segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Esteves continua preso e Delcídio pode virar delator, porém nada muda na estrutura criminosa no Brasil


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A crise é estrutural. Enquanto o modelo estatal brasileiro não mudar, implantando mecanismos eficazes e transparentes de controle do cidadão sobre as engrenagens da máquina pública, as organizações criminosas continuarão mandando e desmandando no Brasil. Não adianta fazer prisões espetaculares de empresários e alguns políticos, se não for alterado o sistema de representação e o funcionamento político do Estado. A corrupção sistêmica vai perdurar, porque é camaleônica: adapta-se à excessiva burocracia cartorial, ao exagero legal e ao absurdo esquema tributário (92 impostos, taxas, contribuições, fora as milhares de instruções normativas, medidas provisórias e invindáveis portarias ministeriais).

A Lava Jato está expondo as entranhas do Capimunismo tupiniquim. Deveria ser chocante saber que um banco "investiu" R$ 42,5 milhões em doações a candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal na eleição de 2014. Foi o caso do conglomerado financeiro do André Esteves, que foi obrigado ontem a renunciar à presidência do BTG Pactual porque teve a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Entre os 15 partidos beneficiados pela instituição financeira, repleta de negócios com o Estado, o PT levou (cabalísticos) R$ 13 milhões. O generoso banco doou R$ 619,8 mil à campanha de Delcídio Amaral (PT) ao governo de Mato Grosso do Sul.

Reportagem dominical de O Globo, com base na ferramenta "Mosaico Eleitoral", analisada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV), revelou que o  BTG Pactual foi responsável por um quinto de todas as doações de entidades financeiras a candidatos eleitos e não eleitos no ano passado. A maior doação da turma do Esteves foi à campanha da presidente Dilma Rousseff: R$ 9,5 milhões. Aécio Neves (PSDB), por sua vez, recebeu R$ 5,2 milhões.

Em 2014, o Banco BTG Pactual doou R$ 29,3 milhões para candidatos a governos, Câmara, Senado e Presidência. Já o BTG Pactual Asset Management S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários , R$ 4,1 milhões; o BTG Pactual comercializadora de energia, R$ 2 milhões; o BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., R$ 4 milhões; o BTG Gestora de Recursos, R$ 2,1 milhões; e o BTG Pactual Serviços Financeiros S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, R$ 1 milhão. Se resta um consolo, o BTG Pactual só não doou mais que o Bradesco, que repassou R$ 72,5 milhões aos partidos.  

Uma ajuda chama atenção. O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) levou R$ 500 mil em doações. A Força Tarefa da Lava Jato investiga um documento apreendido pela Polícia Federal na casa do chefe de gabinete do senador Delcídio, Diogo Ferreira. O material tem anotações sobre uma suposta transação entre o BTG Pactual e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mencionando um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. No verso, consta um texto sobre suposta compra de emenda numa medida provisória que favoreceria o BTG. A anotação informa que, em troca, Cunha teria recebido R$ 45 milhões, dinheiro que também se destinaria a outros parlamentares do PMDB.

O fenômeno tem uma explicação. Na contramão do que acontece nas modernas sociedades e do dinamismo econômico do século 21, a zelite política e econômica brasileira tenta, por todos os meios, manter o Brasil preso ao nosso secular atraso medieval. Uma oligarquia atrasada e irracional, de mentalidade rentista improdutiva, sempre pronta a explorar o Estado.

Estas mesmas zelites oligárquicas adaptam-se a novos cenários e novos fatos de forma a se perpetuarem no poder e proteger este modelo feudal que sustenta seus privilégios políticos e econômicos. Através de passe de mágica midiática, criam novos atores que encenam e interpretam scripts hipócritas e sórdidos para a sociedade, eleitores e contribuintes brasileiros. O enredo central da farsa é fazer com que acreditemos que eles estão se destacando justamente para promoverem as mudanças que o Brasil tanto precisa.

Assim, do nada, surgem jovens banqueiros em torno do qual se constroem fachadas de capitalistas e empreendedores modernos. Surgem também empresários que gastam bastante com publicidade para divulgar que suas empresas são honestas, modernas, competitivas e que praticam ações sociais. Uns, grandes financiadores de campanhas, até sonham em passar para o outro lado do balcão de negócios, tornando-se políticos profissionais.

Quanto aos jovens banqueiros, aos poucos descobre-se que de novo mesmo eles não têm nada. São apenas novos operadores de velhos esquemas onde o Poder Público apadrinha operações que lesam o erário público, a Pátria e zombam da Justiça e de toda a nação brasileira. Esses novos e jovens banqueiros que, aliados aos velhos e tradicionais bancos e banqueiros, são apenas instrumentos para complexas e obscuras operações financeiras que transferem fortunas, de forma ilícita, aos velhos e novos coronéis da zelite oligárquica brasileira - acostumados a sempre fazerem uso de dinheiro do erário público brasileiro.

