terça-feira, 29 de março de 2016

O Canto do Cisne


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Cisne uma ova! Marreco furreco com o pé na cova.

Marrudo e bouludo, pra assustar criancinhas, falam em incendiar o país.
O embuste já entrou em autocombustão.

Dona Onça só ouve besteira e disporá dos bocós como queira.

“Nazurtima!” o bicho berra, esperneia, escoiceia.

A casa, já se viu, não serve pra blindar o verme.

Cogita em tornar-se “aceçor” pra continuar palhaço no palácio.

Decadência é isso: de cisne a pato; de pato a ganso; de ganso a marreco e , finalmente, de marreco a vira bosta (que aliás sempre foi, desde o tempo em que era chamado “boi”).

Em breve, como nau condenada a ir a pique, ouvirá junto ao mar, violino ou celo, num adagio solo da orquestra de sereias. Colherás o que semeias.

“Senhores e senhoras, nada mais; os jogos estão feitos.”

A bolinha saltita ao leu. A classe polititica vai pro beleléu.
“Double zero!”

Os que puderem, pernas pra que te quero!


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

4 comentários:

Loumari disse...

Captar a Essência

Para perceberes tudo o que existe para lá do óbvio, é necessário estares atento aos sinais e que te permitas sentir para lá do normal. E isso só é possível se te alienares da matemática da mente e da racionalidade do que vês e do que ouves.

Conheço perfeitamente a magia de saber ouvir a intuição. E sim, refiro-me a magia porque é necessário alienarmo-nos do visível para lhe termos acesso. Quem apenas se limita a acreditar no que vê, nunca lhe achará sentido. A interpretação do que acontece à nossa volta tem múltiplas faces, porém existe uma ou outra que nos transcende para outros patamares de entendimento. Na vida tudo acontece ao mesmo tempo e com as mais variadas pessoas, no entanto podemos captar a essência do que verdadeiramente acontece e que não é visível se estivermos despertos. E estar desperto é estar consciente, atento ao mais pequeno sinal que a vida ou os outros nos dão.

As maiores oportunidades, assim como as grandes tomadas de consciência, nascem dessa ligação ao invisível, dessa passagem para lá do óbvio. As peças encaixam-se quando transcendes a matriz do que te foi ensinado para o mundo daquilo que é sentido.

"Gustavo Santos, in 'O Caminho'
Portugal n. 27 Mai 1977
Life Coach

Loumari disse...

Feitas as contas, parece que nos arrastamos num estado de esquizofrenite crónica, em que ideias feitas meio desconexas se nos impõem, em que a ambivalência é um estado de espírito, em que o sentimento de solidão e a angústia de desfragmentação fazem parte do nosso inefável quotidiano.
(Isabel Leal)

Loumari disse...

A Dupla Realidade

A mente pregava-nos partidas. Fabricava estímulos, treslia sinais. Lesões e fissuras instalavam-se no corpo caloso dos nossos cérebros, dificultando a comunicação entre as suas duas metades. Confundiam o hemisfério da racionalidade e, nos momentos mais inconvenientes, obrigavam a entrar em acção aquele ao qual cabia o fabrico de histórias.

Talvez tivesse sido o caso. Lera sobre isso. O cérebro podia ser mentiroso, e as ilusões ópticas não passavam do menor dos seus truques. Um pequeno desequilíbrio entre o esplénio e o fórnix era suficiente para a instauração de uma espécie de dupla-realidade — pelo menos até que se impusesse o dilema lógico capaz de produzir o curto-circuito capaz de a desmontar. E nem nesse momento um homem poderia considerar-se a salvo, porque, como qualquer curto-circuito, também esse era de consequências imprevisíveis.

"Joel Neto, in 'Arquipélago'
Portugal n. 3 Mar 1974
Escritor / Cronista

Anônimo disse...

Eles devem aproveitar bastante para comemorarem o que quiserem, com bastante mortadela, pois acabou! A peãozada só vai ter a revolta e o chororô. Se tentarem fazer quebra-quebra, vão levar lapada no lombo e correm o risco de ter que voltar a pé para casa.