terça-feira, 10 de maio de 2016

Fin de Siglo em la Habana


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Fin de Siglo en Habana” é um livro escrito pelos jornalistas franceses Jean François Fogel e Bertrand Rosenthal que conheceram de perto e investigaram a verdadeira situação da Ilha. Foi editado, em 1994, na Colômbia, Venezuela e Equador. Trata-se da mais vasta investigação levada a cabo sobre o castrismo, tráfico de drogas, pelotões de fuzilamento, comércio incerto, corrupção e diplomacia clandestina. Dos escombros de um sonho, essa efervescência jubilosa e desesperada vem iluminar o curso da vida que se desfaz aceleradamente.

A seguir, um resumo da Introdução:

Em Cuba, o jornalista é uma arte de minimalistas. O mais recente anuário telefônico data de 1979. A única relação administrativa disponível é a publicada nos EUA, pela CIA. A lei ordena que todo cidadão cubano respeite o segredo das atividades políticas e econômicas do país. Deve também restringir possíveis contactos com estrangeiros.

Tampouco se pode pensar em consultar uma fonte oficial para confirmar informações. Mais ainda: nenhum assunto importante se discute por telefone, com receio de que esteja interceptado. Muitos funcionários, com razão ou sem ela, estão convencidos de que os serviços de segurança colocam microfones em seus escritórios, em suas residências e em seus automóveis.

Ademais, a população teme que se denunciem as opiniões negativas que emitam contra o governo ou o partido único. Nenhuma residência está isenta de uma visita intempestiva por parte de um membro do Comitê de Defesa da Revolução (CDR). Os veículos de imprensa e os de aluguel podem ser identificados ao longe pelas placas de matrícula, de cores especiais, e sempre é possível encontrar policiais à paisana em lugares públicos freqüentados por estrangeiros.

Um grupo de funcionários do Ministério das Relações Exteriores é dedicado aos contactos com jornalistas estrangeiros e mantêm atualizados seus dossier com seus artigos e suas opiniões. Ademais, existe um escritório de contra-espionagem destinado a supervisionar as atividades de jornalistas chegados do exterior.

Nenhum dirigente se expressa de maneira direta frente a um jornalista, sem que a entrevista tenha sido devidamente agendada. Nada se púbica nos meios nacionais sem que a Direção de Orientação Revolucionária tenha traçado as linhas de ação. Cuba maneja melhor que qualquer outro país que seja ou tenha sido comunista o magro fluxo de informações de seu circulo dirigente.

A ilha do Caribe, como um dominó construído em uma longa fileira, faz apenas uma pergunta: quando chegará o fim? Não é possível encontrar resposta a essa pergunta em “Fin de Siglo em Habana”.

Bertrand Rosenthal ocupou, desde julho de 1987 até junho de 1992, o cargo de diretor de uma agência de imprensa internacional em Havana. Jean François Fogel, jornalista independente, visitou Cuba em dez ocasiões e os EUA em dezesseis, no espaço de três anos. Empregaram seus esforços nos EUA, América Latina, Rússia, Europa Ocidental e, sobretudo, Cuba, a fim de construir o itinerário de um Poder ameaçado.

Em uma sociedade em que a loquacidade obedece mais ao calor caribenho do que ao rigor do marxismo-leninismo, basta esperar, cruzar-se com as pessoas, multiplicar os encontros casuais, para conseguir, finalmente, a entrevista desejada.

O rum, a paciência, o humor, aparentar que não se quer tocar no tema, a vontade de tomar nota de tudo, logram o resto. No jargão periodista isso se chama trabalhar com fontes de segunda mão.

Outra dificuldade: a impossibilidade prática de ingressar permanentemente no círculo interno de um poder totalmente hermético. Muitos cubanos têm dado seu testemunho sobre a vida cotidiana ou sobre o estado da opinião pública. Os que figuram com nome próprio são rebatizados a fim de evitar uma possível identificação. Algumas vezes o endereço de residência e a ocupação também são substituídos.

Finalmente, torna-se necessária uma advertência, uma constatação: o fluxo da vida e o curso natural das coisas e sua economia, se impõem cada dia mais às instituições que respaldam o marxismo-leninismo. Este sopro atua sobre todos, inclusive sobre os jornalistas estrangeiros. Uma investigação pode somente descrever o compromisso sobre a história que os cubanos estão tentando construir e a novela, às vezes difícil de crer, que têm feito de sua existência. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Ronald disse...

Em resumo, aquilo é uma latrina fétida, suja e imunda, tanto fisicamente quanto moralmente.