sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A crise e seu deprimente espetáculo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marco Antonio Villa

Como é possível um governo lambuzado em dezenas de casos de corrupção, e tendo o seu principal líder acusado de graves crimes, continuar agindo e dirigindo os negócios públicos como se o país vivesse em plena bonança econômica e respeito aos valores republicanos? Vivemos uma situação anômala. O mais estranho é que os dias vão passando, as crises — pois são várias — vão se sucedendo e se aprofundando, mas nada muda. Nada no sentido da interrupção deste perverso processo. É como se estivéssemos condenados ao fogo eterno, cada vez mais quente e mais devastador.

A sucessão das denúncias e as condenações na operação Lava-Jato — quase uma centena, até agora — são recebidas como algo natural, parte intrínseca da política. Diversamente dos Estados Unidos, o nosso destino manifesto seria conviver com a corrupção. Sempre teria sido assim — e sempre será assim. O que em outros países encerraria a carreira de um político aqui passou a ser entendido como um ato falho, de falta de esperteza.

Não é preciso ir muito longe na nossa história ou buscar formas metafóricas para tratar da conjuntura brasileira e de seus personagens. As acusações que pesam sobre Luiz Inácio Lula da Silva não encontram paralelo na nossa tradição e nem na contemporaneidade ocidental. Isto porque, além dos indícios de ocultação de patrimônio denunciados pelo Ministério Público, são estabelecidas relações com o maior desvio de recursos de uma empresa pública da história, o petrolão. E que levaram a Petrobras a uma situação pré-falimentar.

Lula continua agindo como se vivesse em um país imaginário e que sobre ele não pesasse nenhuma acusação ou — o que é pior — fosse inimputável. Quando disse que era a alma mais honesta do Brasil, a afirmação foi recebida como chacota. Mas não: ele acredita que é intocável, como os nossos imperadores de acordo com a Constituição de 1824 — ressaltando, claro, que nenhum deles, Pedro I ou Pedro II, cometeram ilícitos da magnitude do petrolão. Evidentemente que não imagino que Lula leu a Constituição Imperial. Qual o quê. Não leu nem a de 1988 — penso até em sugerir uma edição exclusiva para ele e, para deixar a árdua tarefa mais palatável, poderia colorir artigo por artigo.

Dilma considera que tudo vai bem. Ficou — ou fingiu? — indignada com a avaliação do FMI sobre a economia brasileira. Fala de um Brasil que não existe. As entrevistas com os jornalistas, às sextas-feiras, foram patéticas — patéticos também foram os jornalistas: alguns tiram selfies com a presidente. Estamos na maior depressão econômica da nossa história, e Dilma age como se tivéssemos crescendo a ritmo chinês. A reunião do tal Conselhão — que não tem legalidade constitucional; o que há na Constituição é o Conselho da República, que nunca foi convocado por ela — foi mais um exemplo de dissociação entre o mundo imaginado pela presidente e o cenário de caos econômico que vivemos. O mais patético foram os representantes empresariais que compareceram e legitimaram a farsa.

Teremos um 2016 onde as crises ética e econômica vão se agravar. A Lava-Jato — e outras eventuais operações da Polícia Federal — deverão devassar ainda mais os crimes deste triste método de governança adotado desde 1º de janeiro de 2003. Tudo indica que a economia deve ter um desempenho igual ou pior que 2015, ou seja, a recessão deve chegar a um resultado negativo do PIB próximo de 4%. É como se assistíssemos a um naufrágio de dentro do navio, com acesso aos botes salva-vidas, mas sem que façamos qualquer movimento, inertes, passivos, quase que um suicídio histórico.

O projeto criminoso de poder ainda tem muita lenha para queimar. E estão queimando. Destruíram a maior empresa brasileira. Atacaram com voracidade os fundos de pensão dos bancos e empresas estatais. Agora, estão solapando as bases do FGTS com a complacência das centrais sindicais pelegas. Possuem uma ampla base de apoio que é sustentada pelo saque do Estado. A burguesia petista ainda tem os bancos e benesses oficiais como suas propriedades. Os sindicatos nunca tiveram tanto dinheiro, produto do famigerado imposto sindical. Os tais movimentos sociais sobrevivem com generosas dotações governamentais sem que haja qualquer controle da utilização destes recursos. E são milhares de sindicatos e associações. Isto sem falar em outros setores, como os blogueiros e jornalistas amestrados, os artistas — em tempo: o que Chico Buarque acha do triplex e do sítio do Lula? São tenebrosas transações? Pseudointelectuais et caterva.

Estamos em meio a uma selva escura. E, pior, sem que um Virgílio nos conduza. Fazer o quê? Este é o paradoxo que vivemos. O projeto criminoso de poder nunca esteve tão debilitado, desmoralizado. Sobrevive porque não encontra obstáculos na estrutura legal do Estado — as instituições, diferentemente do que dizem as Polianas, não funcionam —, e inexiste uma oposição política digna deste nome. Há esforços isolados, quando muito. Os líderes oposicionistas não estão à altura do momento histórico. São fracos, dispersivos. Não gostam de serem obrigados a ter de enfrentar o governo e seus asseclas. Preferem o ócio, a conciliação parlamentar.

Acreditam que a Lava-Jato e a gravidade da crise econômica vão, por si só, derrotar a quadrilha que tomou conta do aparelho de Estado. Não entenderam que, assim como o hábito não faz o monge, a crise pode não conduzir mecanicamente a uma queda imediata do petismo. Pode sim empurrar o Brasil para uma depressão econômico-social nunca vista na nossa história. E quando forem assumir o governo, só haverá ruínas.


Marco Antonio Villa é Historiador.

