sábado, 2 de janeiro de 2016

Tipos de Onça


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Utilizamos nosso Translator Tabajara:

Once a week = onça fraca

Once more = onde você mora (resposta: Pircicaba)

Once upon a time = uma onça encima do seu time

Once again = uma onça para ganhar

Mendonça = homens da onça

Geringonça = instrumento de Dona Onça

Dona Onça = nossa última esperança pra acabar com a lambança.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Loumari disse...

O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espaço de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Verão e até Inverno. Mas José Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tensão alta dos heróis românticos e, em muitas circunstâncias, dava por si a citar Thoreau:

“Fui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morrer, não descobrir que não vivi.”

Lamentava que Darwin ou Twain não tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no século dezanove, ainda restavam outros paraísos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brandão, até Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. Não, ele não estava louco. Havia uma sabedoria naquilo — havia ecos e refracções, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira, com a sua cauda saltitante, perscrutando o solo em busca de alimento. E quem não fosse capaz de sustentar-se disso podia sempre recorrer às tascas e às tabernas, às sociedades filarmónicas e às fanfarras, ao Carnaval, às touradas e aos Bodos e a todas as demais folias com que agora lhe parecia possível aplacar até a mais inabalável solidão.

"Joel Neto, in 'Arquipélago'
(Excerto sobre os Açores)
Portugal n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista

Loumari disse...

O Amor Certo

Penso em tudo o que os homens sentem pelas mulheres que amam e tento dizer o que nos une nesse amor. Fora dos pormenores e das particularidades. Sei que as mulheres que nos amam não nos amam de maneira diferente mas, como nunca se sabe, deixei-as de fora, falando apenas pelo meu género: a malta.

Minha amada querida. O meu pai, logo depois de se ter apaixonado pela minha mãe, disse-lhe, em pleno namoro (ela uma mulher inglesa casada, com uma filha pequena; ele um solteirão português): «Se soubesses quanto eu te amava, destruías-me já.» E disse a verdade. Era tanto o amor e o ciúme que lhe tinha, que fez mal à mulher que amava, minha mãe, e mal ao homem que a amava: ele próprio, meu pai.

O amor é um castigo: é um desespero: é um medo. O amor vai contra todos os nossos instintos de sobrevivência. Instiga-nos a cometer loucuras. Instiga-nos a comprometermo-nos. Obriga-nos a cumprir promessas que não somos capazes de cumprir. Mas cumprimos.

Eu amo-te. E não me custa. É um acto de egoísmo. Mesmo que tu me odiasses mas te odiasses tanto a ti própria que não te importasses de ficar comigo, eu seria feliz e agradeceria a Deus a tua inconsciência; a tua generosidade; qualquer estupidez ou inteligência que te mantivesse perto de mim.

A sorte não é amar-te nem tu me amares. A sorte é ter-te ao pé de mim. Tu podes estar enganada. Deves estar enganada. Mas ninguém neste mundo, por pouco que me ame ou muito que te ame, está mais certa para mim. Obrigado.

(Título original do texto: «Obrigado, namoradas» )

"Miguel Esteves Cardoso, in 'Amores e Saudades de um Português Arreliado'
Portugal n. 25 Jul 1955
Crítico/Escritor/Jornalista

Loumari disse...

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram “em diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas.
"Miguel Esteves Cardoso)

Loumari disse...

No amor não há férias nem nada que se pareça. O amor deve viver-se plenamente, com o seu aborrecimento e com tudo.
(Marguerite Duras)



Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!
(Sigmund Freud)