quinta-feira, 7 de abril de 2016

A Arte da Guerra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi extraído do livro “Sun Tzu - A Arte da Guerra”, traduzido do chinês para o francês pelo Padre Amiot em 1772; e do francês para o português por Sueli Barros Cassal. Foi editado no Brasil em 2007 pela L&PM.

O comentarista Se-Ma Ts’ien escreveu, no ano 100 A.C., que Sun Tzu, súdito do rei de Wu, foi o homem mais versado na arte militar que já existiu. A obra que escreveu e os notáveis feitos que obteve são uma prova da sua profunda capacidade e de sua experiência bélica.

Pouco importa saber se Sun Tzu existiu ou se é uma figura lendária. O fato é que um texto que remonta a turbulenta época dos Estados Guerreiros na China, há quase dois mil e quinhentos anos, chegou até nós trazendo as idéias de um filósofo estrategista que certamente comandou e venceu muitas batalhas, se acreditarmos no comentarista Se-Ma  Ts’ien, do Século1 A.C..

Embora as táticas bélicas tenham mudado desde a época de Sun Tzu, seus escritos teriam influenciado, segundo a Enciclopédia Britânica, certos estrategistas modernos, como Mao-Tsetung, em sua luta contra os japoneses e os chineses nacionalistas.

Qual a originalidade desse, que é o mais antigo tratado de guerra? É que é melhor ganhar a guerra antes mesmo de desembainhar a espada. O inimigo não deve ser aniquilado mas, de preferência, deve ser vencido quando seus domínios ainda estiverem intactos.

Muitas vezes a vitória arduamente conquistada guarda um sabor amargo de derrota, mesmo para os próprios vencedores.

Com seu caráter sentencioso, Sun Tzu forja a figura de um general super-homem cujas qualidades são o segredo, a dissimulação, a astúcia e a surpresa. Esse general deve evitar cinco defeitos básicos: a precipitação, a hesitação, a irascibilidade, a preocupação com as aparências e a excessiva complacência. Para vencer, deve conhecer perfeitamente a terra (a geografia, o terreno) e os homens (tanto a si mesmo quanto o inimigo).

Por outro lado, a arte da guerra implica cinco fatores principais. Se quisermos que a glória e o sucesso acompanhem nossas armas, jamais devemos perder de vista os seguintes fatores: adoutrina, o tempo, o espaço, o comando e adisciplina.

A doutrina engendra a unidade de pensamento; inspira-nos uma mesma maneira de viver e de morrer.

Se conhecermos bem o tempo, não ignoraremos os dois grandes princípios yin e yang, mediante os quais todas as coisas naturais se formam e dos quais todos os elementos recebem seus mais diversos influxos.

O espaço, como o tempo, se o estudarmos bem, teremos a noção do alto e do baixo; do longe e do perto; do largo e do estreito; do que permanece e do que não cessa de fluir.

Por comando entende-se o amor pelos subordinados e pela humanidade em geral. O conhecimento de todos os recursos, a coragem, a determinação e o rigor são as qualidades aquele que investe a dignidade de general.

A disciplina é a arte de ordenar as tropas; não ignorar nenhuma das leis da hierarquia e fazer que elas sejam cumpridas com rigor; estar ciente dos deveres particulares de cada subalterno; conhecer os diferentes caminhos que levam a um mesmo lugar.

Tudo isso, somado, constitui uma doutrina, que não deve escapar à sagacidade de um general.

Se tu calcares teus fundamentos de ciência militar sobre os cinco princípios acima enunciados, a vitória será teu galardão.

Graças a esses métodos, eu, Sun Tzu, avalio a situação e o desfecho se perfilará claramente.

E concluindo:

Se conheces o inimigo e conheces a ti mesmo, em cem combates que travares, cem vezes serás vitorioso.
Se não conheces teu inimigo mas conheces a ti mesmo, tuas chances de perder e de ganhar serão idênticas.

Se não conheces ao mesmo tempo o teu inimigo e a ti mesmo, serás sempre derrotado.

O resto é uma questão de cálculo.

Essa é a arte da guerra.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Nenhum comentário: