quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Profissões


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Todo trabalho é digno. As profissões mostram apenas o grau de estudo necessário ao seu exercício e a aptidão natural de quem as exerce; ou a necesssidade de obtenção de renda, muito embora não se goste da tarefa.

Apenas para efeito de comparação, podemos classificar as profissões segundo a condição humana de quem as utiliza.

A mais tétrica é a de coveiro; a mais sublime é a de comediante.

Temos profissionais excelentes, normais (médios) ou canalhas em todos os misteres.

Trataremos apenas de algumas atividades.

O médico depende de alguma enfermidade ou acidente de seus clientes para obter seu rendimento.

O juiz vive da desgraça e/ou angústia das partes. Não tem nenhum escrúpulo em fomentar ou pelo menos não agravar o sofrimento dos desvalidos. Não tem pressa, compaixão ou solidariedade.

O advogado dispensa comentários.A utilidade do serviço só aparece quando não é feito; como o da dona de casa.

O engenheiro contibui para uma vida melhor da sociedade.

O comerciante promove a distribuição de bens.

Os artistas plásticos ou cênicos despertam o sentimento do belo.

Os músicos nos maravilham com sua arte, de absorção fácil e simples.

Os filósofos se nutrem da verdade mas quase sempre morrem de fome.

Os comediantes vivem do riso alheio. Desde o provocado por trocadilho infantil até o mais fino exemplo do non sense.

Apenas o quiprocó (quid pro quo) nos faz rir até as lágrimas, mas é involuntário. Uma benção divina.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Loumari disse...

Cidadão do Mundo

De todas as grandes tiradas da História, em boa verdade, aquela que eu mais depressa aprendera a detestar fora essa do «cidadão do mundo», com que a classe média de Lisboa tanto gostava de encher a boca até que alguém a reconhecesse globetrotter, portadora de cartão de crédito e representante dessa nova burguesia do resort de quatro estrelas e da máquina fotográfica digital. Porque ser de todo o lado, percebi-o eu assim que extravasei os limites da terra-mãe, não podia significar outra coisa senão que não se era de lado nenhum - e não ser de lado nenhum, não ter um lugar, um canto de mundo a que regressar, parecera-me sempre a mais triste de todas as condições. Para ser sincero, e apesar das já quase duas décadas que levava de exílio, eu continuava a voltar à terra como se realmente pudesse acordar ao contrário, contorcendo-me e espreguiçando-me e depois fechando-me em concha, até, enfim, adormecer. E, se de alguém ainda conseguia desdenhar com algum método, assim despertando da letargia que nos últimos anos me deixara impávido perante cada vez mais coisas, perante a dor e o próprio prazer, era daqueles que viviam longe há dez ou vinte ou trinta ou mesmo quarenta anos e, apesar disso, continuavam sem voltar, sem voltar nunca, mesmo podendo fazê-lo mil vezes, na convicção de que nada os unia já ao seu paradeiro original. De que seriam feitas essas pessoas, afinal? Que ausência, que inverso, que matéria inerte tinham no sítio do coração? Até que ponto haviam sido abomináveis as suas infâncias, as suas juventudes, para deixá-las assim, sem um pedaço de mundo a que pudessem chamar seu? Eis aquilo que eu me perguntava sempre ao regressar.

"Joel Neto, in 'Os Sítios Sem Resposta'
Portugal n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista

Loumari disse...

O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.
(José Saramago)



A globalização e a doutrina que a sustenta, o neoliberalismo, tem aumentado os problemas da miséria, da fome, do desemprego nas nações onde tem sido aplicada.
(Baptista Bastos)



O Mundo de hoje balança entre o desastre ambiental, a violência bruta das catástrofes naturais e políticas desastrosas. Vivemos no tempo da consagração plena das duplas morais, duplas contabilidades, duplas verdades.
(Eduardo Dâmaso)

Loumari disse...

Perante o mundo não lançamos o nosso olhar, mas apenas a nossa boca. Não nos melhoramos, mas apenas consumimos. O grito de Nietzsche já foi interpretado de mil formas. Deus morreu! Verificação de facto, mera glosa evangélica, anúncio de um programa, ou alerta, provavelmente cada uma destas versões tem a sua parte de verdade. Mas tenhamos a coragem de o afirmar. O problema da nossa época é as pessoas terem apagado Deus para ficarem em frente de si. O resultado é que ficam em geral à frente de bem pouca coisa.
(Alexandre Brandão da Veiga)

Anônimo disse...

Faltou o professor, ao qual está incumbida a árdua tarefa de ensinar aos ignorantes e ser ignorado por eles.
(Falo apenas de Brasil sil sil...)