terça-feira, 12 de abril de 2016

Dois padrões


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

"De 2004 para cá, ele [Ronan] não voltou a delinquir", disse à Folha de S. Paulo (10/04/16) Alberto Zacharias Toron, advogado de Ronan Maria Pinto, que recebeu, segundo a Lava-Jato, R$ 5,7 milhões provenientes de um empréstimo fraudulento feito pelo PT. Se não voltou a delinquir... Mas alguém já viu o advogado de um réu dizer que seu cliente é culpado?

Trata-se de entrevista muito mal conduzida pela Folha, na qual, mais do que expressar divergência jurídica, o advogado ocupa-se de atacar a figura de Sergio Moro. Além doutras acusações disparatadas, ele afirma: "Tem um caráter [a prisão de Ronan] muito mais de punição antecipada do juiz que, sem o processo, já tem a certeza de que ele deve pagar por algo que não fez, porque ele não participa de nenhuma lavagem."

A propósito, o papel do juiz é aceitar ou rejeitar o que é pedido pelo Ministério Público ou pela polícia. Nenhum ato sai, pois, exclusivamente da cabeça de Moro! E RIGOROSAMENTE TUDO que acontece na Lava-Jato tem responsabilidade coletiva. mas esse detalhe não interessa à Folha, engajada na campanha petista contra Sergio Moro. Aliás, de uns meses para cá, a Folha já não esconde o seu governismo engajado.

Mas nem tudo é turvo. Merece elogio o que escreveu o jornalista David Coimbra, colunista de Zero Hora (02/04/16): "Durante décadas classificamos a impunidade como o maior mal do Brasil. Quando finalmente alguns brasileiros comuns, do povo, um juiz de primeira instância e um punhado de promotores e policiais, quando finalmente essas pessoas começam a agir com retidão para punir quem cometeu irregularidades, parte do Brasil ergue-se em críticas, ironias e relativizações. A crítica à impunidade só valia quando os outros mereciam punição."

Existem os que se empenham por manter as coisas como estão, isto é, a economia em queda livre e a política em franco deterioro. Porém, a maioria dos brasileiros quer mudança. E não são poucos os que realizam atos concretos para melhorar o Brasil. Assim, o momento é de escolher a quem apoiar ou a quem se somar! Lembremos que as manifestações das ruas causaram significativo impacto nos rumos da política.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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