segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

História de como se vivia em São Paulo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Fundada em 1554, no início, a vida na ínfima povoação era de absoluta precariedade.

Assim, vamos iniciar nosso relato em 1.822.

Um príncipe, da mais alta nobreza europeia, visita aquela agrupação de apenas 10.000 habitantes. Encanta-se com o valor de sua gente.

Declarada a Independência, outorga-lhe uma escola; a academia de Direito.

Um ilustre professor, José Luiz de Almeida Nogueira, quase cem anos depois, descreve a vida dos estudantes, e reúne as crônicas publicadas no jornal “Correio Paulistano”, em nove volumes sob o título “A Academia de São Paulo, Tradições e Reminiscências ”. Retrata os anos de 1828 a 1911.

A editora Saraiva publicou uma edição mais recente. (1977)

Já no século XX, Oswald de Andrade nos brindou com seu livro “Um homem sem profissão”. Descreve o modus vivendi até os anos sessenta.
I.S.B.N.
8525036129

Não deixem de ler o “Encontro Desmarcado” de Luiz Seraphico.

Finalmente, deliciem-se com a “A Insólita Metrópole” de Paulo Bomfim, o atual Príncipe dos Poetas Brasileiros. ISBN: 8574806366

Se possível, leiam nessa ordem.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Loumari disse...

A Vida Vazia da Cidade

Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.

"Leon Tolstoi, in "Sonata a Kreutzer"
Russia 9 Set 1828 // 20 Nov 1910
Escritor

Loumari disse...

A Liberdade Nunca é Real

Se examinarmos um indivíduo isolado sem o relacionarmos com o que o rodeia, todos os seus actos nos parecem livres. Mas se virmos a mínima relação entre esse homem e quanto o rodeia, as suas relações com o homem que lhe fala, com o livro que lê, com o trabalho que está fazendo, inclusivamente com o ar que respira ou com a luz que banha os objectos à sua roda, verificamos que cada uma dessas circunstâncias exerce influência sobre ele e guia, pelo menos, uma parte da sua actividade. E quantas mais influências destas observamos mais diminui a ideia que fazemos da sua liberdade, aumentando a ideia que fazemos da necessidade a que está submetido.
(...) A gradação da liberdade e da necessidade maiores ou menores depende do lapso de tempo maior ou menor desde a realização do acto até à apreciação desse mesmo acto. Se examino um acto que pratiquei há um minuto em condições quase as mesmas em que me encontro actualmente, esse acto parece-me absolutamente livre. Mas se aprecio um acto realizado há um mês, ao encontrar-me em circunstâncias diferentes, a meu pesar, se não tivesse realizado esse acto, não existiriam muitas coisas inúteis, agradáveis e necessárias que derivam dele. Se me translado com a memória a um acto mais remoto, a um acto de há dez anos ou mesmo mais, então as suas consequências ainda se me apresentarão mais evidentes e ser-me-á difícil representar-me seja o que for, caso aquele acto remoto nunca tivesse existido.
Quanto mais retroceder na minha memória, ou, o que vem a dar na mesma, quanto mais projectar no futuro o meu juízo, tanto mais duvidosos me parecerão os meus raciocínios acerca da liberdade do acto realizado.

"Leon Tolstoi, in 'Guerra e Paz'
Russia 9 Set 1828 // 20 Nov 1910
Escritor

Loumari disse...

O Homem não é Sempre Igual

Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante. Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido. No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos.

"Leon Tolstoi, in "Ressurreição"
Russia 9 Set 1828 // 20 Nov 1910
Escritor


Loumari disse...

Para sermos livres não podemos estar em casa. Até pareço Jesus Cristo - deixa a tua família e segue-me.
(Paul Theroux)