sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Presidente que mente


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Espremida mais que pasta de dente, a Anta sente que vem tempo quente pela frente.

Eis o roteiro tragicômico de uma aloprada Presimente.

Saltar do avião de parapente, será para ela esforço ingente.

Sabe que proximamente terá que fingir-se a Deus temente.

Recebe pro Papai Noel, cartinha de um querido ente, que diz ter sido bonzinho, e quer ganhar presente.

A Anta está com medo. Manchada de piche, disfarça que é medinho, silva pro vizinho (já que solta muitos traques) assobio (que é pedido de socorro) ”Assim eu corro!”.

DoravAnta não dá mais nenhum pio sem falar com o sargento nojento que persegue o Zorro.

Ele dizia que sabia pra onde ia; agora top, top. Pior que a bancop.

A mentira tem pernas curtas. Acalma-te antes que surtas.

Azar da Presimenta, que rima com pimenta.

Nos olhos da gente, não tem refresco.

Por isso, fora desgoverno grotesco!


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Loumari disse...

Estamos Atados, Filho

Levar-vos-ei sempre comigo. Olho de frente o último raio de sol antes de o sol desaparecer. Penso: um homem é um dia, um homem é o sol durante um dia. E é preciso continuar. Avançam os meus pés sobre a terra. Filho, dormes ainda, e quis mostrar-te o sol-pôr. Quis mostrar-te a terra, ensinar-te a cor da terra por dentro, porque quem conhece a cor da terra por dentro conhece o mundo e os homens. Filho, o sol desapareceu agora e deixou uma aura vermelha de sangue à volta do cabeço onde entrou, e quis ensinar-te que amanhã estará calor. Quis ensinar-te que, se não vires as estrelas de noite, espera chuva no dia seguinte. E saberes isto é saberes tudo. São estas as poucas coisas que nos dão a saber. O resto, filho, são mistérios sem explicação. O resto são punhais apontados dentro do nevoeiro. O resto são punhais que vemos aproximarem-se do nosso peito, e estamos atados, filho.

"José Luís Peixoto, in 'Nenhum Olhar'
Portugal n. 4 Set 1974
Escritor

Loumari disse...

Criar é educar: alimentar, física, psíquica, cultural, social, espiritual e religiosamente, ajudar a vir à luz da consciência um novo ser humano único e irrepetível em relação. Há pais que investem na carreira e no dinheiro, esquecendo que a obra mais importante são os filhos.
(Anselmo Borges)


Base da educação é o afecto e o amor sem condições, para que a criança cresça segura. Sem esse amor, não haverá confiança nem em si nem nos outros nem na realidade, de tal modo que o que poderá sobrar é a violência da destruição: como amar, se não se foi amado, como entregar-se confiadamente à construção de si e do mundo, se a confiança de base não foi assegurada e a realidade apareceu, desde o início, desfavorável e agressiva?
(Anselmo Borges)


Quando os pais desconfiam dos filhos, eles habituam-se a mentir para os enganar; e isto gera um ciclo vicioso de desconfiança.
(José António Saraiva)


"De pai coxo, filho aleijado"

Loumari disse...

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educação que os pais podem dar aos seus filhos é dividir a sua história com eles. O melhor treino da emoção é falar das suas frustrações, dos seus momentos de hesitação, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos divórcios, mas o ser humano não deixa de se unir. Porquê? Porque viver em família é uma das experiências mais prazerosas da existência.

Os pais não devem ter vergonha de pedir desculpa aos seus filhos quando se zangarem ou agirem injustamente para com eles. Eu peço desculpa às minhas filhas quando falho. Porque é que não me escondo atrás do meu conhecimento e da minha autoridade? Porque desejo treiná-las de forma a tornarem-se mais humanas, a aprenderem a não ter medo de errar, a falarem dos seus sentimentos e a transformarem as suas derrotas em experiências de rida.

O melhor presente para os filhos é dar o seu tempo e a sua presença. Elogie-os muito mais do que criticá-los. Nunca critique ninguém sem antes o elogiar. Os elogios animam a alma. Precisamos de aprender a linguagem da emoção. Quem almeja ver dias felizes precisa de aprender a chorar. Quem deseja ser um sábio precisa de reconhecer a sua debilidade. Quem quer ser um mestre precisa de aprender a ser, antes de tudo, um grande aluno na escola da vida.

Augusto Cury, in 'Treinar as Emoções Para Ser Feliz '
Brasil n. 2 Out 1958
Psiquiatra/Escritor