sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Amigo da Onça


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Peço licença para os amáveis leitores para um desabafo. Desabafo de Onça.

Antes de tudo, creio em Deus, Todo Poderoso.

Os palhaços de capa preta, em sua empáfia, se parecem mais com a gente da máfia. Pensam que estão acima das leis; as dos homens e as de Deus.

Beócios filisteus ! Provarão primeiro do fel que será enviado do céu.

Tenho defeitos, por humano, mas sei distinguir o justo do insano.

Das coisas terrenas, admiro as pessoas serenas. Há anos estudo o comportamento de dona Onça. Considero-me seu amigo e a seu lado não corro perigo.

Heróis de guerra, vitoriosos na Itália, não souberam bem avaliar a canalha.

Primeiro caso na história em que uma pseudoditadura trocava de tempos em tempos, de “ditador”. Morreram todos com honra e com glória.

O progresso do país foi espetacular. Infraestrutura renovada.

Seu equívoco foi não acabar com a porcada.

Trinta anos depois sofremos com cobras e lagartos de que o povo e eu já estamos fartos.

Chegará o dia do Basta !

Então dona Onça, agora esclarecida, fará farta distribuição de formicida.

Formidável e invicta, porá cobro na ação dos traidores, dos vendilhões e idiotizados pela cartilha gramscista.

Como disse um marujo de Cabral: “Uma nova terra à vista!”.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.


5 comentários:

Loumari disse...

Isto é lixado

- Hum!?!?!?

- Dá cá a pasta…!

- Nem vale a pena gritar sua feia!

- Colocado! Não se mexa ladrão!

- Hum!... Eu te conheço de alguma banda!

- Éh Primo Zé!....
- Óh… Man Kinito!... Possas nunca mais!

- Pocha… Já não dás notícias pah!...
- Epah é vida dura primo!

- A Família tá de saúde?!
- Não vale apena….

- Boa tarde Senhor Comandante…
- Boa tarde sim…por favor… qual é a sua queixa?
- Um ladrão vinha me assaltando, e de repente apareceu um dos seus policias… e não é que são amigos afinal !?!…

- Muito Obrigado… Todos eles amanhã mesmo serão julgados em tribunal. Fique descansada minha senhora!


NO TRIBUNAL….

Os dois réus (o polícia e o gatuno) sentados à frente, a espera do juiz….

- Óh… Man Bernardo! Você afinal agora é juiz???...Epah…Quanto tempo!...
- Éh, Primo Zé e Man Kinito… Cumué!

E ai os réus foram absolvidos por falta de provas, e ainda pediram indemnização a vitima…..

Loumari disse...

Nunca Aprendi a Viver


De repente eu me vi e vi o mundo. E entendi: o mundo é sempre dos outros. Nunca meu. Sou o pária dos ricos. Os pobres de alma nada armazenam. A vertigem que se tem quando num súbito relâmpago-trovoada se vê o clarão do não entender. EU NÃO ENTENDO! Por medo da loucura, renunciei à verdade. Minhas idéias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas. O mais engraçado é que nunca aprendi a viver. Eu não sei nada. Só sei ir vivendo. Como o meu cachorro. Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás. Se eu desse um passo para a frente eu seria enfocada pelo amarelado de esplendor que quase cega.

"Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'
Brasil 1920 // 1977
Escritora

Loumari disse...

