmos se misturando à eletrônica e ganhando o mundo.

O 7 x 1 na “Copa das Copas" já prenunciava um ano turbulento para o governo Dilma, com o ambiente político degradado por uma campanha selvagem e um estelionato eleitoral que derrubou a popularidade e a credibilidade da presidente. Enquanto o furacão da Lava-Jato devastava o mundo político, a música brasileira vivia um dos piores anos da sua história.

O que está pior hoje? O campeonato brasileiro, a CBF ou a seleção de Dunga? O governo Dilma, a Câmara de Cunha ou o Senado de Renan? O pagode romântico, o sertanejo universitário ou o funk popozudo?

Desejar um feliz ano novo pode parecer ironia, mas é sincero.


Nelson Motta é Jornalista e Crítico Musical. Originalmente publicado em O Globo em 25 de Dezembro de 2015.

Um comentário:

Loumari disse...

O que sempre indignou aos outros povos na observância ao povo brasileiro na atitude e comportamento foi a sua ARROGÂNCIA DESMEDIDA. De arrogância em arrogância, foram tornando-se vulgares. Vulgares no comportamento, na atitude, na linguagem, e aos poucos foram cultivando a indecência. E de indecência em indecência deram origem o Boçalismo. E quando caíram no boçalismo foi quando começaram com as profanações. Começaram por profanar o Sagrado católico. Uma vez isto feito a vista de todos e com o silêncio da generalidade da sociedade, foi como um consentimento, uma aprovação a estes ritos de profanações. Depois de tomarem hábito ao vandalismo, foram-se deleitando-se no destruir os fundamentais que edificaram as bases da nação e sua sociedade, foram acentuando os males dando espaço a violação de leis jurídicas e constitucionais, romperam as regras tradicionais que eram a raiz da sociedade, deram espaço a indisciplina como fonte de realização pessoal, que o êxito emana das transgressões. Promoveram as imoralidades, destruíram as bases éticas. E uma vez as bases éticas destruídas, deram espaço a VIOLÊNCIA. E hoje o país se tornou terra de GENOCÍDIO. 170 assassinados por dia no mínimo segundo os registos.
Há realmente de quê APLAUDIR A PROEZA dos brasileiros na humanidade. Comparando brasileiros com islamistas, os islamistas são aprendizes. Apenas uns amadores. Os brasileiros ao MEGA CAMPEÕES EM TUDO O QUE SE REFERE A DESTRUIÇÃO.
Colhe-se o que se semeia. E hoje o Brasil se tornou o ESCÁRNIO MUNDIAL. Este resultado o deveis a vós mesmos.
Todo mundo se ri quando ouve dos brasileiros culpar a Fidel Castro de responsável de sua mazela! Foi Fidel Castro que pariu estes ratos todos que sois vós? Um pouco de vergonha na cara, não acham?