quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Futuro da Bolsa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Pateticamente a nossa gloriosa bolsa de valores vive seu inferno astral, uma verdadeira tempestade perfeita. A análise das regras e dos princípios normativos indicam que houve uma fragorosa violação dos princípios da transparência, governança corporativa, e da ampla técnica de informação, levando ao entrechoque, descrédito e desconfiança dos investidores, notadamente do exterior.

Quando em 2015 pensávamos nos 80 mil pontos, o abismo continua a caminho e rapidamente vamos alcançar os 40 mil pontos, o que mudou de modo radical, substancial em menos de um ano para a reviravolta. A Petrobrás hoje vale um dólar e meio e Vale menos que dois dólares. Isso jamais aconteceu na história dessas empresas e de grandes companhias.

O Brasil se fechou para a economia mundial, e tentou cavar com as mãos sua própria sepultura, a aliança com os Brics é mais um fracasso, todos os países estão em estado melancólico, a começar da China, passando pela Russia, e atingindo o coração do Brasil.

Dessa forma, não há futuro algum para a bolsa se a governança corporativa não voltar a imperar, se o órgão fiscalizador não punir e que as estatais tem regras próprias. O que se chama a atenção é que comprovadas as fraudes em estatais, sociedades de economia mista, o controlador deveria ter suspenso, até ressarcimento integral dos prejuízos, o poder de nomear os cargos diretivos da companhia. A medida se justifica, considerando o potencial danoso e os estragos que irradiam efeitos em todo o mercado.

E não venham resmungar que a bolsa é um centro de especulação, de rentistas ou de aproveitadores de ocasião, visão míope e vesga daqueles que privilegiam as bolsas sociais. E sem reforma a bolsa de valores será uma bolsa de indigentes, já que hoje toda ela vale menos que uma empresa norte americana o Google, e chega quase perto de perder também para a poderosa Apple.

Esse capitalismo nanico pregado, aperfeiçoado e tenebrosamente difundido ao longo dos últimos anos, sucateou as empresas brasileiras, e as colocou em liquidação perante o capital estrangeiro. O tempo de recuperação será longo, dificultoso e de caminhos espinhosos, milhares de investidores estrangeiros já foram embora e no Brasil não será diferente.

Os negócios irão desaquecer ao longo do ano, e a previsão mais realista é que bateremos 35 mil pontos ao término de 2016. Isso além de muitas empresas fazerem o caminho de volta, intencionando fechamento de seus capitais.

Ao invés de investir na produção e na riqueza das empresas, o governo preferiu fazer concessões de crédito, ampliar compra de carros, ajudar com medidas provisórias as montadoras, e agora se depara com o rombo, inclusive com o auxílio de banco público para as empresas, cujo calote ultrapassa mais de 200 bilhões de reais, além de um déficit público de mais de 2 trilhoes que, em sã consciência, jamais será pago, rolado ou caloteado pelos nossos representantes em estado de total descontrole dos rumos da economia.

E enquanto isso não aquece ou dá sinais favoráveis de melhora, o mercado como um todo está paralisado, anestesiado, ronda o medo, o receio, e agora os investidores se curvam às aplicações de renda fixa, já que a poupança sofreu grandes saques durante 2015, mais um fator preocupante para o governo que acelera, a passos largos, o estado de insolvência e falimentar da Nação Brasileira.

Copiamos o modelo de grandes nações do novo mercado, do nível 1 e 2, mas infelizmente na prática o que sucede é uma total anarquia, banditismo e as punições são brandas demais e acabam em multas pagas pelas seguradoras. Os processos de inabilitação devem ser frequentes e não por apenas cinco anos, mas por 10 ou 15 e em casos mais contundentes para sempre, definitivamente.

Sumariando o raciocínio exposto o mercado acionário brasileiro fora catapultado por uma série de erros, a saber: inoperante fiscalização, desestimulo à abertura do capital, tragédia de estatais cujos desastres contaminaram o mercado em geral, sem um diagnóstico preciso, e com fundamento profissional.

Continuaremos nosso voo de galinha, expulsando estrangeiros, detestando o nacional e empurrando as poucas empresas de capital aberto ao deserto que acelera o risco de uma crise parelha àquela de 29 ou de 73, mais ainda quando escasseiam dividendos e juros sobre o capital. E ao contrario das bolsas sociais setoriais, a crise da bolsa de valores no Brasil trará uma imprevisível crise social, com demissões, fechamento de empresas e o abandono dessa via para captação de recursos financeiros em prol do investimento,ampliação da produção e investimento nas gerações.

O futuro é sombrio, exceto se nosso governo e os responsáveis despertarem dessa inigualável letargia a qual assistimos atônitos e definitivamente entregues ao fracasso de um modelo em crise.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Loumari disse...

CONDENAÇÃO DOS RICOS OPRESSORES

EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, pelas vossas misérias, que sobre vós hão-de vir.
As vossas riquezas estão apodrecidas, e os vossos vestidos estão comidos da traça.
O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá o fogo a vossa carne.
Entesourastes para os últimos dias.
Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifavam as vossas terras, que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes: cevastes os vossos corações, como num dia de matança.
Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.
(TIAGO 5)


Todas as mãos se enfraquecerão, e todos os joelhos destilarão aguas.
E se cingirão de sacos, e os cobrirá o tremor: e sobre todos os rostos haverá vergonha, e sobre todas as suas cabeças, calva.
A sua prata (dinheiro) lançarão pelas ruas, e o seu ouro será como imundícia; nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor: eles não fartarão a sua alma, nem lhes encherão as entranhas, porque isto foi o tropeço da sua maldade.
(EZEQUIEL 7:17)


E chegar-me-ei a vós, para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o jornaleiro, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos.
(MALAQUIAS 3:5)


E já está próximo o fim de todas as coisas;
(S. PEDRO 4:7)