Não Sou Digno de um Anjo Tão Doce como Tu

Bom dia, anjo querido, beijo-te muito. Pensei em ti durante todo o caminho. Acabo de chegar. Sinto-me cansado e instalei-me para te escrever. Acabam de trazer-me chá, e água para me lavar, mas no intervalo escrevo-te umas linhas. (...) Na sala de espera da estação andei de lá para cá a pensar em ti e dizia comigo: mas porque deixei eu a minha Anuska?
Recordava tudo, até ao mais ínfimo escaninho da tua alma e do teu coração. Desde que casámos que descobri não ser digno de um anjo tão doce, tão belo, tão puro como tu - e que crê em mim. Como pude eu deixar-te? Para onde vou? Porquê? Deus confiou-te a mim para que nenhuma das riquezas da tua alma se perdesse - pelo contrário, para que tudo se desenvolva e floresça rica e esplendorosamente. Deus entregou-te a mim para que, por ti, eu resgate os meus enormes pecados, ao apresentar-te a Ele amadurecida, conservada, salva de tudo o que é baixo e ofende o espírito. E eu (...) eu o que faço é perturbar-te com coisas tão estúpidas como a minha viagem a este lugar.

Fiodor Dostoievski, in 'Carta a Anna Grigórievna Snítkina (1867)'
(Na sequência de uma viagem de Dostoievski a Hamburgo)

Loumari disse...

A Vida é uma Busca


A vida é uma busca — uma busca constante, uma busca desesperada, uma busca sem esperança, uma busca de algo que não se sabe o que é. Há um forte impulso para procurar, mas não se sabe o que se procura. E há um certo estado de espírito em que nada daquilo que consegue lhe dará qualquer satisfação. A frustração parece ser o destino da humanidade, porque tudo aquilo que se obtém perde o sentido no momento exacto em que se consegue. Começa-se novamente a procurar.
A busca continua, quer se consiga alguma coisa ou não. Parece ser irrelevante o que se tem e o que não se tem, pois a busca continua de qualquer maneira. Os pobres andam à procura, os ricos andam à procura, os doentes andam à procura, os que estão bem andam à procura, os poderosos andam à procura, os estúpidos andam à procura, os sensatos andam à procura - e ninguém sabe exactamente de quê.

Essa mesma procura — o que é e porque existe — tem de ser compreendida. Parece haver um hiato no ser humano, na mente humana. Na própria estrutura da consciência humana parece haver um buraco, um buraco negro. Continuamente se deitam coisas lá para dentro e as coisas continuam a desaparecer. Nada parece enchê-lo, nada parece ajudar a alcançar a plenitude. E a busca é muito febril. Você procura neste mundo, procura no outro mundo. Por vezes, procura no dinheiro, no poder, no prestígio, e por vezes procura em Deus, na felicidade, no amor, na meditação, na prece — e a busca continua. Parece que o homem apanhou a doença de procurar.

A busca não o deixa estar no aqui e agora, porque essa busca o leva sempre a qualquer outro lugar. A busca é uma projecção, a busca é um desejo, é uma ideia de que num outro lugar existe aquilo de que se precisa - que isso existe, mas que existe num outro lugar, não aqui, onde se está. Não há dúvida de que existe, mas não é neste momento - não é agora, mas num outro lugar. Portanto, ela existe ali, mas nunca aqui e agora. E isso continua a provocá-lo, continua a puxá-lo, a empurrá-lo. Continua a lançá--lo em loucuras cada vez maiores; fá-lo enlouquecer. E nunca é satisfeita.

"Osho, in 'Intimidade'
Índia 1931 // 1990
Filósofo/Místico

Loumari disse...

Não temos tempo para ler. Não temos tempo para consolar os inconsoláveis. Não temos tempo para conversar. Não temos tempo para amar. Temos demasiados interesses, demasiado trabalho, demasiadas reuniões, demasiados compromissos. Ou então compras para fazer. Substituímos o tempo pelos centros comerciais. Trocamo-lo por bugigangas, moedas, coisas que brilham. Enchemos o tempo para não olharmos no seu espelho. De repente, quando, por um minuto ou dois, paramos, não gostamos da imagem que essa paragem nos devolve - a imagem do que não soubemos ser, da vida que perdemos no meio das mil coisas que fizemos. Não há cirurgia estética que nos arranque de cima as pregas do tempo que gastámos em vez de vivermos.
"Inês Pedrosa"
Expresso / 20080503