sábado, 30 de abril de 2016

MIR - Surgimento e Declaração de Princípios


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O MIR-Movimiento de Izquierda Revolucionaria foi fundado no Chile em 1965, decorrente de uma fusão de um grupo de jovens saídos dos partidos socialista e comunista – Vanguarda Revolucionária Marxista e Partido Operário Revolucionário Trotskista -.

Em poucos anos o MIR tornar-se-ia um dos grupos castristas mais numerosos e influentes da América Latina. A Declaração de Princípios, adotada por ocasião da sua fundação, deixa claro que no primeiro período de sua existência a influência trotskista era preponderante. Essa influência manifestou-se no programa aprovado em 1965 que, por exemplo, proclama:

“O MIR pronuncia-se pela defesa dos países socialistas em caso de agressão. Nos países socialistas, controlados pelo reformismo ou revisionismo, apoiamos o povo revolucionário e não suas direções burocráticas, que deformaram o processo de construção do socialismo e traíram o marxismo revolucionário”.

Em 1967, contudo, distancia-se dos quadros trotskistas, e o grupo de dirigentes estudantis de Concepción (Bautista Van Schowen, Luciano Cruz e Miguel Enriquez) assume a direção da Organização e adota uma nova orientação (Documento Programa de 1967), que, se por um lado reafirma a tese trotskista da revolução proletária –democrática e socialista -, por outro, adota as teses de Regis Debray sobre a guerrilha rural.

O MIR organiza-se para ser a vanguarda marxista-leninista da classe operária e das chamadas camadas oprimidas do Chile, que buscavam a emancipação nacional e social. O MIR considerava-se o autêntico herdeiro das tradições revolucionárias chilenas e o continuador da trajetória socialista de Luis Emilio Recabarren, líder do proletariado chileno.

A finalidade do MIR era a derrubada do sistema capitalista e sua substituição por um governo de operários e camponeses, dirigidos pelos órgãos do Poder proletário, cuja tarefa seria construir o socialismo e extinguir gradualmente o Estado, até chegar a uma sociedade sem classes. A destruição do capitalismo implicaria um enfrentamento revolucionário das classes antagônicas.

O MIR fundamentava sua ação revolucionária no fato histórico da luta de classes. Assinalava que os exploradores, por um lado, assentados na propriedade privada dos meios de produção e de troca, e, por outro, os explorados, maioria esmagadora da população, que contam apenas com a sua força de trabalho (OBS minha: já li isso, antes, em algum lugar...), dos quais a classe burguesa extrai a mais-valia.

O MIR dizia reconhecer o proletariado como a classe de vanguarda revolucionária que deveria ganhar para a sua causa os camponeses, intelectuais, técnicos e a classe média empobrecida. O MIR afirmava combater intransigentemente os exploradores, orientado pelos princípios da luta de classe contra classe, e rejeitar categoricamente toda estratégia tendente a enfraquecer essa luta.

A Declaração de Princípios dizia que o Século XX é o de agonia definitiva do sistema capitalista; que o desenvolvimento da técnica não tem servido para evitar as crises periódicas, os milhões de desempregados e o pauperismo, devido ao fato de que, no capitalismo, a produção é social, mas a apropriação é individual; que o sistema capitalista, em sua etapa superior, o imperialismo, não pode oferecer à humanidade outra perspectiva além do regime ditatorial e da guerra, como última tentativa de sair de sua crise crônica de estrutura; que pretende ocultar, em determinados períodos, seu regime de ditadura burguesa, exercida pelo Estado opressor, falando de forma abstrata da liberdade, mas suas contradições levam-no inevitavelmente ao fascismo.

Que a característica mais destacada deste Século é o caráter mundial que adquiriu o processo revolucionário. Todos os continentes foram impactados pela história, e a relação de força entre as classes mudou em um sentido desfavorável ao imperialismo. Um terço da humanidade- mais de um bilhão de pessoas – saiu da órbita do capitalismo e está construindo o socialismo.

O triunfo da revolução em numerosos países atrasados demonstrou que todas as nações têm condições objetivas suficientes para realizar a revolução socialista; que não existem proletariados “maduros” ou “imaturos”. As lutas pela revolução social e pela reforma agrária transformaram-se, por meio de um processo de revolução permanente e ininterrupta, em revoluções sociais, demonstrando-se assim que, sem a derrota da burguesia, não existem possibilidades efetivas de libertação nacional e reforma agrária integral, tarefas democráticas que se combinam com medidas socialistas.
(...)

O MIR rejeita a teoria da “via pacífica” porque ela desarma politicamente o proletariado e porque não poderia ser aplicada, já que a própria burguesia resistirá até mesmo por intermédio da ditadura totalitária e da guerra civil, antes de entregar pacificamente o Poder.

Reafirmamos o princípio marxista-leninista de que o único caminho para derrubar o regime capitalista é a insurreição popular armada.
Diante desses fatos, assumimos a responsabilidade de fundar o MIR para unificar, acima de todo sectarismo, os grupos militantes revolucionários que estiverem dispostos a empreender rápida, porém seriamente, a preparação e organização da Revolução Socialista Chilena. 
O MIR, finalmente, define-se como uma organização marxista-leninista, regida pelos princípios do centralismo democrático.
 
O texto acima resumido foi publicado no livro “O Marxismo na América Latina – Uma Antologia de 1909 aos Dias Atuais”, organizado por Michael Lowy, autor de inúmeros livros e artigos que o tornaram conhecido como um dos maiores estudiosos do marxismo em nossos dias. Foi editado no Brasil em 1999 pela Editora Fundação Perseu Abramo.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que guerrilha nada !!! Eles preferem hoje algumas dezenas bilhões de dólares fora do país para descanso dos revolucionários...os operários continuam levantando cedo e trabalhando.. como sempre....afinal alguém tem que trabalhar para que a civilização continue.......

Maria Ribeiro disse...

Isso aí anônimo! Que deu nesse blog pra contar estórias furadas nada a ver com nossa realidade? Azambuja vc ñ escreveu essa m--- !!!???