segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Por que não me ufano de ser economista


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por AC Portinari Greggio

Quando perguntam minha profissão, francamente fico embaraçado.
Formei-me em Ciências Econômicas, mas até hoje não sei se sou economista; ou melhor, se devo aceitar esse título.

Tendo acompanhado mais ou menos atentamente a economia brasileira e internacional nos últimos cinquenta anos, a única coisa que aprendi com certeza foi a não confiar nos meus colegas de profissão.

Ou melhor, a não confiar no que dizem e ensinam.

Não vou elaborar esse assunto, para não aborrecer os caros companheiros.

O objeto desta mensagem é apenas citar um exemplo dos mais curiosos.

Recentemente, dois economistas propuseram ao resto do mundo uma brilhante idéia: tributar o carbono.

Sim, o carbono, aquela substância preta que se apresenta sob milhões de formas diferentes, inclusive nós próprios, seres humanos, que não passamos de complicados arranjos de moléculas orgânicas - carbono, já se vê.

Como seria esse imposto?

Seria lançado sobre o petróleo, o gás natural e o carvão, as três fontes básicas de energia térmica disponíveis no mundo civilizado.

Mas, já não existe no Brasil um imposto único sobre combustíveis e lubrificantes?

Sim, existe. Mas o imposto sobre o carbono não se confundiria com o imposto único, nem pretenderia substituí-lo. Este continuaria a ser cobrado como sempre.

O imposto sobre o carbono seria cobrado com outra finalidade: salvar o mundo do aquecimento global e do efeito estufa, o qual transformará a Terra num enorme forno giratório dentro de poucos anos, se tudo continuar como vai - ou, como dizem os economistas, coeteris paribus.

Vamos ver um exemplo com o petróleo.

O petróleo extraído no Golfo Pérsico (ou Golfo Arábico, como querem os árabes) custa uma ninharia na boca do poço. Algo ao redor de dois ou três dólares por barril.

Mas, devido à lei da oferta e da procura, o mesmo petróleo era vendido a 80 ou até a 100 dólares por barril.

O mundo se acostumou com esse nível de preços.

Nos países consumidores, economizar petróleo passou a ser necessidade tão premente que fez surgirem maravilhosas inovações tecnológicas, as quais permitiram que a economia mundial absorvesse o custo do combustível e se tornasse extremamente eficiente. A mesma quantidade de energia pode ser gerada com muito menos petróleo.

Assim, num cenário de permanentes preços altos, toda a economia se adaptou e passou a funcionar com base nessa mesma premissa - preços altos de energia.

Essa situação ajudou os países produtores de gás e petróleo.

Sem nenhum esforço ou trabalho, cada barril de petróleo que jorrava dos poços produzia margem líquida de 70 ou 80 dólares.

A galinha dos ovos de ouro.

Mas as coisas mudaram.

Recentemente, os preços do petróleo desabaram para menos de 30 dólares por barril.

Para os produtores mais eficientes, como os países árabes do Golfo, a queda de receita das exportações de petróleo e gás é dura, mas suportável.

E traz algumas vantagens estratégicas. Primeiro, põe em xeque o arqui-rival Irã, que também tem petróleo barato mas enorme população improdutiva, cujo custo ultrapassa a receita do petróleo e põe o país no rumo da inviabilidade. Segundo, mata no nascedouro o pré-sal do Inácio.

Terceiro, prejudica a crescente produção de gás de xisto nos Estados Unidos, na Europa e em Israel. E outras mais, que não vamos listar aqui.

Mas, estranhamente, para os países consumidores, que deveriam lucrar e prosperar com o petróleo barato, a nova situação não os ajuda a sair de sua crônica crise econômica. Ao contrário, parece agravá-la. Pelo menos é isso que pensam alguns economistas.

Há explicação para esse falso paradoxo, mas não vamos entrar nesse assunto.

O que nos interessa é a brilhante solução desse não-problema, bolada pelos dois economistas.

É assim.

Todos os governos dos países consumidores estabeleceriam um imposto inversamente proporcional ao preço do petróleo com relação a um patamar de referência.