As empreiteiras, quase sempre as mesmas, são as operadoras mais visíveis deste sistema mafioso. Para evitarem conflitos, começaram a se organizar em “consórcios”, de forma a dividir o resultado financeiro entre os vários grupos instalados no poder da máquina pública. Formaram-se grandes cartéis ocultos que pagam "pedágios" e "mensalões" aos diversos cartórios ou "gestapos" que têm o dever legal de fiscalizar os negócios entre o setor público e o privado. Na prática, isto não acontece e a roubalheira prevalece.

Se as instituições incumbidas de fiscalizar e zelar pelo bom uso do dinheiro público funcionassem minimamente, talvez o nível de corrupção no poder público brasileiro fosse muito menor. Vejamos o papel dos Tribunais de Contas – o da União e o dos Estados. Recentemente, pressionado pelos poderosos do Congresso Nacional, o TCU decidiu aplicar o rigor das leis em relação ao governo Dilma. A presidenta tomou no TCU. Mas ainda continua no poder, porque o órgão, chamado de tribunal, não é do Judiciário, mas sim um auxiliar do poder legislativo - aquele mesmo eleito com as "doações" dos empresários que lucram com relações incestuosas com o Estado Capimunista.

Ao mesmo tempo, chegam à imprensa fatos concretos sobre tráfico de influência da família do Presidente do TCU. O escritório do filho dele atuou (advogou) em centenas de casos no "tribunal". Parece que esta prática é generalizada lá pelas bandas do TCU. Familiares e profissionais íntimos dos conselheiros de contas são os mais procurados para defenderem as bandalheiras de uma oligarquia corrupta, atrasada e irresponsável. Estranho é que, mesmo com as contas aprovadas pelo TCU, vemos empreiteiras, prefeitos e políticos serem acusados criminalmente pelo Ministério Público. Pelos mesmos contratos já aprovados pelos respectivos Tribunais de Contas.

Não parece absurdo que os Conselheiros do TCU (e de tantos outros órgãos fiscalizadores) não sejam também responsabilizados pelos mesmos crimes? Pois os advogados que defendem os corruptos usam nos tribunais a chancela obtida ou fornecida pelos próprios Tribunais de Contas. Estas informações aparecem constantemente nos noticiários. No entanto, as notícias ruins parecem não sensibilizar quem pode provocar as mudanças. O cinismo prevalece sobre o civismo.

Afinal, para que serve a aprovação das contas senão para verificar se tudo ocorreu dentro da lei? Enquanto o próprio TCU não responder criminalmente junto com as quadrilhas que eles aprovam as contas, nada vai mudar. A já tão divulgada existência deste tráfico de influência no TCU, amplamente denunciado pela imprensa, parece vir de longa data. De décadas. Então pode-se concluir que aqueles que terão que aprovar suas contas no TCU ou jogam por essas regras espúrias – pagando por um jogo de cartas marcadas – ou terão problemas no julgamento de suas contas. Um verdadeiro incentivo para que a corrupção se perpetue.

Quando o órgão encarregado de chancelar ou não a lisura da administração do dinheiro público se transforma em um corredor polonês onde os administradores públicos honestos e sérios serão injustiçados ou esmagados por uma Gestapo contábil, fica impossível acreditar que vamos erradicar a corrupção sem atacar suas causas reais. Para piorar a coisa, o que se vê no TCU é reproduzido fielmente nos TCE’s.

Isso poderia mudar. Basta uma medida simples. Quando algum contrato público que tenha sido aprovado pelo TCU ou TCE culminasse com um Processo Criminal ajuizado pelo Ministério Público, deveriam ser incluídos no mesmo processo os técnicos do TCU ou TCE que analisaram e aprovaram aqueles contratos. Solidariamente, também deveriam responder os próprios Conselheiros que julgaram e aprovaram os mesmos.

Senão, o que continuaremos tendo é um círculo vicioso do crime, onde os administradores honestos serão sempre punidos pois não terão dinheiro para jogar o jogo de influência que está posto nos Tribunais de Contas. Os Conselheiros dos Tribunais de Contas até agora vivem impunes. Eles e outros "fiscais" que participam, por ação ou omissão, do sistema de “vendas” de salvo conduto para aqueles que contratam os “advogados e escritórios certos” para resolver qualquer problema com o poder público.

