domingo, 3 de janeiro de 2016

Zoostribócio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A situação é tão insólita que não há palavras para definí-la.

Assim, sugerimos uma nova: zoostribócio.

No planalto há vários tipos de animais; todos tripudiam sobre o povo e, o pior, são boçais.

O seu festim diabólico um dia chega ao fim.

Correndo atrás da própria cauda, logo alcançá-la-ão.

Um se enforcará na tripa do outro.

Não haverá valhacouto.

Primeiro cai o mais afouto; depois o canalha; em seguida o mais douto.

Que o mal havido ouro nada lhes valha.

O seu efêmero sucesso: fogo de palha.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

8 comentários:

Loumari disse...

Possuídos pelo Demónio

A invenção do demónio. Se estamos possuídos pelo demónio, não pode ser só por um, porque então viveríamos, pelo menos na terra, em paz, como se fosse com Deus, em união, sem contradições, sem reflexão, sempre seguros do homem atrás de nós. O seu rosto não nos amedrontaria, porque, como seres diabólicos, teríamos, mesmo que um pouco sensíveis à vista, a esperteza suficiente de preferir sacrificar uma mão para lhe tapar a cara com ela. Se estivéssemos possuídos apenas por um demónio, um que tivesse uma visão tranquila, calma, de toda a nossa natureza, e liberdade para dispor de nós em qualquer momento, esse demónio teria também poder suficiente para nos manter durante o âmbito de uma vida humana muito acima do espírito de Deus em nós, e mesmo para nos balançar de um lado para o outro para que assim não víssemos nenhum sinal dele e consequentemente não fôssemos perturbados por esse lado. Só uma multidão de demónios pode ser responsável pelas nossas desgraças terrenas. Porque não se matam eles uns aos outros até só ficar um, ou porque não ficam subordinados a um grande demónio? Qualquer das duas hipóteses estaria de acordo com o princípio diabólico de nos enganar tanto quanto possível. Faltando unidade, para que serve a atenção escrupulosa que todos os demónios nos prestam? Deve importar muito mais a um demónio que nos caia um cabelo do que a Deus, uma vez que o demónio perde na realidade esse cabelo e Deus não. Mas não conseguimos atingir um estado de bem-estar enquanto houver dentro de nós tantos demónios.

"Franz Kafka, in 'Diário (09 Jul 1912)'
Austria 3 Jul 1883 // 3 Jun 1924
Escritor

Loumari disse...

O diabo está em nós e nas estruturas que inventamos quando vão por um caminho que não nos deixa crescer, que destrói e desagrega (diabólico significa dividir, por oposição a simbólico, que implica unir).
"Vasco Pinto de Magalhães"


A tentação diabólica, digamos assim, está em pensar que ser feliz era não ter problemas. (...) Se pensarmos assim, vivemos fora da realidade, e acabamos por usar a regra «se não vai a bem, vai a mal», ou seja, à força.
"Vasco Pinto de Magalhães"


Somos sempre muito mais fascináveis pelo imediato, pela solução rápida e fácil, do que pelo caminho longo e difícil, com sofrimento, que é o do bem... O bem diz que tens de estudar muito; a ausência de bem, ou o mal, diz: toma lá umas pastilhas que isso passa! A tensão entre o preço de crescer e o truque «eficaz».
"Vasco Pinto de Magalhães"

Loumari disse...

A Originalidade

Eu não acredito na originalidade. É mais um feitiço na nossa época de vertiginoso desmoronamento. Creio na personalidade através de qualquer linguagem, de qualquer forma, de qualquer sentido da criação artística. Mas a originalidade delirante é uma invenção moderna e um vigário eleitoral. Não falta quem queira fazer-se eleger Primeiro Poeta do seu país, da sua língua ou do mundo. Correm, então, em busca de eleitores, insultam quem aparente possibilidades de lhes disputar o ceptro e, desse modo, a poesia transforma-se numa mascarada. No entanto, é essencial conservar a direcção íntima, manter o controlo do crescimento que a natureza, a cultura e a vida social asseguram ao desenvolvimento das excelências do poeta.

"Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
Chile 12 Jul 1904 // 23 Set 1973
Poeta

Loumari disse...

Muitos não sabem propriamente distinguir a originalidade da excentricidade: uma caracteriza o génio, outra manifesta o louco.
(Fernando Pessoa)

Loumari disse...

Temos que o Saber Conquistar

Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação de que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.

"Mia Couto, in 'E Se Obama Fosse Africano?'
Moçambique n. 5 Jul 1955
Escritor/Biólogo

Loumari disse...

Os maus queixam-se de todos, os bons de poucos, os melhores de ninguém ou de si próprios.
(Marquês maricá)


Queixam-se muitos de pouco dinheiro, outros de pouca sorte, alguns de pouca memória, nenhum de pouco juízo.
(Marquês maricá)


A queixa é uma prostituição do carácter.
(José Marti)

Loumari disse...

Não te Queixes

Não te queixes. Recolhe em ti a amargura, não a disperses, não a esbanjes com os outros. Ela é tua, nasceu de ti, da tua miséria, pertence-te como os ossos e as vísceras. Concentra-te nela, absorve-a, faz dela a tua grandeza. Porque só se é grande pelo sofrimento, não pela futilidade do prazer. As pedras não sofrem, Cristo esteve «triste até à morte». Tem desprezo pelos homens felizes, porque dos homens felizes «não reza a história». Só a dor pode medir o teu tamanho de excepção, só ela pode medir o que tu vales. O sofrimento medíocre não dá mais do que a comédia, mas a grandeza da tragédia só pode atribuir-se aos grandes. Não te aconselho a que vás ao encontro da amargura, mas se ela vier ter contigo, acolhe-a com serenidade. Não sucumbas aos seus golpes, aguenta-os até onde puderes. E se és homem de verdade, tu a aguentarás.
Também as grandes alegrias são do destino dos grandes, porque elas são irmãs dos grandes sofrimentos. Só os pequenos e mesquinhos se alegram e sofrem com o que é mesquinho e pequeno. Aquilo que é pequeno é imperceptível a quem o não é. Que juízo fazem de ti, se sofres com o que é ridículo? Não sofras. As grandes tempestades, a grande luz solar são a medida da Natureza. Que tu tentes contrariar a alegria que te rodeia na nova Primavera e não o conseguirás. A Terra cumpre-se igual em flores e renovação. Não te queixes. Recolhe-te a ti. E o destino do homem que te sagrou será a tua perfeição.

"Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'
Portugal 28 Jan 1916 // 1 Mar 1996
Escritor

Loumari disse...

A caridade é sofredora; é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade; não se ensoberbece;
Não se porta com indecência; não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a VERDADE;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
(1 CORINTIOS 13:4)