sábado, 26 de dezembro de 2015

Surfando na contraonda


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O Brasil agora, definitivamente, precisa ensinar à cada cidadão o caminho fantástico de saber surfar, depois de dois títulos mundiais, com nosso futebol em decadência, enlameado pela corrupção dos dirigentes, as contraondas não favorecem tanto à sociedade civil.

De início como explicar que a incalculável arrecadação produza um déficit público superior a 2,5 trilhões de reais, que nossos governantes se deleitam em receitas, tributos, contribuições diretas ou indiretas, e agora tentam acelerar o processo de cobrança da dívida ativa, pelo caminho da execução fiscal, a qual deita raízes na ultrapassada Lei 6830/80.

Estamos surfando na contraonda e as chances de afogar e afundar são bem maiores. Fácil explicar o raciocínio, o estado brasileiro é perdulário, desonesto e somente mostra a sua cara às vésperas da eleição, mediante propaganda obrigatória do horário gratuito. E tanta arrecadação o que produz? Ruas esburacadas,verdadeiras crateras, faróis sem funcionar, a mínima chuva resulta máximos problemas, algo de muito errático acontece na realidade brasileira.

A terra da impunidade em 2015 aprendeu que cadeia também se presta ao colarinho branco, grandes empreiteiras, e políticos de peso. A chacoalhada dada pelo exemplar e zeloso trabalho feito em Curitiba, portanto, migrou sua qualidade e técnica para o próprio STF quando prendeu um senador e outro banqueiro, soltando o último, por não haver mais provas que atrapalharia as investigações.

Enquanto a recessão bate no fundo do poço, a cidadania grita desesperada pela perda do poder aquisitivo, fechamento de mais de 150 mil micro e pequenas empresas, e mais de uma centena de pedidos de recuperação envolvendo grandes empresas, fato inédito desde a vigência da Lei 11101/05.

Na contramão da história, nossos governantes pretendem se perpetuar no poder e ganhar mais fôlego em quaisquer momentos, ou em alianças, aluguel de legendas e demais atividades que lhes favoreçam. O mundo conturbado e turbulento do cenário nacional demonstrou em 2015 uma situação extremamente complexa, de produto interno bruto negativo e perda sucessiva do grau de investimento.

Nada de animador exceto a criação do sentimento da cidadania e abertura para que novos partidos se estruturem em detrimento da má qualidade dos políticos que não fazem a diferença. Em qualquer caminho que procuramos desbravar a realidade é negativa e a mudança dependerá da força de qualquer pessoa consciente dos problemas e de suas agruras.

Os jogos olímpicos serão realizados, as obras estão quase findas, mas os serviços públicos no RJ são calamitosos, precários e colocam em risco de morte a população. Qual a razão de serem gastos bilhões com obras públicas e os serviços básicos essenciais carentes de recursos e
situação de penúria. A arrecadação é crescente e progressiva e a recessão maior ainda, como sair dessa encruzilhada, exceto com investimento na produção, redução dos impostos e atração de capital estrangeiro?

O mundo assiste  perplexo a violência e desmandos generalizados, a Europa se fecha para os refugiados, as eleições nos EUA darão o novo rumo da história, e fundos e mais fundos internacionais fazem o black friday na bacia das almas. Em outras palavras com o dólar em alta e o euro mais
ainda, as empresas brasileiras perderam 150 bilhões de reais no mercado de capitais, uma fuga incomum em todos os cantos da globalização.

E o Brasil não pode se furtar à concorrência, competição, deve seguir o mesmo caminho da Argentina e do Chile, abandonando as premissas maquiavélicas da Venezuela e republiquetas que impingem migalhas em detrimento de melhorias. Mediocridades e miserabilidade, em suma, tudo que se observa nos últimos anos no País, e sem uma mudança dessa
matriz, continuaremos a ser dominados como uma Nação subdesenvolvida a serviço de interesses escusos de políticos pouco habilidosos e nada aptos ao sabor das transformações mundiais.

E devemos encarar de frente o ano de 2016 para cessarmos a escalada de surfar na contraonda da história, pois os resultados além de canhestros têm sido dolorosos e demonstram que é inadiável a ressuscitação da economia, do crescimento e qualidade do desenvolvimento, já que a classe política continua a teimar em querer a fazer do Brasil o quintal de uma pseudodemocracia.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Nenhum comentário: