domingo, 6 de dezembro de 2015

Vergonhosa Omissão


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

Quanto vai custar a nossa indiferença diante do sofrimento do povo venezuelano? Todas as nações civilizadas têm os olhos postos na Venezuela: há uma ditadura naquele país a transformar-se em totalitarismo. Há eleições marcadas para este 6 de dezembro e o ditador Nicolás Maduro não faz cerimônia para verbalizar sua pretensão de usar de truculência se o resultado não lhe for favorável.

Mas nem todos se omitem. Assumindo uma liderança que deveria estar sendo exercida pelo Brasil, o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, já disse que pretende, na reunião do Mercosul, invocar a "cláusula democrática" para penalizar a Venezuela que, por integrar o bloco, deve obedecer ao seu regramento. A "cláusula" foi estipulada pelo Protocolo de Ushuaia à criação do Mercosul e prevê que, em caso de ruptura democrática em um país integrante do bloco, os demais países devem se encontrar para discutir uma ação conjunta.

Não há como ocultar que já se deu a ruptura na Venezuela: Nicolás Maduro está governando por decreto; existem dezenas de presos políticos; há expressa determinação governamental de reprimir com violência as manifestações de rua; o governo de Maduro foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, por causa da ação violenta das forças policiais e das milícias bolivarianas nas manifestações de fevereiro de 2014, da qual resultaram mais de 30 mortos e 800 feridos, outros 400 torturados e 3.700 prisões ilegais; o regime persegue jornalistas e quem quer que se pronuncie contra o governo; estadistas e personalidades internacionais não têm permissão para visitar os presos; Maduro não admitiu observadores internacionais independentes nas eleições, proibindo a presença de delegações da OEA e da União Europeia, aceitando unicamente os seus cúmplices da Unasul, mas com a cautela de vetar nomes como o de Nelson Jobim (que representaria o Brasil mas não se acumpliciaria com ele). Precisa mais? Será possível negar que a ruptura é fato consumado?

Apesar disso, Dilma Rousseff avança na contramão da democracia. Em Paris, aonde foi participar da COP21, a Conferência do Clima da ONU, ela declarou: "A cláusula democrática é integrante do Mercosul, mas, para você usar, não pode ser com hipóteses, você tem de qualificar o fato". Quer dizer, para Dilma não há elementos fáticos para a punição; só existem hipóteses. E as contundentes denúncias veiculadas por autoridades internacionais são falsas. Ela não acredita!

A conivência do governo de Dilma Rousseff com a ditadura chavista é indisfarçável. Mas não é só uma atitude pessoal da presidente. Ora, um dia, Lula disse que havia excesso de democracia na Venezuela. Agora, Dilma nega os fatos como se estadistas do mundo inteiro fossem um bando de idiotas ou, versão mais provável e mais ao gosto de Rousseff, como se tudo fosse invenção da "grande mídia".

Por outro lado, seja por estreiteza do seu pedantismo, por amor a verbas públicas (bolsas, cargos, projetos, prebendas), seja por pura mediocridade, considerável parcela de nossos intelectuais finge que nada de grave está acontecendo no país vizinho. Nenhuma mostra de indignação ante a covardia do governo brasileiro. Enquanto isso, os venezuelanos estão cada vez mais pobres (a maior inflação do mundo, 200%, e uma carestia generalizada), com a economia conduzida por ignorantes; e cada vez mais oprimidos, pelo autoritarismo impiedoso desses mesmos ignorantes.

Além da indiferença ao sofrimento alheio, um expressivo número de brasileiros, gente de "boa inclinação moral", não se presta a interpretar o que há nas entrelinhas das falas do governo de Dilma Rousseff em relação àquele país. Ora, quando Dilma e sua equipe revelam sua conivência com a ditadura Venezuelana, mostra sua obediência ao nefasto Foro de São Paulo.


É forçoso, pois, concluir que o projeto de poder pelo qual se guia Dilma Rousseff é o mesmo do chavismo. Sim, o PT (um dos fundadores do Foro de São Paulo) pretende implantar no Brasil um regime que, na Venezuela, encontra-se em fase adiantada. Isso está expresso em inúmeros documentos do partido, resoluções do Foro e em falas de petistas. Mas a maioria dos brasileiros não sabe sequer da existência do tal "Foro".

Será que alguém, com um pouco de inteligência e seriedade, não imagina qual poderá ser o castigo para a indiferença das "pessoas boas"?

Links indicados:

Veja o que o diretor para as Américas do Human Rights Watch, José Miguel
Vivanco, diz a respeito em:

http://oglobo.globo.com/opiniao/quem-protegera-leopoldo-lopez-17644500


Leia artigo de Hubert Alquéres em:

http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2015/12/omissao-e cumplicidade.html"comments


Veja dois textos postados no Alerta Total em:

http://www.alertatotal.net/2015/09/um-esquerdista-acusa-covardia-na.html

http://www.alertatotal.net/2015/10/venezuela-regime-da-escassez.html

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

Anônimo disse...

O Presidente Macri, recentemente eleito para governar a Argentina se apresenta como uma "luz no tunel" para romper com os governos Bolivarianos e trazer o Mercosul para os termos que foi concebido. Mas tem mais gente para cair fora e Macri se apresenta como a esperança de novos ventos.

Hugo Rosa disse...

O que me faz bem é a tradução do que antes chamávamos de "Efeito Orloff", quando acontece algo na Argentina, depois vem a acontecer no Brasil.
A Venezuela também conseguiu nesta eleição dar "uma respirada", mesmo que o Presidente Maduro não tenha concordado que a oposição dele tenha ganho, imagino que a partir de agora ele estará um tanto enfraquecido no seu sistema ditatorial.