domingo, 7 de fevereiro de 2016

Ascensão do Isis (Estado Islâmico)


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo contém excertos dos capítulos “A Ascensão do ISIS e “Em Estado de Negação” do livro “A Origem do Estado Islâmico”, de Patrick Cockburn, no qual o veterano jornalista descreve o dramático conflito por detrás dos acontecimentos desencadeados pela política externa dos EUA. Em seu livro, Cockburn demonstra como o Ocidente criou as condições essenciais para o explosivo sucesso do ISIS ao fracassar na “Guerra ao Terror” no Iraque e fomentar a guerra civil na Síria. O Ocidente – EUA e OTAN em particular – subestimou o potencial das milícias até as últimas evidências e falhou em impedir que os principais patrocinadores do 11 de Setembro continuassem amparando grupos Jihads através da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. A volta da ameaça dos jihadistas está apenas recomeçando.

O ISIS é filho da guerra. Seus membros buscam redesenhar o mundo a partir de si mesmos, por  atos de violência. Sua combinação tóxica, porém eficaz, de crenças religiosas extremas com capacidade militar, é produto da guerra no Iraque desde a invasão norte-americana em 2003 e da guerra na Siria, desde 2011. Exatamente no momento em que a violência declinava no Iraque, foi reavivada na Síria pelos árabes sunitas. É consenso entre os governos e a mídia, no Ocidente, que a guerra civil no Iraque foi reacendida pelas políticas sectárias do Primeiro-Ministro iraquiano Nouri Al-Malik. Na verdade, foi a guerra na Síria que desestabilizou Bagdá, quando grupos jihadistas, como o ISIS, à época chamado de Al-Qaeda no Iraque, encontraram um novo campo de batalha, onde puderam lutar e florescer. Foram os EUA, a Europa e seus aliados regionais na Turquia, Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes que criaram as condições para a ascensão do ISIS. Eles sustentaram um levante sunita na Síria, que se espalhou para o Iraque, Mantiveram a guerra na Síria, embora fosse óbvio, desde 2012, que Assad não cairia.  

Ele nunca controlou menos de 13 ou 14 capitais provinciais da Síria, e foi apoiado pela Rússia, Irã e Hezbollah. Ainda assim, as únicas chances de paz que lhe foram propostas nas conversações de Genebra, em janeiro de 2014, implicavam que deixasse o Poder. Ele não aceitaria e se criaram condições ideais para que o ISIS prosperasse.

Agora, os EUA e seus aliados tentam colocar as comunidades sunitas, no Iraque e na Síria, contra o grupo, mas será difícil, num momento em que esses países estão convulsionados pela guerra. O ressurgimento de facções do tipo Al-Qaeda já não é uma ameaça confinada à Síria, Iraque e vizinhos. O que está ocorrendo nessas nações, combinado com a dominância crescente de crenças wahabitas intolerantes entre as comunidades sunitas, significa que 1,6 bilhão de muçulmanos – quase um quarto da população mundial – serão crescentemente afetados. Parece improvável que os não-muçulmanos, inclusive os ocidentais, deixem de ser atingidos por esse conflito. Após ter transformado a cena política na Síria e no Iraque, o jihadismo ressurgente já produz efeitos remotos na geopolítica global, com conseqüências sobre todos nós.

Para os EUA, a Grã Bretanha e as outras potências ocidentais, a ascensão do ISIS e o Califado são o desastre final. Quaisquer que fossem seus planos na invasão do Iraque em 2003 e os esforços para derrubar Assad na Síria desde 2011, eles não incluíam a criação de um Estado jihadista abrangendo o norte do Iraque e da Síria, dirigido por um movimento cem vezes maior e muito melhor organizado do que a Al-Qaeda de Osama bin Laden. A guerra contra o terror, em nome da qual as liberdades civis foram golpeadas e centenas de bilhões de dólares gastos, fracassou miseravelmente. A crença de que o ISIS está interessado apenas em lutas “de muçulmanos contra muçulmanos” é apenas outro tipo de ilusão.