Esse patamar seria fixado em comum acordo pelos países importadores e consumidores de petróleo e gás.

Por exemplo.

Digamos que  o patamar seja o preço de 100 dólares por barril. Se o petróleo estiver a 100 dólares por barril, o imposto será de 0%, ou seja, zero.

Se o petróleo cair para 30 dólares por barril, o imposto será de 233%, de modo que o preço final para o consumidor continue a ser de 100 dólares por barril. Nesse caso, o imposto geraria receita de 70 dólares/barril para o governo.

Se o preço do petróleo for 50 dólares/barril, o imposto será de 100%, com o mesmo efeito: custo de 100 dólares/barril para o consumidor, receita de 50 dólares/barril para o governo.

Qual a finalidade, e a vantagem, desse tributo?

Segundo a dupla de economistas, a vantagem seria que a economia continuaria a pagar 100 dólares/barril pelo petróleo, de modo que não haveria - segundo eles - nenhum "choque" de preço baixo.

Tudo continuaria a funcionar a contento porque, afinal, a economia está "acostumada" ao preço alto, e costumes, todos sabemos, devem ser respeitados.

Para o governo, segundo os mesmos economistas, a finalidade da imensa arrecadação seria fornecer recursos para combater o carbono e o aquecimento global.

Apesar de haver cientistas sérios que negam esse aquecimento, e denunciam essa campanha como gigantesca vigarice.

E do fato de que os mais famosos adeptos do aquecimento global são tipos como Maurice Strong, Al Gore, Papa Francisco, Frei Bofe, mais uma multidão de celébritis, nobéis, roqueiros, ongueiros, etc.

Tenho dúvidas e perguntas sobre os efeitos que esse tributo teria sobre economias que já estão, desde os saudosos tempos do petróleo caro, em crise. Acho que a crise atual não tem nada que ver com preços do petróleo. E, cá entre nós, não consigo imaginar como é que energia barata pode ser prejudicial ao crescimento da economia mundial. Sempre achei que era o contrário.

Eu me preparava para contestar a proposta dos dois economistas, mas ao terminar de ler o seu texto, deparei-me com seus nomes. E achei que nem seria necessário discutir o assunto.

Os nomes deles (prestem atenção): Kermais Davis, ex-ministro da Economia da Turquia, e Karim Foda, analista da Brookings Institution. 


AC Portinari Greggio é Economista.

2 comentários:

Martim Berto Fuchs disse...

O perigo deste artigo, é o Babosa e o Trombada pedirem para a Anta fazer uma Medida Perigosa e passarem à cobrar o imposto de imediato.
Deste trio "maravilha" pode-se esperar de tudo e mais um pouco.
Da minha parte, diante do desespero do trio, passarei a guardar as economias debaixo do colchão. Depois que a Receita Federal começar a bisbilhotar as contas bancárias dos completamente contrários ao ORCRIM, vá que eles comecem à considerar poupança acima de mil reais como classe média alta e cobrar na base do quanto menor o valor maior será o imposto ?
Dos ricos eles desistiram de cobrar, pois os mesmos já avisaram, que se não pararem com essas ameaças, fecham a torneira do propinoduto.
De onde então que a ORCRIM vai arrumar grana para continuar com a farra ? De nós, os otários de sempre.
Se eles tomarem mil reais de cada otário, multiplicado pelos 100 milhões de otários, está resolvido o problema de caixa do Partido dos Empregados (públicos), ex-Partido dos Trabalhadores, que nunca trabalharam.

QUENEDI JOSÉ FRANCESCHET disse...

Aqui no Brasil, nem com petróleo a U$ 10,00 o barril vamos ter gasolina barata, veja que já estamos a frente destes economistas, como sempre o Brasil dos Petralhas corruptos, em se tratando da apropriação indevida dos R$ dos brasileiros, são extremamentes eficientes, como diz, gerar riqueza não é com esta Turma de Corruptos, o negócio delles e usufruir das riquezas que os outros produzem....