sexta-feira, 11 de março de 2016

A proposição fundamental do Marxismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A proposição fundamental do marxismo é a de que em cada época histórica o modo de produção prevalecente e a organização social que necessariamente está vinculada a esse modo de produção são a base sobre a qual se constrói o Estado.

E que, por conseguinte, toda a história humana tem sido a história das lutas e conflitos entre os exploradores e os explorados, entre as classes dominantes e as classes dominadas, e que a história dessas lutas configuram uma evolução, dentro da qual, em nosso tempo, chegamos a um estágio no qual a classe oprimida e explorada - o proletariado – não pode conseguir sua emancipação do domínio da classe exploradora e opressora – a burguesia – sem, por sua vez, e para sempre, emancipar toda a sociedade de toda exploração, opressão e diferença entre as classes.
Essa idéia e seu desenvolvimento são o marxismo.

Suas suposições implícitas são as seguintes:

- a suposição, infundada, de que houve um comunismo primitivo e que essa condição feliz e não antagônica da sociedade humana foi perturbada pela aparição, acidental e perversa, em um momento posterior, da propriedade privada;

- a proposição, falsa na prática, de que a abolição da propriedade privada, devolveria automaticamente à sociedade a beatitude e harmonia primitivas. Sobre esse ponto, o Manifesto Comunista é explícito: “O socialismo pode ser resumido em uma frase: abolição da propriedade privada”;

- a teoria da polarização da luta de classe, até que reste apenas as presenças da burguesia e do proletariado;

- a predição da pauperização do proletariado;

- a proposição da factibilidade da abolição da economia monetária, do comprar e do vender, uma vez extinta a propriedade privada;

- o reconhecimento implícito de que para iniciar a transformação da “sociedade de antagonismos” em “sociedade sem classes”, será necessário, num primeiro momento, o uso despótico do Poder, uma ditadura (o adjetivo “despótico” está escrito no Manifesto Comunista);

- a teoria, falsa, da desnacionalização de toda a sociedade;

- a teoria, falsa na prática, da asfixia das forças produtivas potenciais da sociedade industrial pelo modo de produção capitalista;

- a suposição de que a liberação das chamadas forças produtivas, ao abolir-se a propriedade privada, daria lugar a tal abundância de materiais que a curto prazo o socialismo conduziria ao comunismo, sob o qual, cada um, terá tudo “segundo suas necessidades’.

É mais do que evidente que, exceto quanto a previsão de um despotismo necessário, demonstrado abundantemente, não se cumpriu nenhuma das previsões do marxismo. Um exemplo é o desrespeito, por parte dos próprios marxistas, a uma das proposições centrais de Marx: “Nenhuma ordem social desaparece antes do desenvolvimento pleno das forças produtivas que potencialmente contém, e as novas e mais altas relações de produção jamais aparecem antes que as condições de sua existência material se tenham desenvolvido na matriz da velha sociedade”.

A concepção materialista da História alega que a base material condiciona as transformações históricas.

A burguesia, embora não detivesse o poder político, possuía o poder econômico, e aí condicionou sua ação para ultrapassar o feudalismo.

O proletariado não tem poder econômico e nem político. Também não tem base material, pois os chamados meios de produção estão nas mãos da burguesia. Tem, no entanto, segundo a teoria marxista-leninista, a consciência de classe que, graças à liberalização das leis dos Estados não-comunistas, lhe é introduzida pelos aparatos profissionais dos Partidos Comunistas. Munido dessa força subjetiva, o proletariado fará a sua revolução, conclui a doutrina.

O que resta da explicação econômica da História, tida como científica, se qualquer país – Cuba, por exemplo – desde que um grupelho dirigente de barbudos adote a ideologia marxista e receba armas soviéticas, pode começar a construir o socialismo, qualquer que seja o estado de suas forças produtivas?

Existe a possibilidade de uma organização marxista da sociedade que não caia no stalinismo?

Pode a abolição da propriedade privada resultar em algo diferente do despotismo?

São essas as questões do nosso tempo. São essas as perguntas que deixo para o meu pequeno grupo  de leitores. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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