segunda-feira, 11 de abril de 2016

Desilução da Direita e Ilusão da Esquerda


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O mundo mergulhou num profundo desencanto com a divulgação dos dados da Panama Papers demonstrando que muitos lideres mundiais escondem dinheiro sem declarar perante o próprio governo. A classe política mundial vive uma terrível crise e aqui no Brasil é bem pior isso porque muitos chegam aos seus cargos para a realização financeira e autosuficiencia econômica.

A tragicomédia demonstra que a democracia não é tão representativa e muito menos participativa. Aqueles eleitos se distanciam e divorciam do eleitorado e se preocupam em ganhos para que ambicionem novos cargos. A direita de uma forma geral trouxe uma perplexidade acompanhada da desilução e com isso a esquerda se fortaleceu. Porém em muitos Países não foi nada mais nada menos do que pura ilusão. Enquanto a direita grita de forma a evitar imigração e liberar seu território, a esquerda permite tudo e o mais grave uma corrupção desenfreada e uma roubalheira generalizada.

Não podem mais prevalecer e sim darem espaço para um centro moderado no qual o Estado seja menos intervencionista e mais catalisador de programas sociais e com a função de descentralização a concentração de renda. No Brasil a classe média está asfixiada, esmagada, esturricada, não consegue sequer pagar as contas e mais sofre uma pesada tributação, ficamos quase cinco menos nos entretendo em pagar impostos municipais, estaduais e federais, até finalizar a declaração de imposto de renda, esses trilhões arrecadados não são sorvidos para quase nada e sim destinados aos políticos que dele fazem o melhor para o próprio bolso.

A guerra fiscal, a política tributária míope e o desaparecimento da federação provocam uma ruína nos Municípios que não pagam suas contas e tem os fundos bloqueados em razão de dívidas para com a União. Quase 30% dos municípios brasileiros fazem das tripas coração para manter a folha, prestar serviços e não paralisar suas atividades. O mesmo acontece com Estados uma vez perdulários sempre gastões, agora mudam os índices do indexador da dívida para com a União na tentativa de melhorar o grau de investimento e do próprio desenvolvimento.

A falência da direita e a quebra da esquerda somente evidenciam que o grau de radicalismo e sectarismo no Brasil deve ser desarmado, por meio de um centro inteligente que consiga fazer uma coalização por intermédio da meritocracia. Não significa que uma legenda vencedora somente vá colocar no seu governo quem a ela pertencer.

Precisamos de muitos com competência e capacidade, talvez esse seja o maior erro privilegiar apenas um partido e fazer alianças espúrias com os demais. O Brasil precisa ser passado a limpo e os nossos políticos despertar da triste sina que coloca o País à beira de um colapso, próximo da depressão e grandes chances da dívida pública.

A diminuição do tamanho, do peso e da estrutura do Estado são conceitos que se harmonizam com as reformas previdenciária, fiscal e tributária. Reformar já o Brasil,sem radicalização de esquerda ou de direito, mas governo moderado de centro que traga paz e a conciliação entre a Nação e a sociedade civil.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

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