quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Poder


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

A política trata do poder. Como ensinou Maquiavel  - o principal mestre da ciência política – a questão fundamental é conquistar e manter o poder.

O nome de Maquiavel ficou, para muitos, associado à crua violência e à falta de escrúpulos que ele descreve, ao avaliar o jogo político. Dizem e repetem que, para ele, os fins justificam os meios, e isso parece ser uma condenação definitiva.

Antes de apreciar se essa condenação é bem fundada, e o que está por trás dela, lembro que Maquiavel foi reverenciado por Spinoza, grande gênio da filosofia do Século XVII, quando, a meu ver, a filosofia atingiu seu cume.

Pode ter havido filósofos (não muitos) de valor intelectual comparável a Spinoza,  mas nenhum de seu porte ético, o que é interessante em relação ao conceito que ele teve de Maquiavel.

Não há como ignorar ou desprezar os fatos. Eles recaem sobre as pessoas. Os povos e as nações têm sido vítimas de exploração,  manipulações e violências inimagináveis, por parte de oligarquias e tiranos. Não é fácil conceber que se possam liberar de tais afrontas a suas vidas e à sua dignidade, sem recurso aos meios que viabilizam dispor de poder.

Na lição do próprio Maquiavel, esses meios são o ouro e as armas. No caso, entenda-se a palavra ouro representando a finança, incluindo os patrimônios transformáveis em dinheiro, e o controle dos meios físicos de produção, ou seja, o poder econômico, em seu todo.

Não admira que as oligarquias cuidem ciosamente de concentrar esse poder, bem como de manter todo tipo de armas sob seu comando e controle.

Diferenciemos os termos oligarquia e elite. Isso é, não só importante, como, amiúde, deixado de lado. A oligarquia é um grupo de pessoas ou famílias que usam seu poder dominando e subjugando os povos e as nações.

Elite tem dois sentidos. Um, genérico, abrange também a oligarquia e também qualquer grupo que se destaque por seu valor, incluindo dotes  como liderança, coragem, inteligência, know-how.

Este é a elite, propriamente dita, grupo dotado de valor, que tem por meta exercer o poder, assentado no consentimento e na participação da maioria do povo, que precisa fortalecer, educar e preparar, até para enfrentar a oligarquia.

Cabe, pois, à verdadeira elite, à qual devem ter acesso oriundos de estratos populares, ligar-se à respectiva nação e liderá-la na formulação de seus projetos de desenvolvimento econômico e social.

Maquiavel propugnava, para a Itália de seu tempo (transição do Século XIV para o XV), o comando de um príncipe capaz de unificar a nação, dividida em numerosos Estados e tendo regiões ocupadas por forças militares de potências estrangeiras. Para ele, os príncipes assentariam seu poder, tornando o povo contente.

Evidentemente, não havia como alcançar tais objetivos a não ser pelos meios que secularmente sustentam o poder: ouro e armas.

Nos tempos atuais, é o império angloamericano que recorre a esses meios em doses colossais, aos quais agrega mais recursos, derivados desses dois: manipulação da informação, pela grande mídia – que dispõe de recursos visuais e acústicos eletrônicos, técnicas de psicologia social aplicada etc. - e por institutos, entidades, universidades e outros centros formadores de opinião.

Ao mesmo tempo, concentra poder econômico, aumentando-o principalmente por meio da finança, controlada pela oligarquia banqueira, e faz na indústria de armamentos o grosso dos investimentos materiais.

Às nações é oferecido – para se iludirem, imaginando participar do poder – o simulacro de eleições, cada vez mais manipuladas. Grana distribuindo recursos para as campanhas eleitorais e dominando a grande mídia, principalmente a televisiva, de maior impacto.

Isso não tem bastado para assegurar, de modo completo, o aprofundamento da penetração imperial. Daí as “revoluções coloridas”, movidas por serviços secretos das potências imperiais e entidades a elas ligadas, ONGs etc., as quais promovem manifestações de rua, atentados etc..

Assim, realizam golpes institucionais, combinando a pretensa vontade de manifestantes com a infiltração em poderes do Estado, inclusive polícia federal e  Ministério Público.


Adriano Benayon é doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo,
Alemanha; autor de Globalização versus Desenvolvimento.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não precisa nem espremer para sair vermelho!