segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sobre Intelectuais e Artistas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maynard Marques de Santa Rosa

“Tende muito cuidado com o que ouvis” (Mc, 4/24).

Em tempos escatológicos de luta pelo domínio da opinião pública, a vítima principal é a verdade. Sendo a propaganda a alma do negócio, dela se serve o marketing político, sem qualquer escrúpulo, para vender o bem pelo mal e vice-versa, em função do interesse do patrocinador. Por isso, a sugestão divina à prudência permanece viva e atual, como escudo de defesa seguro.

O condicionamento imposto pelos hábitos modernos estimula a massificação dos costumes. Os intelectuais e artistas, na condição de admirados e imitados, agem como catalisadores vivos da opinião pública. Seus pontos de vista constituem importante filão para os marqueteiros, que se esmeram em explorá-los, em proveito do projeto de domínio dos seus contratantes.

No simplismo de uma visão mercadológica, intelectual é a pessoa instruída que consegue sucesso em vender um produto cognitivo ou cultural. Suas teses são, necessariamente, inteligentes e persuasivas, mesmo quando impregnadas de má fé. Assim, as opiniões de intelectuais merecem passar pelo filtro de Rousseau: “A educação não faz com que o homem seja bom, mas apenas com que fique esperto – em geral para o mal. O instinto e o sentimento são mais confiáveis do que a razão”. 

A arte, por sua vez, é como o sal da terra. Sem ela, a vida seria insípida e monótona, um deserto de beleza. No universo das relações, o artista ocupa uma função social proeminente. O público, porém, não se engane. Em O Espírito na Arte e na Ciência, o Dr. Carl Gustav Jung provou que o artista é um ser coletivo, que transporta e plasma a alma inconsciente e ativa da humanidade: “A arte é uma expressão do arquétipo, um dom inato, uma espécie de instinto que domina o artista, fazendo dele o seu instrumento”.

Porém, ressalvou: “O impulso criativo é inconsciente, mas arrebata a maior parte da energia mental da consciência, sobrando muito pouco para o restante”. Assim, quanto mais talentoso é o artista, menor a sua disponibilidade de energia mental para o discernimento da realidade exterior à sua predileção.

O exemplo citado por Jung foi peremptório no caso concreto de um ícone da esquerda, objeto da sua pesquisa: “Picasso pertencia ao grupo dos meus pacientes esquizofrênicos, que se caracterizam pela fragmentação das ideias”.

Portanto, antes de se adotar a opinião de um intelectual ou artista famoso, é prudente refletir com atenção sobre o mérito, sobretudo, quando fala de assunto estranho à sua especialidade.


Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército, na reserva.

3 comentários:

Loumari disse...

Este texto aqui abaixo o recebi no meu e'mail em 27 juin 2013

Brasil - POR QUE NINGUÉM AGUENTA MAIS?

A COISA É ANTIGA, DE E DÉCADAS.
REPASSANDO-LHES INTERESSANTE TEXTO A MOSTRAR QUE A QUESTÃO É HORIZONTALIZADA, PROFUNDA, SISTÊMICA.

Por que todos estão com raiva?

