domingo, 7 de fevereiro de 2016

CONÇAGRAÇÃO

Neste carnaval, vamos caçar a Onça, afogar a cobra e fugir do pau, aproveitando a dica da gata Kim Kadashian


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Um amável leitor me aconselhou a esquecer a onça.

Não conçigo meu caro amigo.

Num dueto do L'Elisir d'Amore, Adina pergunta a Nemorino porque a continua seguindo, uma vez que ela já deixou claro não haver esperanças. (ou esperonças?).

Ele responde, numa tradução livre:

“Pergunte ao rio por que gemente da balsa sofre pela vida sabendo que morrerá no mar que o convida.

Dir-te-á que o arrasta um poder, um poder tal que não sei explicar...”

Assim é a Dona Onça. O país lhe deve tanto que não ousemos duvidar.

Para os incrédulos, sugiro a leitura de “Guerra e Paz”; o chefe supremo russo mandava recuar a seus exércitos.

Foi chamado de covarde, de indeciso e de outros termos impublicáveis.

Atraiu Napoleão até o ponto-de-não-retorno, e venceu no final.

Se aqui a coisa tá russa, por que não podemos ter fé na consagração?


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos difíceis...

São muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a força que temos em nós e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de nós... outras vezes são séries infindáveis de pequenos obstáculos no caminho... longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se vê o horizonte.
A agitação permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar referências mais adiante, mas é preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posição mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar... estabelecer os alicerces sobre o que é sólido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal... confiar sempre que há mais vida para lá desta. Que a nossa existência, tal como a conhecemos, é apenas um pedaço.

Lembra-te que não há tantas verdades quantas pessoas, há uma só verdade... e imensas mentiras, erros e imprecisões. Confia na verdade, ainda que não a possas ver ou compreender.

Não vás onde te levam as emoções. Nem vás para onde vão os outros. Constrói o teu plano com base na verdade que és, constrói-te... e sê feliz. Apesar de tudo.

Não penses nunca que, por te escrever estas coisas, saberei mais ou estarei mais adiantado na viagem... não. Sou teu companheiro de caminho e procuro em ti, e através da tua luta, inspiração para a minha. Escrever é algo fácil e vulgar. Importante e determinante é cumprir um projeto de vida, com gestos concretos, sorrindo sempre apesar da vontade de chorar. Chorando, quando assim tem de ser, mas nunca desistindo de acreditar.

Há uma esperança essencial à vida: a fé. Importa cuidar bem desta certeza. O sentido da nossa existência depende dela.

Não desperdices energia a tentar eliminar o sofrimento. Podemos combatê-lo e limitá-lo através da fé, mas o sofrimento faz parte da vida. Fugir dele é escolher não viver. Lembra-te que Deus não está apenas no topo da alegria, está também no fundo da tristeza. Não estás só. Nunca.

Não deixes que o pedregulho diante de ti te impeça de acreditar no horizonte que há para além dele... lembra-te que os obstáculos que encontramos no caminho tantas vezes nos conduzem para alegrias que doutra forma não iríamos abraçar. Não permitas que os longos tempos cheios de pequenos nadas te afastem da certeza da fé no que é pleno, bom e infinito.

Eis a razão da minha esperança: olho para trás e vejo que na vida sempre me foi dado mais do que eu sonhei, que os meus desejos foram pequenos face às maravilhas que se realizaram diante de mim, para mim e em mim... aprendi com tudo isto a esperar pelo melhor, sem saber sequer o que isso significa... Acredito que contigo não será diferente.

O futuro é um reino bem distinto de todos os que podemos imaginar. A única coisa certa é que estamos num caminho que não tem fim.

Não permitas que nada perturbe a tua lealdade ao amor.

Confio em ti e rezo por ti.

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades'
Portugal n. 14 Mar 1971
Filósofo

Anônimo disse...

Senhor Carlos Maurício.
Onça o meu conselho, que lhe dou de graça.
Não onça conselhos de estranhos.
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A Velha Anta amansou a Dona Onça, há muito tempo.
Dona Onça, desdentada e faminta, lá no fundo da mata virgem, junto de seus filhotinhos de cara pintada e fantasia camuflada, sussurra num miasma agônico, saudoso e quase inaudível: SELVAAAAAA!
O Curupira já não conta com a Dona Onça para proteger os bichos brasileiros.
Vão todos morrer queimados no incêndio do bananal-brasil.
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Que Tupã nos ajude!!!!