sábado, 9 de janeiro de 2016

Nossa Carga


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

Quem já viu o quanto está pagando em tributos? Em 2015, tivemos um inédita arrecadação de impostos no Brasil: ultrapassamos com folga os DOIS TRILHÕES DE REAIS! É recorde! O que se pode fazer com isso? Impossível estimar. Com tantos impostos, teremos os melhores serviços
públicos? É sabido que não!

Por que é que, pagando uma exorbitância em impostos, o brasileiro recebe tão pouco? Uma respostinha simplória é aquela que qualquer carroceiro vive a repetir: "Se eles parassem de roubar, sobrava para a saúde, educação e..." É uma simplificação grosseira. Uma crença que breca o pensamento. Mas, atenção!, para uns quantos, é conveniente que se mantenha essa crença.

A corrupção é um problema, sem dúvida! Há também negligência na gestão (outro sangradouro das finanças). O mais grave, porém, é o modelo de Estado que temos: não presta! É gigantesco (por isso, gasta dinheiro sem limite); é formatado para favorecer grupelhos de espertalhões que se apropriam do poder político; facilita a atuação dos corruptos.

Aonde vão os mais de dois trilhões? Arredondando, 70% de tudo que se paga fica para a União. Os 30% restantes são fracionados entre municípios e Estados. Ora, não há solução sem inverter essa lógica! Precisa ficar mais dinheiro no município, menos no Estado e ainda menos para a União.

É ridículo que um prefeito ganhe de presente do governo federal ambulância, ônibus escolar, computadores para equipar uma escola, etc. O município deveria dispor dos meios para adquirir os bens conforme sua necessidade. Se não tem, salvo exceções, é porque a distribuição dos trilhões é cretina.

É ridículo o evento solene em que presidente da República entrega ambulância, ônibus escolar ou um lote de computadores a um prefeito... É ridículo mas, para o fulano(a), muito conveniente. Fica claro, pois, por que o "pacto federativo" está cada vez mais torto: interesseiros torcem as coisas.

Aquela crença simplória, que aponta como solução "eles pararem de roubar", leva o eleitor a ter a fantasia de encontrar "o bonzinho confiável" para eleger. É nessa crença imbecil que apostam os políticos que distribuem bondades com... o dinheiro do contribuinte.

Aí está o que precisamos fazer: diminuir o Estado, reformular o "pacto federativo", ordenar uma distribuição racional dos tributos e dar mais autonomia para as unidades da federação.

Mas há uma receita infalível para manter esse mostrengo ou mesmo piorá-lo: eleger políticos e partidos que querem ampliar o Estado, multiplicar o número de servidores públicos, arrancar mais impostos do infeliz contribuinte, fomentar a indigência de Estados e municípios, degenerar o sentido de federação que está presente na Constituição mas ausente no dia-a-dia, e concentrar tudo (dinheiro, decisões, diretrizes, tudo) em Brasília.

Eles vão se candidatar a prefeito e a vereador. Por mais que disfarcem, podemos saber quem são. Uma pista: em sua maioria, eles não gostam de discussão aberta, franca, mas tomam por inimigo quem pensa diferente das suas teses simplistas, motivo por que acalentam o sonho de amordaçar a imprensa e calar a boca dos adversários.

O dinheiro dos impostos continuará jorrando! O eleitor, neste 2016, poderá mostrar se aprendeu alguma coisa. Se aprendeu, vai esmerar-se nas escolhas, em vez de só se queixar dos políticos, afinal haverá eleições municipais em outubro. Comecemos pelo município.

P.S. Releia no Alerta Total uma análise do tema:

http://www.alertatotal.net/2015/12/o-foco-na-luta-contra-impostura.html


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

4 comentários:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

Parabéns,colega Renato,pela maravilhosa abordagem. De fato o Brasil é o pais onde mais se cobra tributos no mundo,sempre considerando a relação pagamento-retorno à sociedade. Tenho trabalhado bastante nessa matéria. Aqui mesmo no "Alerta" foi publicado artigo de minha autoria,com proposta mais ousada,porquanto não gosto de enganar nem a mim mesmo. O título: "DESMANCHE OU NOVO PACTO DA FEDERAÇÃO ?",que alguns podem considerar de cunho "separatista",mas que eu entendo ser da verdadeira "união",ou unionista,entre as atuais regiões brasileiras,sob os aspectos sociais e econômicos,mas com separação política e jurídica entre elas,para cada uma cuidar do próprio nariz. E só peço que não me venham com esse "papo furado" de cláusula-pétrea etc.,porque também as 5 constituições que o Brasil já teve eram e ainda é "pétrea". Então que "pétreo" é esse? Presentes as condições para reclamar o direito de autodeterminação (direito assegurado pela ONU),em qualquer Estado ou Região,ao mesmo
tempo nasce o poder de soberania instituinte do povo da região. Perdoe o aloingamento desse comentário.

Martim Berto Fuchs disse...

"O mais grave, porém, é o modelo de Estado que temos: não presta! É gigantesco (por isso, gasta dinheiro sem limite); é formatado para favorecer grupelhos de espertalhões que se apropriam do poder político; facilita a atuação dos corruptos."

- E quem são esses "grupelhos de espertalhões" ?
- São as organizações criminosas que aqui no Brasil chamamos de partidos políticos.
Alguma dúvida ?

Sérgio Alves de Oliveira disse...

(Retificação do comentário precedente): Por engano,citei o blog "Alerta Total" como fonte da publicação "Desmanche ou Novo Pacto da Federação ?". Infelizmente isso não aconteceu. O texto pode ser buscado no "Sul21",dentre outros.

rolusanro disse...

O inchaço da máquina publica faz parte da ideologia e prática da PTzada, cujo único objetivo é a manutenção do poder. A maquina inchada é ineficiente e onerosa.