segunda-feira, 21 de março de 2016

Quem ganha perde


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gelio Fregapani

O Brasil em massa foi às ruas condenando o comunismo e exigindo fora Dilma,  Lula ladrão, fora PT, apoio a Policia Federal e ao juiz Moro, fora Renan e Cunha, ladrões na cadeia e  outras.

É claro que haverá mudanças, pois não há governo que se sustente com 90% de desaprovação. Quais mudanças, ninguém sabe. Se a oposição olhasse além do horizonte imediato, saberia que ficaria em situação terrível e seria considerada culpada até pelo que não teve culpa.

Caso Aécio ou Marina ganhasse e se deparasse com a economia arrasada de nada adiantaria falar da corrupção, que também respinga neles. Nada evitaria uma revolução, agravada pelo entreguismo explícito desses políticos. Se Dilma, sobre quem não pesava desconfiança de entreguismo rendeu-se e entregou parte da própria Petrobras, imagine-se o que fariam aqueles políticos cujos objetivos desnacionalizantes são conhecidos. O PT espalharia que a ruína do país fora criação proposital para entregar o País e isto estaria de acordo com a teoria do novo Governo.

Pode ser que se aguentassem por algum tempo com o dinheiro da venda da Petrobras e outras, mas com o caos econômico nada poderia evitar o retorno do PT, até mesmo nos braços de uma revolução. Claro ,que se o PT  previsse o que viria a seguir forçaria para perder as eleições e se livrar, em grande parte, da avalanche de escândalos e descalabros que deixaram para trás. Assim, por razões inversas, quis o destino ou algo sobrenatural que quem ganhou perdeu e quem perdeu ganhou sem saber.

Na gigantesca passeata ficou claro que  "o Brasil  não aguenta mais a Dilma" mas há algo mais: o Brasil  não aguenta mais a Dilma nem os demais políticos profissionais que foram vaiados e impedidos de se apresentarem e discursarem, inclusive o senador, Aécio Neves, nem os políticos corruptos dessa nojeira toda.  Ficou claro que há uma rejeição não apenas ao PT, mas a todo o discurso esquerdista.

Ficou claro o desejo de moralização nos costumes e retomada da economia. O esquerdismo assistencialista é repudiado porque falhou, não podia mesmo ter sucesso sem uma fonte extra de recursos como a dos grandes produtores de petróleo ou sem sobrecarregar insuportavelmente a já enorme carga de impostos. Só o PT não sabia.

Mudanças. Quais?

Que haverá mudanças é certo, mas quais? As vaias a Aécio num protesto no qual pretendia ser o grande beneficiário têm um significado: Se Aécio pensava que a presidência iria cair no seu colo, está enganado. É óbvio que ele é rejeitado, desprezado pelos que pedem o impeachment. Marina, a pior de todos, não compareceu. Quem sobra? Dos políticos tradicionais, nenhum. O certo que a Dilma não terá condições de governar. Com ou sem Lula de " primeiro ministro".

Por algum tempo a radicalização e a polarização política colocavam em risco não só a estabilidade das instituições, mas até a unidade nacional. O partido que ganhou roubava e subornava e a oposição, igualmente corrupta, esforçava-se para inviabilizar o governo, torpedeando até mesmo as medidas corretas, aliás bastante raras.

Ambos os lados não se toleravam, sem espaço de negociação ou diálogo. Além da disputa de poder também existia uma polarização de caráter ideológico. O cenário estava pronto para um confronto que poderia evoluir para uma guerra civil que atrairia intervenções estrangeiras.

Agora tudo mudou. A revolta é contra a corrupta  e inepta classe política. Na linha legal da sucessão – Temer, Cunha, Renan e Lewandowsky é difícil saber qual o mais repudiado e em caso de nova eleição nenhum deles teria chance. 

Você sabia?

Que a união faz a força e que uma casa dividida não se sustenta em pé?

Que a manifestação nacional ultrapassou a expectativa dos políticos e do governo. Talvez seu aspecto mais importante tenha sido unir a população contra a classe política

Que os corruptos devem ser punidos, mas as empresas devem ser poupadas pois sem elas não haverá empregos?

Que a perseguição às nossas maiores empresas, principalmente à Petrobras faz o jogo do estrangeiro?

Que os anglo-americanos tradicionalmente procuram derrubar os governos que contrariam seus interesses comerciais?

Que há traidores entre nós; Que  FHC escreveu no seu diário que planejara os apagões para justificar as privatizações e que nomeara aliados para desnacionalizar e entregar ao capital estrangeiro as maiores estatais do nosso País?

Que os governos do PT também se acovardaram e cederam as exigências, quer na Raposa-Serra do Sol, quer ultimamente na Petrobras e nos tratados leoninos a respeito do desenvolvimento nuclear e seus vetores.

Que o propelente sólido dos foguetes brasileiros, o PBH/OH era fabricado no Brasil pela Petroflex, empresa que pertencia à Petrobras, porém ela foi vendida a um grupo estrangeiro que, por falta de interesse econômico, fechou a referida planta.

- Já é tempo de a nossa opinião pública  acordar para o que é efetivamente relevante em todo esse processo, cujos objetivos verdadeiros são os de se apossar da parte fértil  de minérios geradores de energia que estão no território do Brasil.

Que Deus nos ajude.


Gelio Fregapani é Escritor e Coronel da Reserva do EB, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.

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