sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Delírio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Pensando bem, a situação do país não passa de um delírio.

Os deuses que não querem ver os malfeitos, não precisam de colírio.

Vêm refestelados, de um povo, o martírio.

Mijarão escarlate por causa do mal porfírio.

Enquanto isso, Cerberus late.

Também um rei francês, que tinha por símbolo o lírio, um dia acabou na guilhotina e sua cabeça na tina.

A farsa já a corda esgarça da impunidade.

Os incrédulos não conhecem a onça.

Em breve virarão petisco de bicho muito arisco.

Mas prazo, não me arrisco.

Bom mesmo é ficar a esmo tomando chá de hibisco.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

Como Ser Livre

Bom é ver as pessoas livres. A liberdade tanto é uma coisa que se pratica como um conceito que se discute.

Para se ser livre é preciso pensar-se que se pode ser um bardamerda (e mais, sendo provável que se seja) mas que isso não impede a nossa vontade (que é deliciosa muito antes de ser um direito) de se dizer o que se pensa.

A liberdade é aquilo com que nascemos, com que os bebés se exprimem. A contenção é que é ensinada. Todas estas regras, boas e más (até acredito que msis de 50 por cento sejam boas), só servem para nos reprimir.

A vida é muito curta e a coragem é muito pouca. Os outros assustam muito mais do que querem e Sartre, quando não disse exactamente que «o inferno são os outros» estava a fazer questão de falar da nossa excessiva (e estúpida) dificuldade de falar e agir colectivamente.

O amor e a amizade são as duas grandes provas do valor da liberdade. A vida é uma sentença a que todos estamos condenados. Estarmos vivos não pode ter qualquer valor, por muito que custe à brigada comercialista que nos quer congratular por não termos morrido.

Ser livre é estar à mercê do que não se escolheu. Eu sei lá porque amo a Maria João. Sei explicar e aprendi a fazer listas mas nunca me dei conta - graças a Deus - de ter tomado uma decisão «nesse sentido», como fria e topograficamente se diz.

A liberdade não é não estarmos presos: é estarmos presos e felizes, às pessoas e às ideias que amamos, sem sabermos porquê. Mas sabendo como, até morrermos.

"Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (11 Jan 2016)'
Título original do texto: 'Ser livre'
Portugal n. 25 Jul 1955
Crítico/Escritor/Jornalista

Anônimo disse...

Como você é iludido, Mantiqueira...O alto oficialato, na ativa e na reserva, é sócio desse esquema todo. Estão na deles, lucrando muito com o sistema e não querem derrubá-lo de jeito nenhum, que é pra não ter trabalho.