sábado, 26 de março de 2016

O massacre nas Olimpíadas de Munique e a reação mortal de Israel


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Transcrevo abaixo o capítulo “Um Ano de Terror”, do livro acima intitulado, de autoria de Aaron J. Klein

Israel. Aeroporto Internacional de Lod, 9 de maio de 1972, 16:10 h.
O terrorismo atingiu um pico impressionante em 1972. Grupos palestinos, frustrados por não conseguirem realizar ataques contra Israel a partir dos territórios ocupados da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza, exportaram suas atividades para além das fronteiras do Oriente Médio.

No decorrer de 1972, um número recorde de ataques pesados foi perpetrado contra israelenses e judeus. A ofensiva ousada dos palestinos incorporou muitas formas de violência. Seqüestraram aviões, assassinaram diplomatas israelenses e enviaram cartas-bombas por todo o continente europeu. Como resultado de suas ações, a situação difícil do povo palestino começou a penetrar na consciência coletiva mundial. O terrorismo – o método que escolheram – se mostrava bem sucedido. Cada ataque mortal era mais violento que o anterior. As operações se tornaram mais ousadas. Mais teatrais.

Em 8 de maio de 1972, o vôo 571 da empresa belga Sabena ia de Bruxelas a Tel-Aviv, via Viena. A bordo havia 10 membros da tripulação e 90 passageiros, 67 deles judeus. Havia, ainda, 4 membros do Setembro Negro, um ramo amorfo da Fatah. Os terroristas (dois homens e duas mulheres) estavam armados com granadas de mão e duas cargas de explosivos de cerca de dois quilos cada.

No fim da tarde, enquanto o avião sobrevoava a ilha grega de Rhodes, o comandante da célula terrorista calmamente se dirigiu para a cabine do piloto, que estava com a porta escancarada. Puxou um revólver carregado e ordenou ao piloto que pousasse em Tel Aviv – uma ousadia, considerando que a principal unidade contra-terrorista de Israel, a Sayeret Matkal, ficava a uns 8 quilômetros do aeroporto internacional de Israel. O terrorista pegou o microfone e se apresentou: “Aqui é o capitão Kamal Rifaat, seu novo comandante...”.

Numa rápida consulta telefônica, o Ministro da Defesa, Moshe Dayan, herói da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Primeira-Ministra, Golda Meir, decidiram permitir o pouso no Aeroporto Internacional de Lod. Assim que o avião tocou o solo foi imediatamente escoltado até o final da pista.  Em algumas horas, altos comandantes  se reuniram no aeroporto. Ao Ministro da Defesa, Dayan, e ao Ministro dos Transportes, Shimon Peres, se juntaram o comandante das Forças de Defesa de Israel, o Tenente-General David Elazar, e diversos outros generais das FDI, incluindo o chefe da Inteligência Militar, o Major-General Aharon Yariv e o Major-General Ariel Sharon (que mais tarde seria Ministro da Defesa e, depois, Primeiro-Ministro). Moshe Dayan orientou Victor Cohen, chefe da Divisão de Interrogatório do Shabak (Serviço Geral de Segurança de Israel) a fingir que negociava com os terroristas. Moshe Dayan e Golda Meir não tinham a intenção de atender às exigência exorbitantes deles – libertar 315 terroristas palestinos condenados e presos em Israel -. Dayan apenas queria evitar que os terroristas dormissem.

Em seguida, Dayan convocou a Sayeret Matkal, unidade antiterror de elite, comandada por Ehud Barak, que posteriormente se tornaria Primeiro-Ministro. Dayan instruiu a unidade a danificar o avião e resgatar os reféns. Logo depois, Barak e oficiais de sua equipe começaram a treinar, simulando um ataque a um Boeing 707 idêntico em uma estrada próxima, do lado oposto do aeroporto, enquanto os mecânicos incapacitavam o avião, tornando-o incapacitado para voar.

As negociações de Victor Cohen, feitas através do sistema de rádio do avião, mantiveram os seqüestradores acordados a noite toda, insistindo na exigência de que Israel abrisse as portas das prisões.  No dia 9 de maio, às 9 horas, depois de mais de 10 horas de negociações contínuas, Cohen conseguiu convencer Rifa’at a deixar o piloto sair com uma amostra dos explosivos para os israelenses. Cohen bancava o policial bonzinho, dizendo precisar convencer o Ministro da Defesa Dayan – um temido guerreiro, cego de um olho – de que eram realmente letais as intenções do Setembro Negro.