Os fatos estão aí para quem quiser ver. Basta querer. O Ministério Público e o Judiciário não têm o direito de se fingirem de cegos em meio a um tiroteio de roubalheiras que exterminam o Brasil como Nação. Não basta combater a corrupção. É preciso mudar a superestrutura estatal que lhe serve de base. No andar da carruagem, tudo indica que só uma ruptura institucional será capaz de provocar a mudança. Por enquanto, quem tem poder de promover a mudança permanece em uma estranha e incômoda "zona de conforto"...

O desafio maior e urgentíssimo do Brasil é romper com a superestrutura do governo do crime organizado, implantando um novo modelo político e econômico efetivamente republicano, com transparência e controle cidadão, em regime federalista, com voto distrital e eleições limpas. Uma inédita Intervenção Constitucional, sem golpismos meramente reformistas, parece ser o caminho mais rápido e seguro para a transformação necessária do País em uma Nação.

Descrença generalizada

Releia o artigo de domingo: Transformar $talinácio em Judas resolve?

Reveja também: Hora da Justiça vencer o crime e conter as gestapos


Corporativismo Supremo

Reflexões interessantes de José Dias Toffoli, que agora nem se lembra mais que foi advogado do PT antes de ser galgado ao emprego vitalício de ministro do Supremo Tribunal Federal, em entrevista a O Globo:

"Temos um Poder Judiciário extremamente respeitável. Não é um tapinha nas costas que vai alterar qualquer coisa. A vitaliciedade, a inamovibilidade e a irredutibilidade dos vencimentos são a garantia da independência do juiz. Mas, infelizmente, existem vendilhões do templo".

"Criou-se uma lenda urbana de que, no passado, não se julgava nem políticos, nem pessoas poderosas no Brasil. Isso é uma falácia. É que, antes, os parlamentares tinham uma imunidade formal. Para serem processados, era preciso ter a autorização da Câmara ou do Senado. Foi a Emenda Constitucional 35, de dezembro de 2001, que autorizou o andamento desses processos. Então, de lá para cá é que o Supremo pode investigar e julgar esses casos. Isso tem que ficar muito claro. Quero fazer uma defesa da história do Supremo. Não existe um Supremo do passado, que não julgava, e um do presente, que é melhor. Era um bloqueio constitucional que impedia essas investigações".

Delcídio Prestigiado

O Mosaico Eleitoral da FGV revela que as empresas que mais doaram a Delcídio Amaral foram: Odebrecht (R$2,9 milhões), Andrade Gutierrez (R$ 2,8 milhões) e UTC (R$2,3 milhões).

Apenas por coincidência, as três empresas são investigadas pela Operação Lava-Jato e os seus dirigentes são acusados de pagar propina em troca de contratos com a Petrobras.

Curiosamente, até estourar o escândalo da gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró, Delcídio, líder do governo no Senado, sequer aparecia entre os investigados ou sob suspeita na Lava Jato...

Cumpra a promessa


Estilo Delcídio


Positivo até demais


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Novembro de 2015.

Climantério


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Em clima de fim de festa, a Anta não se manifesta.

Teme uma falseta até do boi da cara preta.

Se a coisa está por um triz, é melhor esperá-la em Paris.

“O clima que se lixe, eu quero escapar do empixe.”

No estande de tiro, estão até os a quem não refiro. O que pensa que está a salvo, será o próximo alvo.

Entre a turma de segunda (alguns levarão o pé na rima) e entre os de segunda na turma, já há quem não durma.

Limpeza geral é fruto do que amar a todos quer (amar all) aos que viviam de engodos.

O moço da Tijuca está numa de bico sinuca.

Por mais que a mídia veja, o chefão da cerveja quer que tudo fique como está.

Encontro do molusco brusco com o efecêgagá, pra tentar as coisas “remendá”.

Tudo já não tem remédio. Morreremos de susto e não de tédio.

E a turma da inteligência está perdendo a paciência...


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

domingo, 29 de novembro de 2015

Transformar $talinácio em Judas resolve?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Uma recente pesquisa Datafolha apontou a corrupção como o principal problema do País. Ela "ganhou" da saúde, do desemprego, da educação e da violência. O mesmo levantamento, feito na semana em que o noticiário deu espetacular dimensão à prisão do senador Delcídio, indicou uma espetacular rejeição à figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Quase metade dos entrevistados (47%) avisou que não votaria nele. Pegaram o $talinácio para judas...

A coisa ficou tão feia para o Presidentro que a Dilma Rousseff teve sua barra ligeiramente aliviada. A Presidenta conseguiu uma melhora da sua avaliação de governo. O índice de reprovação caiu de 71% em agosto para 67% agora. Para 22%, a gestão dela é regular — antes eram 20%. Para 10%, ela é ótima ou boa — antes eram 8%. Pela numerologia das pesquisas, Dilma continua em baixa: impopular, desacreditada e desmoralizada para liderar o Brasil.

