quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Esculhambomção


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Num país em que a presidanta e todos seus antecessores são suspeitos de malfeitos; todos os congressistas são do tipo “Sou mas quem não é?” salvo honrosas exceções (se as há) e o pseudo judiciário é covarde, corrupto e/ou conivente com a acima citada gente (as exceções são ainda mais raras) ou a dona Onça solta uns bafos ou já entramos no período histórico do título.

Se não pudermos contar com a felina, clamemos com o antigo grito: “Aqui del rei!”

Até o Rei Momo é melhor que esses bostas; e como!

Que Deus permita que dona Onça não nos dê as costas.

Emigrar é fraqueza de covardes. Fiquemos e lutemos.

Morrer na Pátria, pela Pátria e não com a Pátria.

Já estou numa idade em que não me iludo mais com os homens.

Os oficiais que conheci não me pareceram nem pérfidos, nem traidores, nem venais.

Talvez estejam dissimulando por tempo demais.

Prefiro morrer a pensar que me tocou viver um tempo de desengano.

Por São João! Ataquemos.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

7 comentários:

Loumari disse...

Homens Raros
É raro haver homens suficientemente independentes para verem as fraquezas e as tolices dos seus contemporâneos, sem que eles próprios sejam afectados por elas. Os poucos que existem perdem, na maioria, a coragem para tentarem endireitar o Mundo, depois de se terem apercebido da obstinação humana. Só muito poucos conseguem fascinar a sua geração, pelo fino humor e pela graça, levando-a a olhar-se ao espelho, pelo caminho impessoal da arte. Saúdo hoje com cordial simpatia, o maior mestre desse género (George Bernard Shaw), que informou e encantou a todos nós.

"Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'
Alemanha 14 Mar 1879 // 18 Abr 1955
Físico, Teoria da Relatividade

Loumari disse...

A Falsa Sabedoria Política
É reduzido o número daqueles que vêem com os seus próprios olhos e sentem com o próprio coração. Mas da sua força dependerá que os homens tendam ou não a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multidão cega.
Quem dera que os povos vissem a tempo, quanto terão de sacrificar da sua liberdade para escapar à luta de todos contra todos! A força da consciência e do espírito internacional demonstrou ser demasiado fraca. Apresenta-se agora superficialmente enfraquecida para consentir a formação de pactos com os mais perigosos inimigos da civilização. Existe, assim, uma espécie de compromisso, criminoso para a Humanidade, embora o considerem como sabedoria política.
Não podemos desesperar dos homens, pois nós próprios somos homens.

"Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'
Alemanha 14 Mar 1879 // 18 Abr 1955
Físico, Teoria da Relatividade

Loumari disse...

O drama da nossa política é que as pessoas de valor não se querem misturar com os medíocres e acabamos por só ficar com estes últimos.
(Ricardo Reis)


A descredibilização que atinge a política não é pontual nem subjectiva. É um processo que ultrapassa as circunstâncias, os partidos e as personalidades. E que radica na constatação quotidiana que os políticos, seja qual for a sua ideologia, não são capazes de resolver os principais problemas do mundo, seja no domínio do emprego ou da saúde, da educação ou da finança.
(Manuel Maria Carrilho )


As ditaduras e os ditadores não caem do céu - e a falta de qualidade das democracias também não. Temos o país que escolhemos, sim.
(Inês Pedrosa)


Há qualquer coisa de podre, há qualquer coisa de decadente e de vil neste tempo. Repare-se no rosto dos que estão no poder, e no daqueles que estão preparados para os substituir. Sempre aquelas caras que pouco se alteram. Sempre os mesmos hábitos. Sempre o mesmo sarro da aldrabice, da dissimulação, do desdém por todos nós.
(Baptista Bastos)


Se o valor moral tem atenuantes, dependendo o juízo das circunstâncias, então, aceitemos a política como práticas de mentira para cada ocasião.
(Baptista Bastos)


O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.
(Marguerite Yourcenar)

Loumari disse...

