quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Reinventar a roda ou cortar os braços


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Guilherme C. Ribeiro

Há momentos em que sou quase esmagado pelo peso de minha ignorância. O artigo de José Carlos de Assis sobre a principal fonte de corrupção no Brasil (o Banco Central do Brasil) provocou um desses momentos de estupefação. O que ali está, ao menos para mim, faz todo sentido. Explica algumas coisas que não faziam sentido.

Ao que eu saiba, ao menos declaradamente, não há políticos de direita no Brasil que se ouse declarar como tal, a não ser – parabéns pela coragem –Jair Bolsonaro. Gostem ou não dele, pelo menos não está implicado nessas imundícies.

Bem, se assim é, como explicar que a esquerda, mormente a do PT, visceral opositora dos bancos no período militar – parabéns pela coragem, tenha sido cooptada a tal ponto de entregar literalmente o Brasil ao sistema financeiro?  Se começou com Fernando Henrique e a Tucanalhada, por que não foi extinta pela PeTralhada? 

Aí começamos a entender por que não há oposição. É tudo jogo de cena, pelo jeito. Tudo não passa de mentiras, endossadas pela ignorância generalizada, assacadas impunemente, a despeito da incompetência crassa e absoluta irresponsabilidade. 

É muito cinismo, muito desamor.

Não é à toa que quem ama este país está estupefato.

Pelo jeito, sobram apenas os Juízes decentes, como o Moro, e a Polícia Federal.

Permitam que lhes mostre um texto do século XVII, do diplomata e pensador político espanhol Diego Saavedra Fajardo (1584-1648), de seu Empresas Políticas:

“Os tebanos representavam a integridade dos ministros, principalmente os da justiça, por uma estátua sem mãos, porque estas são o símbolo da avareza quando estão fechadas e seu instrumento quando sempre estão abertas para receber. [...]  Não pode ser bem governado um estado cujos ministros são avarentos e ambiciosos, porque como será justo aquele que despoja a outrem?  Como procurará merecer prêmios por seus serviços aquele que pagou com suas próprias mãos?  Nada revolta mais os vassalos do que o roubo e o suborno de seus ministros [...].”

Séculos depois, teremos que reinventar a roda.  Ou cortar braços...


João Guilherme C. Ribeiro é Livre Empreendedor Cultural.

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