O piloto, Reginald Levy, que viajava a Israel para comemorar seus 50 anos com a mulher, forneceu detalhes importantes às forças de segurança de Israel: o número de seqüestradores, sua aparência física, o contorno dos pacotes negros - provavelmente explosivos – que carregavam. Confirmou que não havia assentos perto das saídas de emergência, o que era de suma importância para Barak e sua equipe, que sabiam que o sucesso dependia de surpresa e rapidez. Levy disse aos seqüestradores que Dayan concordara com as exigências. Os 315 prisioneiros palestinos seriam liberados no aeroporto e dali enviados ao Cairo. O vôo 571 os encontraria na capital egípcia e os reféns seriam soltos. Primeiro, uma equipe técnica de mecânicos consertaria o avião.

Dezesseis comandos da Sayeret Matkal, vestidos como mecânicos da El Al, com macacões brancos se aproximaram do avião. Ficaram perto das saídas de emergência e ao longo das asas e, num assalto sincronizado, invadiram a aeronave. Mataram imediatamente dois dos seqüestradores, os homens, e prenderam as duas mulheres, inadvertidamente matando um refém durante a operação. Os comandos controlaram a situação no avião em 90 segundos.

A impressionante operação, a primeira no gênero, logo ecoou pelo mundo. Uma onda de orgulho tomou Israel. A ingenuidade israelense, para muitos, podia conquistar tudo.
 
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Kamaradas:

Sobre o texto acima transcrito, por não dispor do endereço de e-mail do autor, enviei aos “Senhores da Ediouro Publicações”, a mensagem abaixo:
Estou lendo o livro ‘Contra Ataque – O Massacre nas Olimpíadas de Munique e a Reação Mortal de Israel’, editado no Brasil pela Ediouro, em 2006, de autoria de Aaron J. Klein, apresentado na orelha do livro como ‘correspondente para assuntos militares e de Inteligência da revista Time no escritório de Jerusalém (...) escreve para o Malam, jornal do MOSSAD (...) é professor na Universidade Hebraica de Jerusalém e Capitão de Inteligência das FSI’ (Uma OBS: o autor deste artigo também é Capitão de Inteligência).

Muito bem! Com todo esse respeitável currículo, o Capitão Aaron Klein cometeu um equívoco, logo no início do livro, na página 23, ao relatar a invasão, em 9 de maio de 1972, por parte da unidade de elite antiterror Sayeret Matkal, de um avião de passageiros que fazia o vôo 571 da Sabena, de Bruxelas a Tel Aviv, seqüestrado por quatro membros (dois homens e duas mulheres) do Setembro Negro, e autorizado a pousar no aeroporto de Tel Aviv.

Relatou ele que 16 comandos do Sayeret Matkal, vestidos como mecânicos da El Al, com macacões brancos, invadiram o avião, mataram imediatamente dois seqüestradores, os homens, e prenderam as duas mulheres, inadvertidamente matando um refém durante a operação. Escreveu o autor: ‘A impressionante operação, a primeira no gênero, logo ecoou pelo mundo...’.

O equívoco do autor: ‘a impressionante operação’, não foi ‘a primeira no gênero’,Em 1 de julho de 1970 – quase 2 anos antes – quatro terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) seqüestraram, no Brasil, um Caravelle da Cruzeiro do Sul, obrigaram o piloto a pousar no Aeroporto do Galeão e iniciaram uma negociação, exigindo a liberdade de militantes da ALN, presos, O avião foi invadido por uma equipe do Centro de Informações da Aeronáutica, os seqüestradores foram presos e ocorreu a morte de um deles, posteriormente, no hospital.

Em Nome da Verdade, sugiro que esta informação seja repassada ao autor do livro.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...


.

acp

FALSO COGNATO!

INGENUITY, em inglês, significa ENGENHOSIDADE, em português.

A corrigir.

acp

.

Anônimo disse...

O Professor Azambuja poderia declinar os nomes dos sequestradores do Caravelle?
Devem estar recebendo - se sobreviveram - polpudas pensões por seu esforço vital em prol da "democracia" que visavam.