17 jun 2013 Autor: Ivan Moraes Filho Categoria(s): Ana Crônicas

Não é Dilma e sua falta de coragem em levar a cabo as reformas que o Brasil precisa. Nem é Sérgio Cabral e sua preferência pelos restaurantes franceses. Não é a esquiva de Haddad nem a xuxuzisse do discurso de Alckmin. Não é Eduardo Campos fechando os belos olhos para o caos social que rodeia o crescimento de Suape nem é Aécio Neves se agarrando o que pode pra se cacifar nas próximas eleições. Não são PACs, PECs, POCs ou PUCs.
Não são felicianos, sarneys, barbalhos ou malufs.
Vinte centavos realmente não são.
É tudo isso junto e passa muito longe de ser apenas isso.
A verdade verdadeira é que a galera não aguenta mais ser tratada como lixo.
Que o povo está compreendendo que tem direitos e não tá mais numa de pedir favores.
Não engole mais saber que vive num sistema (esse vampiro) em que pessoas são apenas rótulos nas estantes, compradas e vendidas para movimentar um mercado que não tem corpo nem alma.
Não suporta mais perceber a impotência do Estado diante do capital que desaloja pessoas, destrói o meio ambiente, promove a injustiça e elege o mesmo grupo de políticos que há décadas trata o país como se fosse o quintal de suas casas.
Não quer mais conviver com a ideia de que, para criar seus filhos com alguma dignidade, tem que trabalhar para este mesmo capital, retroalimentando a desigualdade e a miséria.
O circo já não convence mais. E ficou difícil continuar enganando as pessoas.
E cada vez mas as coisas vão ficando mais claras mesmo para quem sempre escolheu “não se intrometer”.
Afinal de contas, o sofrimento não está mais apenas no lado mais fraco da gangorra. Cercas elétricas, carros blindados, planos de saúde e escolas particulares já não protegem mais da dura realidade. Um dia, acredite, ela acaba batendo na sua porta.
Pode ser no aluguel que subiu muito mais que seu salário. Ou mesmo no engarrafamento que faz você perder a paciência. No parente assaltado, no colega de trabalho assassinado ou mesmo no amigo querido que, como muitas outras pessoas, perdeu a vida porque quem deveria protegê-lo estava mais preocupado em economizar uns tostões.
Hoje nós percebemos que para cada jornalista preso com um frasco de vinagre, milhares de crianças e adolescentes brasileiros sofrem as mais perversas formas de violência, à margem do novo milagre brasileiro.
Demorou, mas aos poucos a gente vai percebendo que, para ser feliz plenamente, é preciso que a felicidade também esteja à nossa volta. A bolha, ao menos a da ignorância, parece ter estourado.
Não se engane. Não são apenas os brasileiros indignados. O mundo inteiro está puto da vida.
Porque já passou da hora de o poder público assumir o seu papel de garantidor dos direitos da cidadania – e não do consumo.
De o estado deixar de ser apenas o braço armado do dinheiro e e começar a cumprir a sua tarefa de fazer com que todo mundo possa viver com dignidade e liberdade.
É essa a hora de os políticos – sim, eles existem e não são poucos – que querem realizar as transformações que a gente precisa, juntarem-se ao povo nas ruas. Hora de expor os bastidores do jogo sujo, os boicotes, as chantagens e extorsões.
Coragem, moçada!
Aos que ocupam cargos de poder não adianta mais resmungar sobre as injustiças do sistema eleitoral sem a disposição para a mudá-lo. De nada vale o mimimi sobre necessária reforma da mídia se não houver o compromisso de implementar o marco regulatório da comunicação. Se for para xingar o latifúndio, os grandes laboratórios, as construtoras e até a Fifa, precisa ter disposição para fazer o enfrentamento de peito aberto. E ao lado do povo.
Remendos e gambiarras não mais interessam.
Que fique claro: nossa indignação é apenas um importante primeiro passo.
Sigamos em frente.

Jayme Guedes disse...

Texto irretocável. O mais estranho nisso tudo é que o eleitor que jamais se submeteria a uma cirurgia executada por um torneiro mecânico, por um alfaiate ou por um engenheiro, aceita que seu futuro seja determinado por alguém a quem são estranhas as atividades de gestão. O exercício do direito de decidir os destinos da nação sem a exigência da capacidade para o exercício daquele direito é um risco letal.Entre nós, a "criança" de 16 anos que é impune por não saber distinguir o certo do errado, vota e determina o rumo do país. O risco de Banânia dar certo é zero.

augusto.a disse...

Quando foi que artista e "otoridade"'sao exemplos para alguem. So num pais de analfabetos eles representam alguma coisa..