O que acontece agora é o resultado de um modelo que se esgotou. A crise estrutural começa a refletir nas outras crises, principalmente a econômica, a política e a moral. Enxugar o gelo da corrupção nada resolve. Não adianta focar a consequência se a causa da tragédia nacional continua viva, intacta, se multiplicando como um câncer maligno.

Em meio a tantos escândalos em profusão, que só tendem a vir à tona e geram a natural indignação das pessoas com a corrupção, o desgoverno do crime organizado entra em estado de paralisia. Fica refém da gastança da máquina que é financiada pela banqueiragem - juros altos para remunerar a lucrativa e infindável (?) rolagem de títulos públicos. E quando tudo se desestrutura, o desgoverno vira alvo da pressão e da ira populares - que tendem a ser fatais, conforme a História demonstra.

O clima no Brasil é tão tenso que as instâncias federais, estaduais e municipais falam, abertamente, em "calote" (suspensão, forçada ou não, de pagamentos). Na prática, o Estado brasileiro, em regime de democradura, entra em colapso. Não pode decretar nem admitir "falência", mas, técnica e moralmente, está quebrado. Mesmo assim, continua arrogante, abusando do poder contra o cidadão, que tem precários mecanismos de controle social sobre a engrenagem estatal que alterna a oferta de trocas de favores com a mais safada jagunçagem promovida por suas "gestapos".

O fio de análise e condutor sobre todos os estados autoritários (nazi ou fascistas) é a lógica segundo a qual "o cidadão é que deve servir ao Estado" - e não o contrário, com o Estado servindo ao cidadão. Quando o Estado reina absoluto, é impossível sobreviver o conceito de cidadania. Esta lógica só se sustenta baseada na injustiça, na repressão seletiva, na estruturação do Estado sustentando privilégios, cartórios e cartéis, e no Rentismo Especulativo.

O Brasil Capimunista funciona assim. Acontece que a classe média ficou de saco cheio e ligou o despertador. Devagarinho, o gigante é forçado a acordar. Tudo começa a mudar, mesmo que lentamente e não claramente percebido pela maioria das pessoas - incluindo os cegos e os pessimistas. Pare, pense e tente responder à perguntinha básica: O que pensa hoje um micro empresário, afogado em execuções fiscais, processos trabalhistas, juros estratosféricos e que não consegue receber o valor daquilo que vendeu para o poder público porque virou predatório, quando vê toda a bandalheira de mensalões e petrolões e a e quando vê um senador, líder do governo no Senado, organizado a fuga de um Cerveró da vida?

Ocorre que quando o regime venezuelano foi instalado, a tecnologia das redes sociais ainda estava iniciando. Agora não dá mais para implantar boliviarianismos envergonhados - que escondem intenções autoritárias de fazer inveja a um soviético Josef Stalin. A dinâmica de um mundo interlitado, plugado via internet, com acesso fácil via smartphone popularizado, mudou o jogo democrático. É a "Revolução" do celular. Uma postada no Face, uma dedada no zap-zap ou até o envio de um simples e-mail comunicam eficazmente e juntam as pessoas para causas comuns.

Os regimes autoritários não sobrevivem se os cidadãos e empresários oprimidos puderem se manifestar em tempo real, como acontece agora. O fenômeno está se ampliando, consolidando e se expandindo. A máquina estatal percebe a pressão feita pela sociedade (os cidadãos comuns, mesmo que ainda não unidos, mas muito interconectados). No Brasil, a maioria das pessoas de bem está pt da vida - literalmente.


Olha a curta e grossa postagem do Ricardo Noblat deste domingão, com o título "Empresário Bonzinho". É mais que ironia! É nossa lamentável realidade de um País Capimunista (capitalismo de Estado interventor com verniz de bem estar socializante). O jornalista escreveu: "Como temos empresários generosos! Um deles pagou 2,5 milhões a Luis Claudio Lula da Silva, filho de Lula, para que ele copiasse textos da internet a título de consultoria. A Polícia Federal desconfia que foram 4 milhões".

O fenômeno é uma previsível aberração de nosso Estado Capimunista, que combina rentistas, banqueiros, empreiteiros e fdps, todos sempre juntos, tirando proveito da máquina estatal perdulária, refinanciada, permanentemente, pelos juros altos, pelos noventa e tantos impostos, taxas, contribuições, além das regulações espúrias das medidas provisórias, decretos, instruções normativas e portarias baixadas pelas variadas instâncias de uma caríssima burocracia. Lulas, FHCs e afins são produtos naturais deste sistema que transforma a Política em mero meio de negócio para quem faz parte da "Corte".