A Prisão do Orgulho
Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Índia 7 Mai 1861 // 7 Ago 1941
Escritor/Poeta/Músico

Loumari disse...

Controlar a Vida a 360 Graus
Vivemos numa sociedade dominada cada vez mais pelo mito do controlo. E o seu postulado dogmático é este: a receita para uma vida realizada é a capacidade de controlá-la a 360 graus. Não percebemos até que ponto uma mentalidade assim representa a negação do princípio de realidade. Isto para dizer como somos pouco ajudados a lidar com a irrupção do inesperado que hoje o sofrimento representa. Sentimos a dor como uma tempestade estranha que se abate sobre nós, tirânica e inexplicável. Quando ela chega, só conseguimos sentir-nos capturados por ela, e os nossos sentidos tornam-se como persianas que, mesmo inconscientemente, baixamos. A luz já não nos é tão grata, as cores deixam de levar-nos consigo na sua ligeireza, os odores atormentam-nos, ignoramos o prazer, evitamos a melodia das coisas. Damos por nós ausentes nessa combustão silenciosa e fechada onde parece que o interesse sensorial pela vida arde. «A dor é tão grande, a dor sufoca, já não tem ar. A dor precisa de espaço», escreve Marguerite Duras nas páginas autobiográficas do volume a que chamou «A Dor». E descobrimo-nos mais sós do que pensávamos no meio desse incêndio íntimo que cresce. Nas etapas de sofrimento a impotência parece aprisionar enigmaticamente todas as nossas possibilidades. E colocamos em dúvida que este limitado corpo que somos seja o lugar para viver a nossa aventura total ou um fragmento dela que seja significativo. Precisaríamos de recursos que nos capacitassem a vivenciar a incapacidade, provocada pela dor, com outro ânimo e outro olhar.

José Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante'
Portugal n. 15 Dez 1965
Padre/Teólogo/Poeta

Loumari disse...


Viver em Estado de Amor

Respirar, viver não é apenas agarrar e libertar o ar, mecanicamente: é existir com, é viver em estado de amor. E, do mesmo modo, aderir ao mistério é entrar no singular, no afetivo. Deus é cúmplice da afetividade: omnipotente e frágil; impassível e passível; transcendente e amoroso; sobrenatural e sensível. A mais louca pretensão cristã não está do lado das afirmações metafísicas: ela é simplesmente a fé na ressurreição do corpo.

O amor é o verdadeiro despertador dos sentidos. As diversas patologias dos sentidos que anteriormente revisitámos mostram como, quando o amor está ausente, a nossa vitalidade hiberna. Uma das crises mais graves da nossa época é a separação entre conhecimento e amor. A mística dos sentidos, porém, busca aquela ciência que só se obtém amando. Amar significa abrir-se, romper o círculo do isolamento, habitar esse milagre que é conseguirmos estar plenamente connosco e com o outro. O amor é o degelo. Constrói-se como forma de hospitalidade (o poeta brasileiro Mário Quintana escreve que «o amor é quando a gente mora um no outro»), mas pede dos que o seguem uma desarmada exposição. Os que amam são, de certa maneira, mais vulneráveis. Não podem fazer de conta. Se apetece cantar na rua, cantam. Se lhes der para correr e rir debaixo de uma chuvada, fazem-no. Se tiverem subitamente de dançar em plena rua, iniciam um lento rodopio, sem qualquer embaraço, escutando uma música aos outros inaudí vel. E o amor expõe-nos também com maior intensidade aos sofrimentos. Na renovação do interesse e da entrega à vida que o amor em nós gera tocamos mais frequentemente a sua enigmática dialética: a sua estupenda vitalidade e a sua letalidade terrível. Mas, como dizia o romancista António Lobo Antunes, «há só uma maneira de não sofrer: é não amar». Mas não é o sofrimento inevitável a todo o amor que impede a vida. O obstáculo é, antes, o seu contrário: a apatia, a distração, o egoísmo, o cinismo.

José Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante'
José Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante'
Portugal n. 15 Dez 1965
Padre/Teólogo/Poeta

Anônimo disse...

Vade retro, Satanás!