domingo, 20 de março de 2016

Ardendo contra nossa juventude


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Silas Ayres

Quando menino, lá em Pilares havia uma serraria que amontoava a serragem num terreno ao lado. Acostumávamos ao passar por nos jogarmos no monte que se formava com o material da serraria. Brincadeira de moleques.

Um dia, um amigo mais afoito à frente de todos pulou de pés juntos na montanha de serragem. Um grito de dor lancinante nos fez perceber que havia algo errado. Corremos para tirá-lo de lá com o cuidado de não colocarmos nenhuma parte dos nossos corpos na serragem. Quando o retiramos seus pés eram uma bolha só. Ainda carrego comigo essa lembrança mesmo após tantos anos passados.

Por debaixo da superfície do monte, um braseiro ardia sem que pudéssemos perceber, pois a aparentemente tudo estava de acordo com o que sempre víamos.

Faço desta história (mais uma) uma metáfora da atual conjuntura política do país.

Na aparência, na superfície vemos o que sempre vemos. Grupos políticos se digladiando pelo poder pelo poder, numa luta sem muita ética, com cambalachos, conspirações e multidões se colocando de um lado ou do outro.

Mas por debaixo dessa aparente, mas real, luta de interesses egoístas, existe um braseiro ardendo. Temos uma sociedade onde o consumismo é estimulado, mas que só pode ser concretizado caso haja emprego e renda. Mas ao mesmo tempo, temos uma sociedade onde o trabalho começa a ser descartado pela a inovação tecnológica e científica, na qual o crescimento econômico só poderá ser reativado pelo desmonte dos direitos sociais e o avanço sobre a natureza de forma desordenada e predatória.

Que projetos estão sendo discutidos para dar conta de uma juventude que nem trabalha e nem estuda, os NEM, NEM (milhões, segundo o IBGE)? Que projetos estão sendo debatidos para uma multidão de desempregados, em sua maioria de jovens e velhos?

O que fazer com as periferias enganadas com promessas de entrar na sociedade de consumo, mas que só estão encontrando a violência policial, do tráfico e das milícias, cada vez mais donas de territórios?

Somente pequenos grupos de ativistas pensam sobre isto, mas que é ignorado pelos políticos em luta pelo poder e o aparelhamento do estado por suas facções.

Por debaixo de uma aparente solução de troca de políticos ou partidos no aparelho de estado, temos um braseiro que arde e exige que se desvende a crise de um sistema, cada vez mais patente que não tem solução para a situação.

É preciso se buscar as verdadeiras causas da crise, esmiuçá-las, e propor algo muito radical para que a sociedade busque soluções que levem em conta tudo que a modernidade trouxe de ruim e de bom, que se aproprie das inovações e da ciência em prol do homem, que se rume para uma sociedade emancipada, criativa e solidária.


Silas Ayres é Professor de História. Originalmente publicado no Facebook do autor em 19 de Março de 2016.

Um comentário:

Loumari disse...

CAMBALACHE

Que el mundo fue y será una porqueria, ya lo sé...
En el quinientos seis y en el dos mil también!
Que siempre ha habido chorros, maquiavelos y estafados,
contentos y amargados, varones y dublé...
Pero que el siglo veinte es um despliegue de maldade insolente
ya no hay quien lo niegue.
Vivimos revolcados en un merengue y en el mismo lodo todos manoseados...

Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor!
Ignorante, sabio, chorro, generoso o estafador!
Todo es igual! Nada es mejor!
Lo mismo un burro que un grande profesor!
No hay aplazados ni escalofon,
los inmorales nos han igualado.
Si uno vive en la impostura y otro roba en su ambicion,
dá lo mismo que sea cura, colchonero, rey de bastos,
carandura o polizon...

Que falta de respeto, qué atropello a la razon!
Cualquiera es un senhor!
Cualquiera es un ladron!
Mezclado com Stavisky va Don Bosco y " La Mignon"
Don Chico y Napoleon,
Carnera y San Martin...

Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches se ha mezclado la vida
y herida por un sable sin remache
ves llorar la Biblia
contra un calefon.

Siglo veinte cambalache problematico y febril...
El que llora no mama
y el que no afana es un gil.
Dale no más! dale que vá!
Que allá en el horno nos vamos a encontrar!
No pienses más, sientate a un lado.
Que a nadie importa si naciste honrado.
Es lo mismo el que labura noche y dia,
como un buey, que el que vive de los otros,
que el que mata, que el que cura,
o está fuera de la ley


https://youtu.be/vtvAAXwCmq4