quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A origem do Estado Islâmico


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um pequeno extrato da apresentação do livro “A Origem do Estado Islâmico – O Fracasso da ‘Guerra ao Terror’ e a Ascensão Jihadista”. O livro foi escrito por Patrick Cockburn, e a apresentação, que recebeu o título de “Uma Serpente entre as Pedras”, foi escrita por Reginaldo Nasser, mestre em Ciência Política (Unicamp) e doutor em Ciências Sociais (PUC-SP), professor do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais – San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC) e chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC-SP.

Patrick Cockburn fez as melhores reportagens sobre o tema. Descreve a situação como uma estratégia de Alice no País das Maravilhas. Os EUA querem destruir o ISIS (Estado Islâmico), mas se opõem a todas as forças que estão combatendo o ISIS. O principal Estado que se opõe ao ISIS é o Irã, que apóia o governo xiita do Iraque. Mas o Irã, como se sabe, é nosso “inimigo”.

Provavelmente as principais tropas terrestres que combatem o ISIS são os curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e os seus aliados, que estão na lista de terroristas dos EUA. A Arábia Saudita, principal aliada norte-americana junto com Israel, está comprometida e dominada por uma versão extremista do Islã (a doutrina wahabita, uma forma particular do islamismo sunita), o que a faz ter uma posição omissa ou até de apoio a movimentos como o ISIS, que é, aliás, orientado pela mesma doutrina wahabita. A Arábia Saudita é um Estado missionário. Cria escolas e mesquitas espalhando a sua versão radical do Islã. Assim, eles são os nossos aliados; e os nossos inimigos são os que estão combatendo o ISIS.

O parágrafo acima, que faz parte da orelha do livro, é de autoria de Noam Chomsky (filósofocientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna". É também uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica).

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Transcrevemos, a seguir, um pequeno trecho, escrito em junho de 2015, da “Apresentação – Uma Serpente entre as Pedras”,de Reginaldo Nasser:
Cockburn mostra, fartamente, exemplos de ações militares e diplomáticas completamente equivocadas por parte dos EUA, que, ao invés de derrotar o ISIS, só o fortaleceu.

Sim, é possível e é provável que erros de análise e de compreensão de fenômenos sociais e políticos sejam cometidos, mas será que é razoável supor que o aparato diplomático militar dos EUA seja tão despreparado a ponto de cometer, reiteradamente, erros grosseiros?

Ou podemos ter também, como hipótese, que talvez o fracasso da guerra possa ser de fato o seu sucesso? Os líderes políticos e generais em Washington e Londres podem estar recebendo pesadas críticas domésticas por seus erros no Iraque e na Síria, mas alguns analistas do mundo árabe observam que, na verdade, estão sendo muito bem sucedidos na execução de um plano para dividir o país. No fundo, a unidade entre a resistência sunita e xiita sempre foi motivo de preocupação por parte desses líderes. 

Seja como for, o fato é que a ascensão meteórica do ISIS e sua declaração de restabelecer o Califado são algo sem precedentes na história do sistema estatal árabe que teve início após o fim do Império Otomano e a Conferência de Paz de Paris, em 1919. Pela primeira vez, um ator não-estatal islâmico, que agora é simultaneamente nacional e transnacional, esculpiu uma nova unidade política no mundo árabe, onde as fronteiras permanecem relativamente inalteradas aio longo de todo o Século XX.

Embora mencione em vários momentos, Cockburn não explora em profundidade o surgimento de uma nova forma de especialidade política ligada à criação do Estado Islâmico no Oriente Médio, negando claramente a essência geográfica do campo das relações internacionais: o Estado Islâmico com um território claramente delimitado.   

Ainda que se possa duvidar da sua durabilidade, trata-se, evidentemente, de uma demonstração da fraqueza do processo de criação artificial de estados-nação na região do Oriente Médio, caracterizado pelo arroubo das potências ocidentais em construir um sistema político na região à sua imagem e semelhança. O fracasso do nacionalismo como uma ideologia política no Oriente Médio influenciou o surgimento de movimentos radicais islâmicos que reivindicam a constituição de uma nova ordem política nesses territórios: o Califado.