Vale repetir por 13 x 13, para dar sorte. Temos o dever cívico de cobrar de um poder republicano que tem obrigação de zelar pelo equilíbrio social e punir, de forma justa, perfeita e exemplar, aqueles que ousam infringir as leis. O Judiciário pode nem vencer o crime estruturalmente organizado. Mas a Justiça não pode ser desmoralizada pela ação sistemática e institucionalizada de criminosos que agem em e sob o patrocínio direto uma máquina estatal centralizadora, cartorial, cartelizada, concentradora, castradora, corrupta e canalha - os vários "cês" do nosso Capimunismo.

O Brasil tem solução. Em qualquer país, a Democracia é uma concessão do poder armado. Por isso, os segmentos esclarecidos da sociedade tem de mobilizar as Forças Armadas para que dêem sustentação para a implantação da verdadeira democracia, que é a segurança do direito. Isso é o exercício do Poder Instituinte! Quem guarda as armas nacionais detém o poder real e deve exercer sua capacidade constitucional para enxotar o crime do Poder do Estado, empregando os legítimos instrumentos à disposição do judiciário.

O Brasil tem de mudar, de verdade, a estrutura estatal, proclamando sua autodeterminação, em um trabalho que é obrigação dos cidadãos esclarecidos com suas forças armadas e o judiciário. Temos de avançar na criação de mecanismos cidadãos de controle e fiscalização da máquina estatal - que precisa se tornar transparente, com uma burocracia clara, reduzida ao máximo e legítima. Qualquer ação fora destas propostas é inútil.

Não podemos ficar restritos à promoção de um "mero golpe" institucional, pois ele seria apenas uma complacente continuidade da barbárie vigente. O jogo não é simples, é complexo, e precisa ser jogado urgentemente. Por isso, é perda de tempo pegar $talinácios e afins para judas... Temos é de criar condições políticas e institucionais para que idiotas e tiranetes não se multipliquem para continuarem mandando nos destinos do Brasil.   

Releia o artigo de ontem: Hora da Justiça vencer o crime e conter as gestapos


Gozação Suprema


Novo boneco que manifestantes colocaram nas ruas de Brasília, mais precisamente em frente ao Supremo Tribunal Federal: Toffoleco...

Boa sugestão

Dica de um grande empresário, logo cedo, no zap-zap:

"Acho que tem q fazer movimento pela renuncia já de Dilma, Renan e Cunha! O Pais não tem mais tempo a perder!!!"

Terror em Paris


Chega de pixulecagem


Só resta agradecer


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Novembro de 2015.

Boi tão grande


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

O boi é tão grande que assusta até as piranhas.

No tempo que ainda chifrava, meteu-se em coisa brava.

Dos assuntos dos “amigos' sabia até as entranhas.

Colegas por quem simpatias nutre, serão os agentes do abutre.

O mercado não tolera nem o fracasso nem o sucesso vertiginoso.

Que que o menino estava pensando? Sua sorte duraria até quando?

Ainda que esperanças não perca, já bateu com o rabo na cerca.

Só tem uma salvação: contar toda a podridão.

Daqui há alguns anos, os algozes estarão todos mortos.

Ele sobreviverá porque é jovem e culto ao passo que o grão molusco é para todos, insulto.

Refeito do trauma e com grandes cicatrizes, jamais confiará nos filhos de meretrizes.

Si jeunesse savait, si vieillesse pouvait.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Estado Brasileiro: banqueiro e empreiteiro



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O Estado brasileiro, desde os seus albores, sempre privilegiou banqueiros e também empreiteiros, e isso nos leva à grande reflexão, na medida em que de um lado temos altíssimas taxas de juros e o custeio da dívida pública doutro as obras que se realizam sempre com um sobrepreço e o risco cometido contra cofres públicos.

Bem nessa direção a visão míope dos nossos governantes permitiu que ao longo de meio século os banqueiros ficassem cada vez mais ricos e o mesmo sucedeu com empreiteiras, notadamente nas obras da famigerada copa do mundo e nos jogos olímpicos que estão por vi. Sempre com seu espírito megalomaníaco o nosso governo, sem sombra de dúvida, procurou respaldo do sistema financeiro, até no plano do Proer para soerguimento de instituições financeiras falidas.

Mas não mudamos muito, tanto que na última década diversos bancos passaram pela liquidação extrajudicial convolada em falência. Esse duopolio eleito pelo governo, banqueiro e empreiteiro, chama a atenção quando temos presos o maior empreiteiro e o mais pujante banqueiro. O que teria dado errado em relação aos planos e programas de desenvolvimento da economia do próprio Brasil?

