terça-feira, 29 de março de 2016

Lacerda, antes, durante e depois de 31 de março de 1964


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Dia 31, quinta-feira, nós, brasileiros, estaremos comemorando a Revolução de 31 de Março de 1964. Portanto, nada melhor do que recordarmos as palavras de um dos seus mais destacados defensores: “O comunismo é um sistema de Poder totalitário no qual uma casta burocrática e privilegiada, reunindo pela primeira vez no mundo moderno todos os instrumentos do Poder nas mesmas mãos, possui, ao mesmo tempo, os meios de produção e de troca e todos os meios de enquadramento político e cultural, dos quais se serve ditatorialmente.”

Eis uma síntese para recordar o que o maior brasileiro de seu tempo, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, escreveu no prefácio do livro "Em cima da Hora”, de Suzanne Labin, editado no Brasil em 1964, traduzido por ele antes de março de 64.

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 Antes, durante e depois da crise, o Governador Lacerda esteve no centro dos acontecimentos. E, como é de seu feitio, pronunciou-se diversas vezes com a maior veemência. Na tarde do dia 1º de abril, anunciando ao povo a vitória das forças comandadas pelo General Olímpio Mourão Filho, o Governador da Guanabara fez declarações através do rádio, declarações que constituem verdadeira súmula do que ele dissera até então.

Depois de se dirigir às donas de casa, pedindo-lhes que se mantivessem calmas, o Governador passou a analisar o Sr. João Goulart, seu Governo e as causas que determinaram a necessidade do seu afastamento. “De herdeiro de alguns hectares de terra, transformou-se, em poucos anos, em proprietário de mais de 550 mil hectares – uma área igual a quatro vezes e meia o território da Guanabara.”

E prosseguiu: “Associado do Sr. Wilson Fadul (que por isso foi ser Ministro da Saúde, e não porque seja um cientista), em quatro anos, com dinheiro do Banco do Brasil, e com dinheiro cuja origem não explica, o Sr. João Goulart transformou-se num dos homens mais ricos deste País, com três bois por hectare em suas fazendas”.

“O Sr. João Goulart é um leviano que nunca estudou – e não estudou porque não quis, não é porque não pôde. E agora, no Governo do País, queria levar-nos ao comunismo.”

Explicando que discordara da investidura do Sr. João Goulart na Presidência da República, mas terminara aceitando-a, disse o Governador Lacerda: “Eu o conhecia bem. Mas, como bom democrata, submeti-me à vontade da maioria, quando entrou em vigor a fórmula do Parlamentarismo. Mas o Sr. João Goulart não queria governar. Adulava, de dia, os trabalhadores que condenava ao desemprego, de noite. O Sr. João Goulart jurou fidelidade ao Parlamentarismo, para logo em seguida impor o plebiscito, e todo o povo votou. Eu não votei porque achava que o plebiscito era uma palhaçada, e repito que era”.

“Quem quiser fazer reformas deve ter a honestidade de dizer que as fará sem reformar a Constituição. Há necessidades de se fazer reformas, e eu acho que se pode fazer isso sem se mexer na Constituição. Mas o Sr. João Goulart não queria isso. Montou um dispositivo sindical nos moldes fascistas, com dinheiro do Ministério do Trabalho, dinheiro roubado do imposto sindical, roubado do salário dos trabalhadores, para pagar as manifestações de bandeirinhas e as farras dos homens do Ministério do Trabalho.”

“Ao mesmo tempo, começou a criar dificuldades para a Imprensa, para os jornais, para o rádio e a televisão, iniciando um processo de escravização dos homens livres que fazem a imprensa do nosso País. Depois de criar as dificuldades, o Sr. João Goulart oferecia-se para resolvê-las, enquanto dava curso ao processo de entreguismo do Brasil à Rússia. O Sr. João Goulart foi o maior entreguista que já teve este país.”

Continuando seu discurso, acusou o ex-Presidente Goulart de iniciar o solapamento da autoridade militar, entregando os comandos militares a gente sem prestígio nas Forças Armadas. “O desprestígio” – disse Lacerda – “atingiu a todos os setores do Governo, os Ministérios Civis e a própria Casa Civil da Presidência, onde estava Darcy Ribeiro, um instrutor de tupi-guarani, que acabou reitor da Universidade de Brasília sem jamais ter sido professor”.

Dizendo que os brasileiros honrados que votaram em João Goulart não tinham dado seu voto ao comunismo (“portanto Jango enganou o povo”), Lacerda fez referências elogiosas aos Generais Castelo Branco e Mourão Filho, atacando em seguida o Almirante Aragão (“sem condições para ser almirante”), e aludindo ao Cabo José Anselmo: “A Marinha é tão ruim que um cabo pode ser estudante de Direito. Em nenhuma Marinha do Mundo, nem nos Estados Unidos, nem na Rússia – um cabo tem tempo para estudar Direito. E o sr. João Goulart acobertou, patrocinou, estimulou toda essa gente, jogando marinheiro contra soldado, farda contra farda, classe contra classe, brasileiro contra brasileiro”.

“Assim, não era possível que Marinha, Aeronáutica e Exército suportassem mais tamanha impostura e tamanha carga de traição.” E concluiu: “Deus é bom. Deus teve pena do povo”.


Publicado na revista “O Cruzeiro” de 9 de abril de 1964


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado senhor Azambuja.
Origado pelo texto.
Se mudarmos algumas datas e alguns nomes, seu texto - e as palavras do Governador Carlos Lacerda - serviriam exemplarmente para definir grande parte dos ambientes político e militar de hoje. Com a ressalva de que não há mais militares com hombridade equivalente a um Castelo Branco ou a um Mourão. Hoje, os generais e almirantes são todos fakes, bonequinhos fantasiados de soldadinhos, marionetes de comunistas, caçadores de mosquitos. FROUXOS COMEDORES DE MIGALHAS!

Anônimo disse...

Será coincidência? Lendo o texto me veio a imagem do Lula.