segunda-feira, 25 de abril de 2016

Refugiados


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Os campos de refugiados espalhados mundo afora mais se parecem com os trágicos campos de concentração, e nesse passo o Brasil sempre foi sem ambição alguma no campo das relações internacionais, assumindo uma condição sempre dentro do espírito da América Latina.

A crise explosiva e dramática que solapa o País traz números preocupantes são quase 22 milhões de brasileiros na linha de pobreza e chegando a 11 milhões de desempregados, quando temos 60 milhões com débitos não pagos e uma boa parte atrasando em até três meses o pagamento.

Enquanto isso o nosso desgoverno cogita trazer refugiados para o Brasil. Tantos já chegaram de vários continentes e agora a tática é virem aqueles localizados na Europa e em troca receberíamos uma ajuda financeira. Mais um equívoco e grande da diplomacia brasileira.

Perambulam pelas ruas da cidade milhares de desempregados e pessoas que não conseguem minimamente sobreviver, e até refugiados, agora a vinda de outros tantos seria muito constrangedora. O Brasil não tem condição alguma de abrigar pessoas vindas com problemas de saúde e até  sem qualificação técnica para emprego. Isso chama a atenção e nossas autoridades precisam acordar para o grave problema.

Além disso se os próprios brasileiros não tem moradia, saneamento e o básico para uma vida digna como enfrentar mais essa árdua questão. A Ministra Merkel visitou campo de refugiados na oportunidade disse que a Turquia está exercendo um importante papel de receber turistas legais e trocar por ilegais que serão destinados aos Países de origem.

O que acontece amiúde com a guerra na Síria que atravessa cinco anos é a falta de uma política internacional mais forte e marcante,o que deflagrou a retirada de milhares de pessoas para todos os continentes. A Europa não hesita em dizer que está fechando suas fronteiras e o candidato Trump dos republicanos ameaça construir um muro para apaziguar os revanchismos com os mexicanos,esse século é repleto de intolerância e de desfaçatez na política.

O Brasil pretende assumir um risco para o qual não está preparado e ganhar a simpatia internacional mediante a vinda de refugiados, sem conhecer o que sabem fazer,se possuem algum tipo de doença, e em qual território local ficarão.

Tempos atrás o governador do Acre mandou ônibus lotado para que viesse até São Paulo para solução do impasse. Apesar de tudo não é um simples gesto de caridade ou misericórdia. As ruas das principais capitais do Brasil

estão lotadas de pessoas sem trabalho, jogadas pelas calçadas e perdidas em vícios como álcool e drogas. Agora querer trazer mais refugiados apenas agudiza a situação e faz com que a segurança pública fique em alerta máximo.

O País deve renascer das cinzas e encontrar o seu caminho, não somos e não temos a ousadia de albergar refugiados. Daí porque nosso Ministro da Justiça exerce uma função destoante das preocupações da maioria da população.

Aliás por que não melhoram o sistema penal e fazem reformas essenciais ao invés de tocarem em matérias adversas ao tamanho da crise nacional? Deixem os refugiados aonde estão, pois se quiserem trazê-los incorporarão graves problemas que trarão sérias repercussões para sairmos dessa desastrosa crise que o nosso desvogerno gerou, criou e não sabe resolver, enfrentar ou solucionar.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

3 comentários:

Loumari disse...

A Globalização é uma Nova Forma de Totalistarismo

A globalização económica é compatível com os direitos humanos? Temos de fazer esta pergunta a nós próprios e ver que a resposta é que ou há globalização ou há direitos, por mais que os poderes tenham a hipocrisia de dizer que a globalização favorece os direitos humanos, quando o que faz é fabricar excluídos. A globalização é simplesmente uma nova forma de totalitarismo que não tem de chegar sempre com uma camisa azul, castanha ou negra e com o braço erguido; tem muitas caras e a globalização é uma delas. Devíamos voltar a Marx e a Engels para reverter a situação, ainda que seja pouco menos que politicamente incorrecto referirmo-nos a estes cadáveres da história quando a ideologia parece que morreu.

"José Saramago, in 'Turia (2001)'
Portugal 16 Nov 1922 // 18 Jun 2010
Escritor [Nobel 1998]

Loumari disse...

A globalização e a doutrina que a sustenta, o neoliberalismo, tem aumentado os problemas da miséria, da fome, do desemprego nas nações onde tem sido aplicada.
(Bastos Baptista)

Loumari disse...

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

É escusado. Em nenhuma área do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a convivência harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais adversários. Guerreamo-nos na política, na literatura, no comércio e na indústria. Onde estão dois portugueses estão dois concorrentes hostis à Presidência da República, à chefia dum partido, à gerência dum banco, ao comando de uma corporação de bombeiros. Não somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na sátira, na mordacidade, na maledicência. Nas cidades ou nas aldeias, por fás e por nefas, não há ninguém sem alcunha, a todos é colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as polémicas que travámos ao longo dos tempos. São reveladoras. A celebrada carta de Eça a Camilo ou a também conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio dão a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato diário. Gregariamente, somos um somatório de cidadãos sem laços de cidadania.

"Miguel Torga, in "Diário (1985)"
Portugal 12 Ago 1907 // 17 Jan 1995
Escritor/Poeta