Inadvertidamente as obras públicas realizadas invariavelmente são compostas por gorduras e uma grande empreiteira fez acordo de um bilhão, para pagar os benefícios auferidos na copa do mundo. Daí podemos imaginar que muito dinheiro público foi jogado no ralo da miséria com uma vocação que jamais teríamos de organizar um grande evento, de forma transparente, já que bastariam seis estádios, mas a ganância e volúpia falaram mais alto para que construíssemos outros em lugares que sequer há times de futebol, a exemplo de Brasília ou do norte do País, na arena Manaus.

Dessa forma se percebe que ao vaticinar pelo aspecto do empreiteiro e do banqueiro são ambos a mesma moeda, haja vista que um depende do outro. Expliquemos: o empreiteiro necessita do banco para fazer seus projetos e obter financiamento para grandes obras, ou e banco privado ou dos bancos públicos, mais de perto o BNDES que nos últimos anos cooperou com tantas exposições, alvo agora da CPI. De mentalidade idêntica o banqueiro também precisa do empreiteiro, pois nos grandes negócios estão ambiciosos lucros.

Quantas empresas pedirão recuperação ou falência em decorrência do escândalo Petrobrás? Somente o futuro nos iluminará para uma resposta concentrada na realidade e no calibre de milhares de empregos perdidos, com respingo nos setores de óleo e gás.

Essa aliança até certo ponto espúria tem custado um preço salgado e impagável para Nação.O Brasil não pode ficar submetido aos rasgos de lucros fáceis e contaminados pela corrupção. Deve, ao mesmo tempo, preservar, e injetar recursos na infraestrutura, nos portos, aeroportos e mais do que isso dotar a população de condições mínimas de vida e decência, pois que se alardeiam a inclusão de milhões no passado, hoje escondem a exclusão de tantos outros que perderam seus empregos e foram abalados pela desmesurada inflação.

Estamos num momento crucial e os aspectos negativos podem nos atingir por uma recessão ao longo de dois anos, a classe política sempre descompromissada com o Brasil pouco se importa. As esquerdas salvíficas nos colocaram num mar de lama, pior do que Mariana e com um futuro de trevas, ao menos no primeiro semestre de 2016.

A sociedade civil precisa urgentemente reagir, mostrar a cara e ter coragem de exigir mais moralidade, decência e honestidade, notadamente em relação aos políticos que defenestraram a cidadania, esculhambaram com as instituições e desprezaram o estado federativo.

Por isso hoje somos mais fede do que ativo propriamente dito, tamanhos os escândalos que saem nas manchetes dos principais periódicos do exterior. E essa primariedade na qual se apóia o governo entre banqueiro e empreiteiro, de favorecimento, de clientelismo e de mazelas incorporadas as falcatruas, mais cedo ou mais tarde, teria que vir a tona.

A conta será amarga e muito pouco palatável, pois que o déficit interno é inenarrável e as condições econômicas alarmantes e preocupantes. Daí porque sem uma reviravolta o Estado brasileiro corre o sério risco de se tornar um permanente estado de crise que durará mais do que a provisoriedade da CPMF cuja volta se apregoa aos quatro cantos da Nação


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Os cegos e os loucos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Sim! Dilma é uma filha da puta! Há muito tempo, prometi a mim mesmo que voltaria a escrever com "civilidade" e sem usar palavrões. Não consigo e, pior do que isso, não sou filósofo nem caçador de ursos para que eles sejam admitidos com facilidade. 

Na campanha eleitoral de 2014, Dilma Rousseff supostamente "passou mal" durante um debate com Aécio Neves. Usei, na época, as mesmas palavras da esposa do marginal petista e senador Delcídio Amaral para recomendar que ela chamasse um médico cubano.

Resultado: até ameaças de morte recebi. Marginais financiados pelo PT escreveram sobre o "meu caso". O próprio Conselho Regional de Medicina foi questionado e os petistas tentaram transformar minha opinião pessoal numa "questão de ética médica".

Em março, abril e agosto de 2015, milhões de brasileiros saíram as ruas chamando Dilma, Lula e cada petista deste país de fdp! De nada adiantou: o PT insiste em continuar dizendo que que milhões e milhões de brasileiros são "golpistas" e hoje o Regime Petista procura uma espécie de "Conselho de Ética" em que pudesse, ele mesmo, denunciar a o Brasil como fez comigo -  vai para cadeia procurando, mas não vai encontrar!

A semana que vem é decisiva na História Nacional. Pela primeira vez um político com cargo importante (um senador da República) foi preso no exercício da função. O recado para o verdadeiro bandido que preside a Câmara de Deputados Federais - Eduardo Cunha - não pode ser mais claro: "você, Eduardo, pode ter o mesmo destino de Delcídio Amaral quando ele não enxergar mais saída".

