quinta-feira, 3 de março de 2016

Foram, são e serão


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Nota-se uma recorrência do minúsculo prefixo “ex”, principalmente quando é maior o interesse de alguém em libertar-se das amarras de uma relação partidária, atualmente, incômoda.

O uso dessa palavrinha, muitas vezes indevido, é natural num país onde os políticos pulam a cerca do quintal do vizinho, para não exalar no seu os nauseabundos odores da militância, e posar de regenerados numa futura caça aos votos. E a defesa é sempre a indefectível alegação de “ex”, como se as duas letrinhas os tornassem recém-nascidos no mundo da jogatina do poder.


Estamos numa terra em que tudo se plantando dá e em que tudo de negativo se transforma em positivo, para satisfação quase geral.

Que Lula seja chamado de “ex-presidente” é um fato, dolorosamente negativo na nossa História, mas aconteceu, e não podemos negar que exerceu essa função. Mesmo que fosse, apenas, para locupletar-se com os cofres públicos e arrebanhar dividendos de empresários tão inescrupulosos quanto inescrupuloso foi, e continua sendo. Nesse caso, jamais poderá ser chamado de “ex”.

O canalha, o ladravaz, o corruptor, o cínico, o sem caráter já nasce com o sangue envenenado pela torpeza, portanto, é, foi e será.

Está lá a cara encharcada do sempre estroina na galeria dos que já foram presidentes, ridicularizando a nossa história republicana, com a chicana de sua presença, mesmo que pendurado numa parede. O que choca é ver a faixa presidencial envolvendo não um abdome, mas um barril inflamável, desmoralização de nossa frágil nação, desprezada por parte considerável de um povo que nunca foi povo.

Dizer que a comandante em chefe, substituta de um ex-presidente, eterno crápula, será, em breve, também, ex-presidente, é outro fato inegável, realidade terrível, fruto da compatibilidade de comportamento e de inteligência com seus comprados eleitores. Mas chamá-la de “ex-guerrilheira” é desconhecer que foi uma decisão pessoal da juventude pegar em armas, por abnegação ao mal, por tendências mercenárias e ácida lavagem cerebral.

Ré confessa, continua guerrilheira. À guisa de fuzil, empunha a caneta, assinando a entrega da nação, entrincheirada em dois Palácios. No Planalto ou no Alvorada, espera a decisão final para dar voz de comando aos remunerados desocupados, em atividade nos conhecidos campos de treinamento, para a demolição definitiva. Sim, esses são os verdadeiros defensores da soberania, porém, da madame.

Só ignoram, só não veem os ingênuos, os enquadrados no esquema, os camaleônicos que acreditam na estabilidade institucional e irão aguardar o momento final, avaliar o lado mais rendoso e então lutar pela liberdade, pela pátria amada, pelo estado democrático de direito, etc., etc., etc.


Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa.

Nenhum comentário: