quinta-feira, 28 de abril de 2016

Indignação Seletiva


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

A professora Josete criticou Bolsonaro por citar o coronel Ustra. E foi contraditada pelo professor Galdino: "Se Dilma pode enaltecer Fidel Castro, por que Bolsonaro não pode enaltecer o Ustra?". São ambos vereadores de Curitiba, PT e PSDB, respectivamente (polêmica em 20/04/16).

Quando o Dep. Jair Bolsonaro, na votação do dia 17, evocou a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reagi: "Que absurdo!". Depois pensei: "Como é que alguém com inteligência superior (sabidamente, caso de Bolsonaro) faz uma bobagem dessas?". Já é assunto batido. Não tem dia que não se leia comentário a respeito. Críticas defeituosas, a meu ver.

O que disse ele? Eis o trecho que interessa: "(...) pela memória do coronel Carlos Alberto Bilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff". Foi um deboche! Inadmissível num deputado, de quem é exigível postura de estadista.

Bem posso supor que Bolsonaro recorreu ao escracho como reação à farsa da famigerada Comissão da Verdade e à sempre repetida mentira segundo a qual Dilma ("coração valente") lutou pela democracia. Seja como for, não se justifica! Tratou com deboche a mais cruel desconsideração da dignidade de um ser humano.

Agora vejamos. No mesmo "espetáculo, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), ao votar, além de lembrar Zumbi dos Palmares e Plinio de Arruda Sampaio, celebrou Marighella, Luis Carlos Prestes e Olga Benário. Autor de vários crimes, Marighella, que chegou a ser deputado (constituinte em 1946) pelo menos desde a década de 1940 "lutou" pela instalação de uma ditadura comunista no Brasil, como Dilma Rousseff a partir dos anos 60. Luis Carlos Prestes iniciou seu apostolado pela implantação de um Estado totalitário no país na década de 1920. E Olga Benário foi uma agente comunista infiltrada no Brasil para, em consórcio com Prestes, transformar nosso país em um satélite tropical da União Soviética. Os três, direta ou indiretamente, participaram de assassinatos, tanto de opositores quanto de "companheiros". É uma desavergonhada falsificação, pois, dizer que essa gente defendeu a democracia.

No entanto, as críticas estão centradas no destempero de Bolsonaro. Parcialidade inaceitável por reforçar uma mentira histórica! Mantêm o mito da contradição entre bons e maus no referente ao regime pós-1964: no mito, os militares eram os maus, combatidos por rapazes heroicos e idealistas. Com efeito, subsiste, por exemplo, a fantasia de que Marighella foi um bravo que se levantou contra a ditadura quando, em verdade, ele, à época, já era um conspirador veterano, sendo o regime de 64 uma reação ao avanço do projeto comunista no Brasil. Saliente-se, não estou desculpando nada do regime militar! Apenas me atenho aos fatos. A quem interessará a falsificação histórica?

Os críticos de Bolsonaro acusam-no de "apologia à tortura" - talvez uma exorbitância. Todavia, se assim for, eles terão que admitir: Se Bolsonaro fez apologia à tortura, então Glauber Braga, ao glorificar os militantes comunistas, fez a apologia do totalitarismo, regime em que a tortura é praticada à larga, em que o ser humano é reduzido a mero parafuso de uma engrenagem, em que os crimes de Estado não podem ser denunciados inclusive por não existir liberdade de imprensa.

Faltou decoro a Bolsonaro, que terá com isso extraviado a simpatia de muitos que apostariam nele como um líder que, contrariando a ordem atual, tem manifesta disposição de conduzir o Brasil sob o primado da lei. Sim, esse é o motivo por que muitas pessoas respeitáveis vêm depositando confiança nele. Deve ter decepcionado muita gente.

E da parcialidade nos jornais, que dizer? Desde os militantes de extrema-esquerda com espaço privilegiado nos grandes jornais até os mais equilibrados e respeitáveis jornalistas parecem ter uma espécie de "indignação agendada". É uma restrição, nalguns casos, inconsciente, que direciona suas reações - ao ponto de os mais honestos esquecerem-se de apontar a militância pró-totalitarismo de gente como Glauber Braga. Mas todos, inclusive os defensores de ditaduras (o que é irônico), discursivamente exaltam a democracia!


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

5 comentários:

Loumari disse...

Sant'Ana, este povo abomina o Santo de Israel, Deus, SENHOR DOS EXÉRCITOS, e achas mesmo que vão tolerar Bolsonaro? Não tens assistido a guerra que é engajada aqui contra Loumari?
Este povo é do diabo.


Lembrai-vos disto e tende ânimo: reconduzi-o ao coração, ó prevaricadores.
Lembrai-vos das coisas passadas, desde a antiguidade: QUE EU SOU DEUS, E NÃO HÁ OUTRO DEUS, NÃO HÁ OUTRO SEMELHANTE A MIM;
Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade;
(ISAÍAS 46:8)


Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade.
(1 CORÍNTIOS 16:13)


Bem-aventurados aqueles que são chamados a ceia das bodas do CORDEIRO.
(APOCALIPSE 19:9)

Paulo Robson Ferreira disse...

Acho que é perda de tempo se comentar a falta de decoro do Bolsonaro no episódio da votação do impeachment, diante da mega falta de decoro da Dilma colocando Lula como ministro e diante da total falta de decoro que a simples presença do Lula representa.

Unknown disse...

Não há falta de decoro de maneira alguma na fala do Bolsonaro, pode ter havido , na opinião de alguns , falta de estratégia política em citar alguém cuja maioria das pessoas não está preparada para ouvir , seja por ignorância , por manipulação ou por ambos, mas ... quem disse que Bolsonaro está preocupado com estratégia ? Seria até de se esperar que estivesse afinal de contas além de militar é um político entretanto ouça da boca do próprio que ele não está preocupado em ganhar a eleição e sim em falar a verdade !
Falar a verdade , essa sim a verdadeira estratégia de pessoas honestas que , no Brasil de hoje cuja moral tem sido inexoravelmente corrompida pelo tortuoso pensamento da esquerda , realmente fica difícil de alcançar

CELSO DUTRA disse...

Não há falta de decoro de maneira alguma na fala do Bolsonaro, pode ter havido , na opinião de alguns , falta de estratégia política em citar alguém cuja maioria das pessoas não está preparada para ouvir , seja por ignorância , por manipulação ou por ambos, mas ... quem disse que Bolsonaro está preocupado com estratégia ? Seria até de se esperar que estivesse afinal de contas além de militar é um político entretanto ouça da boca do próprio que ele não está preocupado em ganhar a eleição e sim em falar a verdade !
Falar a verdade , essa sim a verdadeira estratégia de pessoas honestas que , no Brasil de hoje cuja moral tem sido inexoravelmente corrompida pelo tortuoso pensamento da esquerda , realmente fica difícil de alcançar

Anônimo disse...

Ao criticar Bolsonaro, o articulista caiu na armadilha da guerra assimetrica, instrumento basico da Estrategia das Tesouras ensinada por Lenin.