A resposta de um louco como Cunha à prisão de um cego Amaral não poderá ser outra: semana que vem deve ser iniciado, finalmente e por razões completamente diferentes daquelas postuladas por Hélio Bicudo, o impeachment da presidente da república... dessa grande filha da puta como eu mesmo chamei em 2014 e como agora chamam desde os grandes empresários de São Paulo até os estivadores do Polo Naval de Rio Grande.

Enquanto isso, o Brasil inteiro, como aquele cego que é conduzido por um louco, é deixado à beira de um abismo esperando, eternamente esperando...

para querida Adriana Lisboa,


Milton Simon Pires é Médico.

Carta ao Kamarada José Dirceu


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S Azambuja

Vale a pena ler de novo o que aqui se publicou em 10 de junho de 2013.

José Dirceu, o “kamarada Daniel”, quando ainda estudante em São Paulo, antes de receber treinamento militar em Cuba, já torturava seus inimigos, como relata o editor da revista Veja, Otavio Cabral, em seu livro "Dirceu - A Biografia", recém-lançado. 

Esse livro relata algumas verdades que muitos desconhecem ou esqueceram: que o “kamarada Daniel” recebeu em Cuba o título de "comandante", voltou para o Brasil clandestinamente e foi o ÚNICO dos do MOLIPO, sua organização, que não morreu em combate (mas essa é uma história que ainda não foi contada...).

Por quê? Simples. Porque nunca combateu. É chamado por seus companheiros do PT de “guerreiro do povo brasileiro”, o que é uma piada pois nunca combateu, ao contrário do que propalou em seu discurso ao assumir a Casa Civil da presidência da República, quando, dirigindo-se a Dilminha Bang- Bang, tratando-a como “companheira d’armas”.

A verdade é que nenhum dos dois lutou. Ficaram sempre à  sombra de seus companheiros.
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Carta ao kamarada José Dirceu

Em seu discurso no retorno à Câmara dos Deputados, você disse que “lutou com armas na mão e na clandestinidade”. Fala sério, “kamarada “Daniel”! Na clandestinidade, sim. De armas na mão, não, pois você jamais participou de uma ação armada. Enquanto seus companheiros do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), que receberam treinamento em Cuba como você, estes sim, de armas na mão, morriam nas ruas de São Paulo e no Brasil Central, você ficou enfurnado em Cruzeiro do Oeste até o final da luta armada.

Anteriormente, ao passar o cargo de ministro da Casa Civil, você dirigiu-se à nova ministra tratando-a como “companheira d’ armas”. Que armas, “kamarada Daniel”? Somente no treinamento em Cuba você pegou em armas. Depois, quando você deveria fazer a hora, desertou.

Você também falou que tem “as mãos limpas e que nunca respondeu a um processo”.  Fala sério, “kamarada Daniel”! Você foi preso quando do Congresso da União Nacional de Estudantes (UNE), em outubro de 1968, em Ibiuna, São Paulo, foi indiciado em um inquérito e só foi libertado em setembro de 1969, quando foi incluído na relação dos terroristas trocados pela liberdade do embaixador Charles Elbrick, dos EUA, no Brasil.

Na página 110 do livro “Abaixo a Ditadura”, escrito por você e por Wladimir Palmeira, você escreveu: “participei da luta armada, achava que era necessária...”. Fala sério, “kamarada Daniel”! Você não participou de luta armada nenhuma! A única “luta armada” que você participou foi a do treinamento militar em Havana, que era “um teatrinho, um vestibular para o cemitério”, como você declarou ao Jornal do Brasil em 27 de dezembro de 1998.

Em um seminário do Partido dos Trabalhadores, realizado dias 15 e 16 de abril de 1989, você, talvez já vislumbrando, erradamente, uma vitória do Lula na eleição presidencial, declarou que “em vez de comandar uma coluna guerrilheira, o grande sonho da minha vida, vou ter de comandar uma coluna de carros oficiais em Brasília”. Fala sério, “kamarada Daniel”!

Você jamais comandou uma coluna guerrilheira porque desertou da luta, ficando enfurnado em Cruzeiro do Oeste, enquanto seus companheiros, que confiavam em você, eram dizimados graças a um informante  - o “kamarada Camilo” - que havia no meio deles, seu companheiro no MOLIPO, que fez curso de guerrilha junto com você e que já faleceu.