O grupo mostrou que combaterá qualquer um que não adira à sua variante violenta, puritana e fanática do Islã. O ISIS difere da Al-Qaeda pelo fato de ser uma organização militar bem dirigida, muito cuidadosa em escolher seus alvos e o momento preciso de atacá-los.

Muitos em Bagdá esperavam que os excessos do ISIS – por exemplo, explodir mesquitas que julgam ser santuários, como a de Younis, em Mosul – fossem afastar os sunitas. Em longo prazo, à medida em que o grupo imponha suas normas sociais e religiosas primitivas, isso pode ocorrer. Vale relatar um incidente numa área dominada pelo ISIS, que ilustra o ânimo popular. 

Numa terra de compulsivos tabagistas, as fogueiras de cigarros organizadas pelo ISIS não são populares, mas se opor ao grupo é muito perigoso. Ademais, apesar de sua brutalidade, ele garantiu uma vitória para uma comunidade sunita perseguida e esmagada. .Mesmo os sunitas de Mosul, que não gostam do grupo,temem a volta de um governo iraquiano vingativo e dominado pelos xiitas. Até agora, a resposta do governo de Bagdá à sua derrota foi bombardear Mosul e Tikrit aleatoriamente, o que deixou clara, para os moradores, a indiferença diante de seu bem-estar ou sobrevivência. O medo não vai se alterar, mesmo com a substituição de Malik por um Primeiro-Ministro mais conciliatório.

Um sunita em Mosul, escrevendo logo depois que um míssil disparado por forças governamentais explodiu na cidade, disse-me; “As forças de Malik já demoliram a Universidade de Tikrit. Ela foi reduzida a destroços e pedras. como toda a cidade. Se Malik puser as mãos sobre nós, em Mosul, ele irá matar a população ou transformá-la n uma horda de refugiados. Reze por nós”. Tais visões são comuns e tornam menos provável que a população sunita levante-se contra o ISIS ou o Califado. Um novo e terrível Estado surgiu, e não desaparecerá tão facilmente.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Loumari disse...

Existem em todo o homem, a todo o momento, duas postulações simultâneas, uma a Deus, outra a Satanás. A invocação a Deus, ou espiritualidade, é um desejo de elevar-se; aquela a Satanás, ou animalidade, é uma alegria de precipitar-se no abismo.
(Charles Baudelaire)


A besta que viste, foi e já não é, e há-de subir do abismo, e irá a perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.
(APOCALIPSE 17:8)


"Não será que se refere ao comunismo ditatorial? E nesta geração a Besta vem com várias cabeças e com dinheiro inesgotável. Olhem pelo poder económico e financeiro do Dragão (China)? Dos árabes? Dos illuminatis do imperialismo Yankees (a maçonaria)?

O comunismo ditatorial, a nova ordem mundial, o islam é o mesmo espírito. Este espírito do Diabo. Jesus Cristo trouxe a terra o Espírito Santo, e Satanás quando esteve na terra no século VI deixou na terra o espírito que se chama Diabo. O que a Bíblia chama de joio.
E esta Besta está a conquistar muitos países e congregar-lhes para a batalha contra o Cordeiro. Como precisa aqui a Bíblia:


E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército.
E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre.
E os demais foram mortos, com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo (S. Miguel), e todas as aves se fartaram das suas carnes.
(APOCALIPSE 19:10)


E vi um anjo, que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do GRANDE DEUS:
Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tributos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes.
(APOCALIPSE 19:17)


Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição: sobre este, não tem poder a segunda morte; mas serão SACERDOTES DE DEUS E DE CRISTO, E REINARÃO COM ELE MIL ANOS.
(APOCALIPSE 20:6)


E saiu uma voz do trono, que dizia: LOUVAI O NOSSO DEUS, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes.
E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o SENHOR DEUS TODO-PODEROSO REINA.
Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do CORDEIRO, e já a sua esposa se aprontou.
E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente, porque o linho fino são as justiças dos santos.
Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do CORDEIRO.
(APOCALIPSE 19:5)

Anônimo disse...

O satanista Albert Pike previu as tres guerras mundiais, sendo a terceira propositalmente fomentada entre arabes e judeus para destruir a ambos e suas ideias teistas.