domingo, 24 de janeiro de 2016

Lenin, um dos epígonos de Marx


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O mal de certos políticos não é a falta de persistência. É a persistência na falta”  (Barão de Itararé).

Quem foi Lenin e como ele surgiu no universo revolucionário da Rússia do início do século?

Por volta de l870, as idéias de Marx começaram a circular na Rússia czarista, dando margem à formação de vários grupos com base em seus escritos, fundamentalmente o Manifesto Comunista. Um jovem estudante – Wladimir Ilich Ulianov - que viria a ficar conhecido pelo nome de guerra de Lenin, juntou-se a esses grupos em 1892 e, durante certo tempo, contribuiu para a formação de outros grupos de igual natureza. 

 

Convencido da validade das idéias marxistas, Lenin previu o surgimento de fortes contradições no seio da sociedade russa, entre os possuidores do capital e a classe operária que então, embora embrionariamente, já começava a concentrar-se nas cidades em torno de indústrias que surgiam.
 
Preso em 1895, quando já era um dos mais ativos dirigentes dos grupos marxistas de São Petersburgo - todos eles atuando na ilegalidade -, Lenin passou 14 meses no cárcere e suportou um exílio na Sibéria. Posto em liberdade, viajou para a Suíça, onde passou a manter relações com os marxistas emigrados. Desde então, consagrou sua vida à atividade política no interior da social-democracia russa, encabeçando a Fração Bolchevique que, em 1903, iria apoderar-se do controle do Partido Operário Social-Democrata Russo, concebendo a idéia de formar uma vanguarda dirigente constituída por revolucionários profissionais. A isso, denominou de “partido de novo tipo”.  Em seu livro “Que Fazer?”, escrito em 1901, Lenin  definiu os fundamentos desse novo tipo de organização e, com base nesses fundamentos, viriam a ser criados todos os partidos comunistas do mundo.
 
A evolução do Partido Operário Social-Democrata Russo, após seu I Congresso, em 1898, foi a seguinte: Partido Operário Social-Democrata Bolchevique da Rússia, em 1917; Partido Comunista Bolchevique da Rússia, em 1918; Partido Bolchevique da União Soviética, em 1925; e, finalmente, Partido Comunista da União Soviética, em 1952, até sua extinção em agosto de 1989, por decisão do então grande timoneiro  Boris Yelstin. Durante esses 91 anos, foram realizados 27 Congressos partidários, sendo o XXVII, que reelegeu Mikhail Gorbachev para o cargo de Secretário-Geral, o derradeiro.
 
Em centenas de escritos, reunidos em uma publicação denominada “Obras Completas” (a edição em espanhol reúne 47 tomos com cerca de 900 páginas cada um), Lenin foi modelando e enriquecendo tudo o que Marx e Engels haviam escrito a respeito da revolução comunista, desenvolvendo com amplitude a teoria marxista da luta de classes e da revolução. Esses escritos passaram a ser conhecidos como “marxismo-leninismo” ou “o marxismo da época do imperialismo”, ou ainda “o marxismo da nossa época”.
 
Os partidos comunistas que surgiram como conseqüência da constituição da III Internacional, em março de 1919, e a ela subordinados, receberam, desde o princípio, a missão de se transformarem em vanguarda da revolução em cada ponto do planeta.  Ativistas e propagandistas profissionais, homens e mulheres dedicados a servir exclusivamente à causa revolucionária, deveriam constituir partidos comunistas e transformá-los no estado-maior da revolução, com a missão de derrubar os regimes sociais existentes e impor a ditadura do proletariado. 

Apelando a todas as formas de luta, mesclando a atividade ostensiva com a clandestina, valendo-se da força ou do convencimento, traficando com as necessidades humanas, quaisquer que fossem, prometendo ao mundo justiça, paz, liberdade e fraternidade, o socialismo, a partir de Lenin e seus epígonos, transformou-se naquilo que pudemos conhecer, que se estendeu por todo mundo e que os povos da Europa Oriental e da União Soviética - que viveram sob ele, e que, portanto, efetivamente o conheciam - desmantelaram a partir de 9 de novembro de 1989, quando foi derrubado o Muro de Berlim e milhares de alemães fugiram da utopia sem o risco de serem metralhados.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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