terça-feira, 5 de abril de 2016

Descrucificação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Os horrores econômico e político brasileiros somente revelam um contexto de um círculo vicioso presente após a democratização do País.

Exclamou o ilustre Ministro do STF, condutor do voto que definiu o rito do impeachment: “a política morreu”; não, ela jamais morrerá, pois, desde priscas épocas, foi e será inerente à vida humana, desde que exercida com ética, decência e moralidade. O que morreu foi a representatividade, pois a nobre classe política, de tanto se aboletar de fatias e gorduras de roubos, corrupções, com a leniência e impunidade presentes, nunca prestou contas à sociedade.

Num ponto, o Ministro está absolutamente correto, as alternativas não são as melhores, talvez as piores, mas o que fazer? Uma renúncia coletiva ampla, geral e irrestrita, em todos os Poderes da República, para a reconstrução da Federação, ante seu solapamento inaceitável e propositivo de um grupo que se cercou do poder e pretende se perpetuar abusiva e indefinidamente.

A descrucificação da sociedade civil, morta, esculhambada, aviltada, destruída em seus valores, é medida inadiável e isso, tal qual o momento maior da Páscoa, exige uma limpeza plena e total do nosso corpo político.
O foro privilegiado, que cerca de benesses mais de 22 mil apaniguados, é a pior de todas as fórmulas, uma total aberração, já que o STF não foi erigido para ser uma entidade que colhe a prova e faz o julgamento, como ocorre em primeira instância.

A violência está disseminada adrede por todos os cantos do País, basta ver que, dias atrás, um cardeal levou um sopapo e teve queda dentro da respectiva paróquia em SP, pouco tempo depois, um advogado, conforme a mídia, num Júri de Carapibuica, também teria agredido o promotor, e, para terminar a trágica manchete, uma jovem juíza, de vara especializada em violência doméstica, teve sua sala invadida e submetida ao mais deletério momento de tortura e ameaças.

As provocações são imensas e enormes, o Brasil parou de vez, são quase dez milhões de brasileiros que vivem desempregados e uma boa parte trabalha subempregada, foram gastos bilhões com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, sem falar das ambicionadas bolsas sociais.

As doenças endêmicas e epidêmicas voltaram ao estágio de alerta máximo, não há vacinas disponíveis, chegando a pôr em risco, também por esse fato, a confirmação das Olímpiadas na cidade do Rio de Janeiro, que de maravilhosa nada tem, exceto belezas naturais conspurcadas pelas mãos sujas de políticos que maltratam a cidadania e se locupletam de pessoas menos cultas para exercerem seus cargos eletivos.

O Brasil, que tinha tudo para dar certo e chegar entre os primeiros cinco países da economia globalizada, derrapou, deu pirueta e um retrocesso inconcebível, chegando ao décimo terceiro posto, cuja política econômica é um dos mais graves desastres.

Registramos dois produtos internos brutos negativos, profunda recessão, quase atingindo a depressão.

Aprova-se orçamento negativo - sim, isso existe, mas apenas no Brasil -, pois o Estado faliu, gastou mundos e fundos sem poder, para se reeleger e, quando o ano começou, em 2015, o dano estava cometido e sem chances de reversão, pois o Ministro Levy só caminhava de todos os lados para aprovar, sem sucesso, as medidas drásticas, como o CPMF.

Se o Governo acusa golpe e se vê em condições de governabilidade, que apresente medidas eficientes, pontuais e imediatas, pois já se fecharam quase 120 mil estabelecimentos comerciais e, se o ritmo prosseguir na mesma toada, teremos mais de 11 milhões de brasileiros sem emprego ou carteira assinada.

Dizem que o brasileiro sempre foi sorridente, esperançoso e de bem com a vida, hoje, as pessoas estão carrancudas, sisudas, endividadas e estressadas.

Se o brasileiro não for rapidamente descrucificado, o ambiente ruim se tornará péssimo e de previsões desalentadoras.


Carlos Henrique Abrão, Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Doutor pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

3 comentários:

Loumari disse...

LOOK AT YOURSELF AFTER WATCHING THIS

https://youtu.be/Gc4HGQHgeFE

Anônimo disse...

As industrias farmacêuticas e laboratórios devem um grande agradecimento ao mosquito pintadinho de "timbalada". Estão faturando bem e mantendo os empregos.O Brasil, como a América Latina, continua um grande "laboratório" de cobais para os grandes laboratórios.

Loumari disse...

Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e EU SEREI O VOSSO DEUS, E VÓS SEREIS O MEU POVO; e andai em todo o caminho que Eu vos mandar, para que vos vá bem.
Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; andam para trás e não para diante.
(JEREMIAS 7:23)