O colapso do Iraque e da Síria como estado-nação tem dado a esses movimentos força para consolidar os seus projetos e alargar os seus objetivos sobre um território que pode cobrir a região do Oriente Médio e além. De fato, esse espaço geopolítico deve ser analisado também sob a perspectiva de que novas possibilidades de exploração de recursos (petróleo, principalmente) podem dar ao novo Califado em termos de Poder dentro do sistema internacional.

O ISIS é especialista em estimular o medo. Os vídeos que produz, de seus combatentes executando soldados e pilotos de avião, tiveram um papel importante para aterrorizar e desmoralizar seus inimigos. Entretanto, esse medo também pode unir um amplo arco de oponentes do ISIS que eram antes hostis uns em relação aos outros.

Como nota Cockburn, se o apelo do Estado Islâmico aos muçulmanos sunitas na Síria, no Iraque e em todo o mundo funciona, em parte, com num sentimento de que suas vitórias são presentes de Deus e inevitáveis, isso também pode ser sinal de fragilidade, já que qualquer derrota pode afetar a alegação de apoio divino.

Ainda que seja improvável cumprir a promessa de garantir a viabilidade de seu Califado no Iraque e na Síria contra o poderio militar dos EUA e sua coalizão dentro do território governado por dois governos xiitas, sua ideologia provavelmente continuará a inspirar seguidores. Quer se trate de um ISIS abrigado nos centros urbanos de Mosul e Raqqa ou espalhado nas periferias, mesmo assim será capaz de lançar ataques esporádicos dentro das cidades iraquianas e sírias, em particular por meio de carros-bombas e ataques suicidas. O Estado Islâmico poderia rasgar o Oriente Médio e causa ainda mais agitação, para as gerações futuras, onde os Estados não têm uma ideologia que lhes permita competir com um foco de lealdade baseada em seitas religiosas ou grupos étnicos. 

A capacidade do ISIS para apelar a um imaginário islâmico através de fronteiras e sua restauração do Califado representa a cristalização de uma ideologia jihadista que se desenvolveu ao longo dos últimos 30 anos. Seu líder, Abu Bakr AL-Baghdadi, propaga que o Califado é um tipo de Estado onde “árabes e não árabes, homens brancos e negros, orientais e ocidentais são todos irmãos...A Síria não é para os sírios e o Iraque não é para os iraquianos. A Terra é de Alá”.

O grande pensador da guerra, Karl Von Clausewitz, julgava que sempre reinará uma grande incerteza durante os confrontos armados, já que é simplesmente impossível ter conhecimento pleno de todas as informações em jogo. Como conseqüência, toda a ação, em certa medida, será planejada na “névoa da guerra”, que pode dar aparência deturpada às coisas.

É impossível dissipar a névoa, mas o leitor perceberá com certeza que, após a leitura dessa obra, poderá acompanhar com mais segurança as inúmeras peças em movimento nesse verdadeiro xadrez geopolítico do Oriente Médio.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Loumari disse...

Eles todos virão, com violência: os seus rostos buscarão o oriente (Meca), e eles congregarão os cativos, como areia.
E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria: eles se rirão de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomarão.
Então passará como um vento, e pisará, e se fará culpada, atribuindo este poder ao seu deus. (ao tal de allah)
(HABACUC 1:9)


Preparem-se que eles vêm para executar isto aqui:

E estes são os slogans dos seguidores de allah para o mundo:

>MATAI AQUELES QUE INSULTAM O ISLÃO.....
>EUROPA PAGARÁS: A TUA DEMOLIÇÃO ESTÁ EM MARCHA;
>EUROPA PAGARÁS: A TUA EXTERMINAÇÃO ESTÁ A CAMINHO.....

>DECAPITAI OS QUE INSULTAM O ISLÃO

>EUROPA É O CÂNCRO, ISLÃO É A RESPOSTA'
>EXTERMINAI OS QUE VÃO CONTRA O ISLÃO'

>O ISLÃO DOMINARÁ O MUNDO'

>QUE A LIBERDADE VÁ PARA O INFERNO'

>EUROPA. TIRA ALGUMAS LIÇÕES DO 11 DE SETEMBRO'

>PREPAREM-SE PARA O VERDADEIRO HOLOCAUSTO'



Ai do mundo, por causa dos ESCÂNDALOS; porque é necessário que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!
(MATEUS 18:7)


Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como os vossos pais.
Ao qual dos profetas não perseguiram vossos pais?
Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do que vós agora fostes traidores e homicidas;
(ACTOS DOS APOSTOLOS 7:51)


As vossas luas novas e as vossas solenidades as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.
Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheia de sangue.
(ISAÍAS 1:14)

Loumari disse...

