domingo, 17 de abril de 2016

Organizações Criptocomunistas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi extraído do livro “Em Cima da Hora”, de Suzanne Labin, tradução de Carlos Lacerda, publicado no Brasil em março de 1964!

Como registra a contracapa: Um livro para líderes. Praticamente, um quase lacônico, mas dramático documento de Estado-Maior. Porque seu tema é a ação do Partido Comunista, que se desenvolve sempre, em quaisquer condições, seja onde for, em termos paramilitares.
A autora reuniu, num instante de absoluta felicidade, de precisão e eficiência analítica, exatamente as informações mais decisivas e mais claras sobre a estratégia, a tática e os meios de ação do mortal inimigo das liberdades humanas: o comunismo internacional.

As organizações criptocomunistas agem no seio de um grupo que, em seu conjunto, escapa à obediência comunista. Essa é uma prática exclusiva da propaganda comunista.

Em todos os domínios da vida, sejam políticos, culturais – como o cinema -, técnicos – como a biologia -, ou neutros – como o desporto -, as organizações criptocomunistas são criadas, de modo a que cidadãos que não lhes prestariam serviços se fossem abertamente solicitados, ajam em proveito do Kremlin. Encontra-se de tudo nessa gigantesca contrafação. Desde as organizações de massa cuja submissão ao PC é apenas velada, como – citando apenas exemplos franceses – a CGT, os Combatentes da Paz, o Socorro Popular, a União Feminina Francesa, França-URSS, até os grupelhos como o Partido Socialista Unitário e a União pela Fronteira Oder-Neiss, passando por organizações consagradas, das quais poucos suspeitam que sejam de obediência, como a Associação Internacional dos Juristas Democráticos, a Casa do Pensamento Francês, a União Universitária Francesa, a Associação de Estados e Informações Municipais, a Federação Desportiva e Ginástica do Trabalho, o Comitê pelo Desenvolvimento do Comércio Internacional, a Federação Musical, os Amigos da Infância, etc.

Somente na França existem 140 organizações desse tipo. Todos os países, inclusive aqueles nos quais o PC é insignificante, possuem número comparável de organizações cripto.

Eis uma relação daquelas que, afora os ramos nacionais, possuem uma cobertura internacional, segundo os cadernos da publicação “Democratie Française”, que dá numerosos pormenores sobre suas respectivas atividades:

- Conselho Mundial da Paz, com sede em Praga, edita um Boletim bimensal e numerosas publicações avulsas;

- Federação Sindical Mundial, com sede em Praga, publica mensalmente em onze idiomas, a revista “Movimento Sindical Mundial”;

- Federação Mundial da Juventude Democrática, com sede em Budapeste, publica mensalmente em nove idiomas, a revista “Juventude Mundial” e emite programas de rádio semanais ma Rádio Budapeste;

- União Internacional de Estudantes, com sede em Praga, publica a revista “Estudantes do Mundo”,em 8 idiomas, o bimensal “Boletim de Informações da UIE”, o “Boletim das Faculdades”, e outros;

- Federação Democrática Internacional de Mulheres, com sede na então Berlim Oriental, publica o panfleto “Mulheres do Mundo Inteiro”, em 5 idiomas, um “Boletim de Informações” bimensal e um “Boletim Rádio-Imprensa”;

- Federação Internacional Sindical de Ensino, sem sede oficial. Publica, em Paris, o jornal “Educadores do Mundo Inteiro” e, em três idiomas, a revista “Enseignants du Monde”;

- Associação Internacional de Juristas Democráticos, com sede em Bruxelas, edita duas publicações;

- Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos, com sede em Londres e centros regionais na India, Paris, Praga e Pequim; edita três publicações em diversos idiomas;

- Organização Internacional dos Jornalistas, com sede em Praga, edita, entre várias publicações, o panfleto “Jornalista Democrático", em cinco idiomas;

- Congresso Mundial de Médicos, com sede em Viena, publica “As Condições de Vida e a Saúde”, em cinco idiomas;

- Organização Mundial de Radiodifusão, com sede em Praga, publica uma “Revista de Documentação” e um “Boletim de Informação e Documentação”;

- Federação Internacional dos Resistentes, das Vítimas e dos Pioneiros do Fascismo, com sedes em Viena e em Paris;

- Comitê Internacional para o Desenvolvimento do Comércio, com sede em Viena, publica a revista “Commerce Internacional”.

Os órgãos dirigentes dessas e de outras organizações criptos constituem-se, em geral, numa quarta parte, de pessoas que se confessam comunistas; outro tanto de “aliados temporários”, cuja obediência é disfarçada; outro tanto de recrutados numa famosa categoria social, a das ”semivirgens políticas” - ingênuos mais ou menos inocentes -, cuja complacência é retribuída pela sua ascensão aos palanques das assembléias para satisfazer suas vaidades; e, afinal, os restantes são organicamente incuráveis, que nenhuma experiência de falcatruas políticas chegará, jamais, a desencantar.

Graças a essas misturas, os comitês dirigentes aparecem, por fora, como independentes, embora com alguns comunistas de permeio. Porque não, se somos todos livres...? E por dentro, rigorosamente controlados por Moscou.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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