O responsável pela atual política do Partido dos Trabalhadores, de aliança com tudo e com todos, hoje rejeitada pela maioria dos militantes do partido, foi você, “kamarada Daniel”, que em 1995, quando foi eleito presidente do partido por apenas 28 votos de diferença num universo de 550 delegados, minimizou as disputas internas – que sempre existiram e continuam existindo - e defendeu a reforma dos Estatutos do partido, e também uma “política de alianças”. Foram esses os eixos que o levaram à presidência do partido, “kamarada Daniel”.

Você, “kamarada Daniel”, integra o aparato dirigente do partido desde que ele existe (você foi Secretário Nacional de Formação Política de 1981 a 1983; Secretário Geral do Diretório Regional de São Paulo de 1987 a 1993; depois Secretário-Geral Nacional; e, finalmente, a partir de 1995, presidente do partido). Você, portanto, não pode eludir sua responsabilidade na transformação do partido nisso que aí está.

Foi você, “kamarada Daniel”, que ao assumir a presidência do partido, passou a defini-lo como “social-democrata” (que no jargão do partido tem o peso de um palavrão) e “de esquerda”.  Com isso, você disse que o partido é um pleonasmo e, com isso, o partido deixou de ser “diferente”, como sempre se proclamou. Fala sério, “kamarada Daniel”!

Em meados de agosto de 1998, você, como presidente do partido, em entrevista à imprensa, ameaçou não aceitar o resultado da eleição presidencial que já se configurava favorável ao candidato do PSDB, deixando no ar uma ameaça:

Se a campanha eleitoral continuar assim, a eleição perde a legitimidade e não vamos responder pelo que vai acontecer no país (...) pois a disputa está sendo fraudada e o processo eleitoral corrompido”.

E mencionou como exemplo da fraude, “
o apoio unânime da grande mídia a Fernando Henrique Cardoso”, Essa não foi uma afirmação de bêbado na mesa de um bar, mas sim do presidente de um partido, cujo maior patrimônio, na época – dizia-se – era a ética. Fala sério, “kamarada Daniel”! Você não se cansa de dizer e repetir que é um democrata, que “sempre lutou para instaurar a democracia no país”.

Foi no II Congresso do partido, em novembro de 1999, uma sessão coletiva de psicanálise partidária, quando você, por uma maioria escassa (55,8% dos votos dos 926 delegados) foi reeleito presidente do partido, relegou a bandeira do socialismo – aquele socialismo que você havia definido anteriormente – a uma “possibilidade histórica”, deixando de considerá-lo uma inevitabilidade, conforme proclama a “doutrina científica”. Nesse congresso, “kamarada Daniel”, José Genoino – “kamarada Geraldo” – que depois você apoiaria para lhe suceder na presidência, admitiu que o socialismo não era mais um modelo, mas sim “um conjunto de valores”.

No entanto, “kamarada Daniel”, você, na revista “Teoria e Debate”, de agosto/setembro/outubro de 1999 (uma revista destinada aos militantes, já que é uma publicação da Fundação Perseu Abramo) praticamente desmentiu que o partido tenha se tornado “light”. 

Nessa revista você escreveu que “o grande desafio da sociedade brasileira nos próximos anos, será a superação dessa crise por meio de uma ruptura histórica que liberte o país da atual dependência e realize as tarefas da revolução democrática que o Brasil não viveu...Essa revolução terá que ser não apenas ruptura com a dependência, mas a refundação da República...Trata-se de uma revolução nacional, popular, social e democrática”. 

Ou seja, marxismo-leninismo em estado puro. Fala sério, “
kamarada Daniel”! Por que, em dez anos de poder, o PT não realizou essa tal ”revolução nacional, popular, social e democrática”?  Ao contrário, afastou-se mais dela ao inundar o país com todo o tipo de cartões.

Você também escreveu nesse mesmo artigo que “numa Nova Ordem, o Brasil deverá romper a relação de subordinação com o FMI  e revisar todos os acordos da dívida externa...que as privatizações serão revistas por meio de auditorias e comissões parlamentares de inquérito... e que os movimentos sociais são as bases permanentes que podem viabilizar uma mudança duradoura na correlação de forças da sociedade”. Enfim, você concluiu:trata-se de fazer uma revolução”. 

Fala sério, “
kamarada Daniel”! Isso que você escreveu – para dentro do partido – não passou de pirotecnia!

Hoje, tudo mudou. Você não mais comandará uma frota de carros oficiais em Brasília. Hoje você já teve que explicar suas relações estreitas com o seu assessor Waldemiro Diniz, um corrupto, e outras mutretas que surgirão, além do “mensalão”. Essa sim, é a grande revolução. A revolução dos costumes.

E, no que diz respeito a você, kamarada Daniel, viva o ministro Joaquim Barbosa!


Carlos Ilich Santos Azambuja é Historiador.