Islamismo no Brasil o Caminho dos Tolos.

https://youtu.be/frORrQWnSQ4

Loumari disse...

Maior líder muçulmano da Arábia Saudita pede a destruição de todas as igrejas cristãs

Perseguição aos cristãos no Oriente Médio pode resultar em conflito global

O sheik Abdul Aziz bin Abdullah, o grão-mufti da Arábia Saudita, maior líder religioso do país onde Maomé nasceu, declarou que é “necessário destruir todas as igrejas da região.”

Tal comentário do líder muçulmano foi uma resposta ao questionamento de uma delegação do Kuwait, onde um membro do parlamento recentemente também pediu que igrejas cristãs fossem “removidas” do país.

O grão-mufti salientou que o Kuwait era parte da Península Arábica, e por isso seria necessário destruir todas as igrejas cristãs de lá.

“Como acontece com muitos muftis antes dele, o sheik baseou sua fala na famosa tradição, ou hadith, que o profeta do Islã teria declarado em seu leito de morte: ‘Não pode haver duas religiões na Península [árabe]’. Isso que sempre foi interpretado que somente o Islã pode ser praticado na região”, explicou Raymond Ibrahim, especialista em questões islâmicas.

A importância dessa declaração não deve ser subestimada, enfatiza Ibrahim: “O sheik Abdul Aziz bin Abdullah não é um líder muçulmano qualquer que odeia as igrejas. Ele é o grão-mufti da nação que levou o Islã para o mundo. Além disso, ele é o presidente do Conselho Supremo dos Ulemás [estudiosos islâmicos] e presidente do Comitê Permanente para a Investigação Científica e Emissão de Fatwas. Quando se trata do que o Islã prega, suas palavras são imensamente importantes “.

No Oriente Médio, os cristãos já estão enfrentando perseguição maior, incluindo a morte, nos últimos meses. Especialmente nos países onde as facções militares islâmicas têm aproveitado o vácuo de poder criado pelas revoluções da chamada “Primavera árabe”, como Egipto, Líbia e Tunísia, Jordânia, Marrocos, Síria e Iêmen.

Os cristãos coptas, por exemplo, que vivem no Egipto há milênios estão relatando níveis mais elevados de perseguição por muçulmanos. No Norte de África, os muçulmanos prometeram erradicar o cristianismo em alguns países, como a Nigéria. No Iraque, onde os cristãos tinham algumas vantagens durante o governo de forte Saddam Hussein, populações cristãs inteiras fugiram. O Irã também tem prendido crentes e fechado igrejas mais do que de costume.

Ibrahim escreveu ainda em sua coluna: “Considerando a histeria que aflige o Ocidente sempre que um indivíduo ofende o Islã, por exemplo, uma pastor desconhecido qualquer, imagine o que aconteceria se um equivalente cristão do grão-mufti, digamos o papa, declarasse que todas as mesquitas da Itália devem ser destruídas, imaginem a frenesi da mídia ocidental. Imediatamente todos os veículos gritariam insistentemente “intolerância” e “islamofobia”, exigiriam desculpas formais e apelariam para uma reacção dos políticos”.

O estudioso acredita que uma onda de perseguição sem precedentes está prestes a ser iniciada na região, que ainda testemunha Israel e Irã viverem ameaçando constantemente fazerem ataques. O resultado disso pode ser um conflito de proporções globais. Traduzido e adaptado de Arabian Business e WND

FONTE: NOTÍCIAS CRISTÃS ACTUALIZADAS

Loumari disse...


Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão. (islam)
(FILIPENSES 3:2)


QUEM DERRAMAR O SANGUE DO HOMEM, PELO HOMEM O SEU SANGUE SERÁ DERRAMADO;
PORQUE DEUS FEZ O HOMEM CONFORME A SUA IMAGEM.
(GÉNESIS 9:6)


A APOSTASIA NOS ULTIMOS TEMPOS

MAS o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demónios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência.
(1 TIMOTEO 4)


Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção;
(2 PEDRO 2:19)


Mas Moisés disse: Por que quebrantais o mandado do Senhor? pois isso não prosperará.
(NÚMEROS 14:41)


QUANDO TU FAZES MAL, ENTÃO ANDAS SALTANDO DE PRAZER.
(JEREMIAS 11:15)


Sede sóbrios; vigiai; porque o DIABO, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a que possa tragar.
Ao qual resisti, firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.
(1 PEDRO 5:8)


A matança dos inocentes

Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto:
Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existem.
(MATEUS 2:18)


Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne.
Este tal é o enganador e o anticristo.
(2 JOÃO 1:7)


Porque há muitos desordenados, faladores vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão (do islma),
Aos quais convém tapar a boca, homens que transformam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um deles, seu próprio profeta; São sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.
(TITO 1:10)


"O que é de ventres preguiçosos, constatamos que nos nossos países esta raça de gente não trabalha, só procuram viver graças ao o que os nossos governos dão como prestações, alocações familiares e assistências sociais. Há que saber que o seu profeta não tinha profissão e era um gigolô. Estes também se dedicam a roubar, ao tráfico de drogas e se dedicam a matar e serem mantidos. A reprodução exacta do que foi o seu profeta. E estas bestas têm o descaro de dizer que sofrem de discriminação. Definitivamente estes árabes não sabem que coisa é envergonhar-se. Para sentir vergonha este deve ter consciência e moral. Coisas que eles não têm porque têm repúdio a civilização ocidental que é a base fundamental da cultura, moral e ética."

Loumari disse...

Senhor Azambuja, copiei este artigo seu e o distribuí por e'mail aos meus contactos, e recebi de uma interlocutora minha, Guilhermina Coimbra, este resume e achei judicioso compartilhar a sua observação. Lhe desejo excelente continuação.


...” A Arábia Saudita é um Estado missionário”. Por Gilhermina Coimbra

COMENTÁRIO:
Melhor dizer ... A Arábia Saudita é um Estado de governo entreguista, entregou o petróleo e outras riquezas minerais, em troca de benesses para os seus governantes e etc. etc....
Podemos entender a Arábia Saudita como a Pérsia (atual Iran) na época do Xá.

Explicado porque...”Assim, eles são os nossos aliados; e os nossos inimigos são os que estão combatendo o ISIS.”
...” para as gerações futuras, onde os Estados não têm uma ideologia que lhes permita competir com um foco de lealdade baseada em seitas religiosas ou grupos étnicos.”...

COMENTÁRIO:
Os Estados não precisam ter “ideologia”, até e porque quase todas as ideologias foram pensadas e aplicadas em Estados com interesses completamente alheios aos interesses das populações dos Estados nos quais pretendem aplicar as “ideologias”.

...” alguns analistas do mundo árabe observam que, na verdade, estão sendo muito bem sucedidos na execução de um plano para dividir o país. No fundo, a unidade entre a resistência sunita e xiita sempre foi motivo de preocupação por parte desses líderes.”

COMENTÁRIO:
Dividir para se apossar de territórios alheios sempre foi tática e estratégia dos invasores.

...” onde os Estados não têm uma ideologia que lhes permita competir com um foco de lealdade baseada em seitas religiosas ou grupos étnicos.’

COMENTÁRIO:
Os Estados não precisam ter “uma ideologia”. As ideologias são conjuntos de idéias objetivando finalidade específica. As populações dos Estados devem mas é ter a consciência de que é questão de sobrevivência não permitir a entrega das riquezas dos respectivos territórios, principalmente as geradoras de energia.

...” verdadeiro xadrez geopolítico do Oriente Médio.”

COMENTÁRIO:

Xadrez geopolítico é eufemismo para o loteamento dos territórios férteis – verdadeiro leilão para saber quem dá mais pela conivência dos governantes desses territórios - à revelia do conhecimento e da aprovação das respectivas populações.