quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Gonçalo Gonçalves Especialista em Onça


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

O Guarda-mor da Torre do Tombo teve seu estudo sobre o felino, furtado de Mendonça pela Anta.

O descobridor do ouro em Minas Gerais foi pesquisar a medida inglesa: a onça troy.

No sistema troy (relativo a metais preciosos e gemas, assim como medicamentos) a onça vale 31,1034768 gramas.

Abreviatura: oz (parente do mágico de OZ?)

Não encontrou explicação para troy como adjetivo da onça, talvez referência à homérica Troia.

O que mais teme a Anta é uma Onça de Troia.

Diria Gonçalves: “Salve-se quem puder!”

Mas a Anta é nóia. Não passa de uma lambisgoia. Pura pinóia.

É no mínimo 333 = meio besta (copiado de um post no Facebook).

No meio da fedentina, quer liberar a jogatina.

Como o molusco, não leu nem opúsculo.

Pensa que crepúsculo é pelo crespo da rima.

Ou se ri ou se desanima.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

Nascer em Nós

Depositamos pouca fé em nós mesmos. Acreditamos que as boas soluções só podem chegar-nos de fora, como se fossemos incapazes de as criar... Quantas vezes a fé e a esperança aparecem como uma desculpa confortável em que nos instalamos e desistimos de trabalhar!? Queremos muito que tudo mude (para melhor), de uma vez só, com uma só chave milagrosa e... enquanto estamos a dormir.
Outro é o desafio da existência humana. Para além de saber esperar, é preciso lutar e sofrer. Esperar não é ficar à espera, mas encontrar forma para que as coisas aconteçam. O melhor do mundo está no fundo de nós, mas é preciso que o façamos nascer e crescer...

As soluções estão, na maior parte dos casos, no seio dos problemas, quase sempre no exato ponto onde eles nasceram. Os problemas não são becos sem saída, mas muros a transpor: não são algo acabado, mas sim processos... não são quês, são comos.

Deus pode nascer em nós, não vem de fora, como um forasteiro. É connosco. É-nos íntimo. São as nossas mãos que o encarnam... é pela nossa vida que Ele quer chegar ao mundo.

Há muitos que o querem no alto, longe dos seus dias... não aceitam esta forma de se expor. Esperam um outro Deus menos vulgar e mais majestoso... um Deus que trate de tudo sozinho e que não dependa da nossa vontade, nem, muito menos, do nosso esforço.

Cabe-nos ser a terra fértil onde as sementes, que também somos, possam crescer e frutificar. Abrirmos a nossa vida a este Deus que quer nascer... em nós e, através de nós, chegar ao nosso próximo...

A felicidade é fruto do nosso ventre, do amor que construímos, da alegria que fazemos nascer...

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades'
Portugal n. 14 Mar 1971
Filósofo

Loumari disse...

O Amor Infinito

Da mulher o que nos comove e enleva é a parte impoluta que ela tem do céu; é a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, não sabido dela, não sabido de nós. Ali há mensagem de outras regiões; aqui, no peito arquejante, nos olhos amarados de gozozas lágrimas, há um espirar para o alto, um ir-se o coração avoando desde os olhos, desde o sorriso dela para soberanas e imorredouras alegrias. Nós é que não sabemos nem podemos ver senão o pouquinho desse infinito que nos entre-luz nas graças do primeiro amor, do segundo amor, de quantos estremecimentos de súbita embriaguez nos fazem crer que despimos o invólucro de barro e pairamos alados sobre a região das lágrimas.

É Deus que não quer ou somos nós que não podemos prorrogar a duração ao sonho? Se Deus, que mal faria à sua divina grandeza que o pequenino guzano o adorasse sempre? Porque vai tão rápida aquela estação em que o homem é bom porque ama, e é caritativo e dadivoso porque tudo sobeja à sua felicidade? Quando poderam aliar-se um amor puro com a impureza das intenções? Quais olhos de homem afectivo e como santificado por seu amor recusaram chorar sobre desgraças estranhas? Que exuberância de bens a desbordar da alma! Que ânsia de fazermos em redor de nós alegrias, fortunas, mãos erguidas connosco a bem-dizer os contentamentos que nos chove o manancial dos puros deleites.

Não é Deus que nos agourenta as alegrias castas, as espirações que lhe comprazem. Nós é que não sabemos que luz é essa da nova manhã que dentro nos alumia voluptuosidades desconhecidas. Atribuímos ao efeito os prestígios da causa. É que não podemos ver por longo tempo a mensageira dos mundos estrelados: quizemos pôr a mão na vara que nos encantou; e a vara fez-se serpente, porque a alma imaculada já não era o impulsor da nossa ansiedade. O homem, escurecido já no interior, viu a mulher ao sol da terra, sol que incende o sangue, e abraza o rosto e cresta as asas do anjo. Ai dos anjos em carne que olham depois em si e correm a vestir-se da folhagem do paraíso! Desde esse momento a luz do homem, o calor das paixões radia do montante de fogo que empunha o executor de alta justiça. Fora do éden está o inferno. A baliza encravada na fronteira maldita chama-se o TÉDlO.

"Camilo Castelo Branco, in 'O Santo da Montanha (1866)'
Portugal 16 Mar 1825 // 1 Jun 1890
Escritor