6 comentários:

Loumari disse...

O que é mais ESPANTOSO é esta que na simples observação, o Brasil sempre foi governado por gentes de raça branca.
E há o descaro de parte desta gente dizer que no Brasil não existe a segregação racial?
Em todas as vossas novelas a pessoa de raça negra é sempre relegada a condição de empregada doméstica. E estes mesmos da élite branca têm um veemente repúdio a população índia.
Portanto os índios são mais nativos destas terras do que todos vós.
E os que destruíram e profanaram todas estas terras, os que contaminaram todos rios, que destruíram toda a fauna e flora, não são povo índio. Sois vós, gentes de raça branca. Os que se distinguiram como superiores a todos os outros povos seja negra e seja índio.
Tenham por favor um minimo de decência e de humildade, parem para observar o mal todo que as gentes de raça branca fez e infligiu aos outros povos de raça diferente a deles!
Portanto, Deus que criou os céus e a terra nos ordenou amar-nos uns aos outros. Sermos santos como Ele (Deus) é Santo. Por acaso obedeceram estas ordenanças do Criador Pai de todo o ser humano?
Até hoje, PISAIS os índios; até hoje humilhais os negros. Eles também não os criou Deus? SÃO O ACÚMULO DE TODAS ESTAS PERVERSÕES QUE CAIU SOBRE VÓS ESTAS MALDIÇÕES TODAS. Já chegou a hora de pagar o que deveis. Vós vos fizestes pior do que os Egípcios da época de Faraó. Elite opressora.
Jesus Cristo formulou o seguinte: Bem-aventurados os pobres de espírito. O que isto quer dizer? Os que são definidos como pobres de espírito são aqueles cujo coração é livre de cupidez. Que se aparta da frivolidade, da avareza, que vive sem inveja do outro, que não explora o outro, e que vive em paz e em hormonia com a natureza, que é o jardim do Senhor, onde todos nós somos convidados a viver e preservar.
Portanto, devastaram as florestas; os rios estão todos contaminados de pesticidas, e as porções de rios que passam pelas cidades estão transformados em depósitos de lixos e de cadáveres.
E os que têm a gestão das cidades não são nem negros, nem índios. Mas a vossa dita élite branca. Agora já estão todos malucos e não sabem por qué?
O pobre negro, e o pobre índio, eles não têm nada a perder, pois, eles nunca tiveram nada. Mas vós sim! TENDES TUDO A PERDER. Começar pelo vosso conforto. Agora vão também perder a saúde.

Loumari disse...

Condenação dos ricos opressores

EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, pelas vossas misérias, que sobre vós hão-de vir.
As vossas riquezas estão apodrecidas, e os vossos vestidos estão comidos da traça.
O vosso ouro e a vossa prata (dinheiro) se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá o fogo a vossa carne.
Entesourastes para os últimos dias.
Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifavam as vossas terras, que por vós foi diminuído, clama;
e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do SENHOR DOS EXÉRCITOS.
Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes: cevastes os vossos corações, como num dia de matança.
Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.
(TIAGO 5)


O parecer do seu rosto testifica contra eles; e publicam os seus pecados como Sodoma; não os dissimulam.
Ai da sua alma! porque se fazem mal a si mesmos.
Dizei aos justos que bem lhes irá, porque comerão do fruto das suas obras.
Ai do ímpio! mal lhe irá, porque a recompensa das suas mãos se lhe dará.
Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres estão à testa do seu governo; ah, povo meu!
os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas.
O Senhor se levanta para pleitear, e sai a julgar os povos.
( ISAIAS 3:9 )


Mas eles todos se embruteceram e se tornaram loucos: ensino de vaidades é o madeiro. (JEREMIAS 10:8)

Loumari disse...

EXTREMA CORRUPÇÃO NOS ÚLTIMOS TEMPOS

SABE, porém, isto; que, nos últimos dias, sobrevirão tempos trabalhosos;
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem afecto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;
Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim, também estes resistem a verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto a fé.
Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também, o foi o daqueles.
(2 TIMOTEO 3)

Anônimo disse...

Serrão,

Marco Antônio Villa como sempre bastante lúcido e competente em seus artigos. Comungo com as opiniões dele. Até quando esta nação suportará ser estuprada em sua inteligência? Acorda Brasil!

Índio Tonto/SP

Anônimo disse...

A quanto montam os "valores republicanos"?
10%? 20%? 30%? 40%? - 268,79% ao ano?
O problema do Brasil chama-se "república", a ditadura de agiotas instaurada em 1889.
É pura questão de aritmética.
Quanto custa eleger um poste presidente?
E um vereador de Cabrobó?
Quem paga?

Paulo Robson Ferreira disse...

No final do segundo governo Lula o Banco Central fez um estudo mostrando que as taxas operacionais do Cartão de Crédito no Brasil eram 5 vezes maiores que nos EEUU e que as da CE eram ainda menores que as americanas. Fazendo um comparativo com as nossas, verificava-se que o Brasil dava e ainda dá de presente para os bancos cerca de trinta bilhões anualmente. Pensei, na ocasião, que o Lula ia tomar alguma providência digna de um presidente. Ledo engano, o Lula tomou providência clara de quem também queria participar da farra: colocou mais um atravessador no processo: o cartão CIELO, e as taxas permaneceram nos mesmos patamares. Essas taxas ficam escondidas dos consumidores porque quem as recolhem são os lojistas, mas, é claro, que são repassadas para os consumidores encarecendo o produto (custo Brasil). É muito fácil se avaliar como são aviltantes essas taxas pois são elas que propiciam aos usuários dos cartões viagens gratuitas pelo mundo afora, benefício disponível só para os mais ricos.