segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Ofensiva Cultural Marxista


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O principal inovador da teoria marxista, que reconheceu a relação de valores que as pessoas mantêm para a criação do regime estatista, foi Antonio Gramsci (1881-1937). Ele argumentava que a cultura ou sistema de valores da sociedade têm primazia sobre a economia; que os trabalhadores não conquistariam o regime democrático, mas os intelectuais o fariam.

Para Gramsci, a maioria das pessoas possui valores comuns à sociedade em que vivem, mas não estão conscientes porque têm essa visão ou como a adquiriram. A conseqüência dessa análise é que tornou possível controlar ou moldar os regimes através de processos democráticos, caso os marxistas fossem capazes de criar valores comuns e dominantes da Nação.

Os métodos marxistas e os intelectuais marxistas poderiam realizar isso dominando a cultura da Nação, processo que requeria uma forte influência na religião, nas escolas, nos meios de comunicação de massa e nas universidades. Para os teóricos marxistas, o meio mais eficaz para criar um regime estatista num ambiente democrático seria através da conquista da cultura da Nação. De acordo com esse padrão, os movimentos marxistas na América Latina foram todos liderados por intelectuais e estudantes e não por trabalhadores.

É nesse sentido que a Teologia da Libertação deve ser entendida. Ela é uma doutrina política disfarçada de crença religiosa, tendo a característica de ser contra o Papa e a livre empresa, com o objetivo de enfraquecer a independência da sociedade frente ao controle do Estado. Isso é um retrocesso ao Galicanismo do Século XVII, no qual os reis de direito divino procuravam subordinar a Igreja, tradicionalmente independente. Assim, vemos que a inovação da doutrina marxista se insere num fenômeno cultural e religioso de longa duração.

O ataque não é dirigido apenas um ou dois componentes da cultura. Ele é eficaz porque dirigido a uma frente ampla que procura redefinir o todo da cultura numa nova terminologia; assim como o Catolicismo é redefinido pelos teólogos da libertação, a arte é transformada, os livros são reinterpretados e os currículos são retificados..

A investida da penetração cultural na América Latina é seguida pelos teóricos marxistas que são educadores nas escolas e universidades. O controle do Estado na educação está crescendo através de livros-textos, manuais e o mando das burocracias educacionais é maior. Um exemplo típico foi o governo de Lázaro Cardenas, no México, nos anos 30. Gonzalo Vasquez Vela, Ministro da Educação de Cárdenas, assegurava que “o materialismo histórico era a base filosófica da educação mexicana”.

A ascendência da esquerda sobre grande parte dos meios de comunicação de massa da América Latina também deve ser entendida nesse contexto. Nenhuma eleição democrática pode mudar a caminhada contínua na direção do regime estatista se a “indústria de criar consciências” estiver nas mãos de intelectuais estatistas. Assim, os meios de comunicação de massa, as igrejas e as escolas continuarão a transformar as formas democráticas em estatismo, se os Estados e os governos democráticos não encararem isso como uma luta de regime.

A cultura social e o regime têm de ser moldados para proteger a sociedade democrática.
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O texto acima foi transcrito do Documento de Santa Fé II – A Estratégia Americana - Política do Governo Bush para a América Latina.

Releia o artigo: A Política e a destruição do político



Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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