sexta-feira, 25 de março de 2016

Destruição da Vida




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

A reflexão que o escrito faz é no sentido da banalização da vida e de sua destruição nos últimos anos no contexto da humanidade. Tempo de quaresma, de morte e crença na ressurreição. No entanto, múltiplos ataques desde as torres gêmeas, passando por vários Países europeus, um avião da germanwings que se joga contra os rochedos dos alpes, e tudo isso é um retrato do quanto a vida tem sido desprezada, amesquinhada e dissociada do seu valor supremo.

Esses modos de destruição não são apenas dessa realidade. Muitos governantes acabam esfomeando a sociedade, deixando-a sem emprego e violando a dignidade humana. O mesmo se passa com os refugiados de todo o mundo que não conseguem sobreviver em territórios de guerra e se afunilam na Europa causando preocupação e acampamentos para sustentação da própria miséria.

A vida que deveria ser alçada a categoria máxima da perfeição e da criação passa a ser destruída literalmente. Não há mais paz, sossego e alegria. As pessoas sisudas, caladas e preocupadas com o destino. E no Brasil não é diferente. Momentos singulares, complexos de pouca dignidade na política. Uma lista gigante  na qual quase todos os partidos participam e cerca de 300 parlamentares. O que podemos extrair dessa situação?

A globalização fragilizou o estado e tornou as macroempresas super companhias e elas dirigem o comando estatal e fazem da classe política mera protagonista de suas vontades. E nos países emergentes não poderia ser diferente. O estado está escravizado pelas grandes empreiteiras, montadoras e grandes multinacionais, as quais ritmizam o que pretendem e o lucro que almejam, tais como laboratórios, redes de saúde, planos, em todos os pontos e aspectos o lucro é exacerbado proporcional inversamente ao grau de miserabilidade da população.

E o governo pratica a destruição da vida quando não controla o desemprego, ao tempo de permitir uma inflação, corroendo os salários, descompassando o meio ambiente, propagando dengue, influenza, e todas as doenças contagiantes. E o leque é de se criar um antagonismo entre o pessoal do bem e aqueles retrógrados representando o golpe. Mas não há maior golpe do que do desemprego, da falta de comida no prato, de exclusão social, de fechamento de milhares de empresas e empregos, tudo isso é dramático e simboliza a própria destruição da vida. Pessoas agem em estado de descontrole e forma violenta quando o Estado é incapaz de gerar e distribuir a riqueza, somente se ocupa da tributação e de interesses de eleição.

O Brasil é o único País jabuticaba no qual o magistrado incansável que luta contra a corrupção e com a força tarefa, ambos são acusados de desemprego e crise econômica, quanto absurdo, o governo atual quebrou a Petrobrás, destruiu o setor elétrico, fechou empresas, fez o cambio subir, reduziu a participação  no mercado estrangeiro e conseguiu inexplicável e incredulamente gerar dois produtos internos brutos negativos.

Estamos passivamente assistindo as dezenas de formas de destruição da vida e a pior delas é gerada no seio do governo incompetente, corrupto e incapaz de enxergar e corrigir suas próprias falhas, ditando um rumo para a Nação, em absoluto estado de insatisfação.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Loumari disse...


- Comentário de Alfredo Barroso
Lembro-me perfeitamente de ter ido assistir, no início de 2003, num rest...aurante das Cortes (Leiria), a uma conferência do cardeal José Policarpo (1936-2014), integrada num ciclo de conferências promovido pela Fundação Mário Soares, numa altura em que se temia a invasão do Iraque pelas tropas dos EUA, do Reino Unido e de outros 'aliados', por decisão de Bush filho e de Tony Blair (acolitados por Aznar e Durão Barroso).
O cardeal Policarpo, manifestando a sua preocupação em relação a essa ameaça iminente, afirmou que, se a invasão se consumasse, seria como o Ocidente «dar um pontapé num vespeiro» que se tornaria «incontrolável». Seria como «abrir a caixa de Pandora» e desencadear todos os males nela contidos.
Infelizmente, foi o que veio a acontecer, alastrando a todo o Médio Oriente. Primeiro o Iraque, depois a Líbia, a seguir a Síria, abrindo as portas à Al-Qaeda (que nem sequer existia no Iraque) e dando origem, já em 2014, ao nascimento do terrível Exército do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, hoje mais conhecido por Daesh.
Claro que o cardeal Policarpo juntava assim a sua voz a muitos que, tal como ele, receavam que o pior acontecesse. Eu era, nessa altura, colunista do Expresso, e nunca me cansei - até ser 'dispensado' pelo então director do semanário, José António Saraiva - de denunciar o significado e as consequências dessa agressão brutal e injustificada (como está bem patente no livro que publiquei em 2005). Não me espanta, por isso, que continuem a ocorrer, e não apenas na Europa, atentados 'terroristas' brutais, que provavelmente nunca teriam ocorrido, pelo menos com esta dimensão e frequência, se o Ocidente não tivesse dado um «pontapé no vespeiro» e não tivesse, assim, aberto a «caixa de Pandora».